CICATRIZES QUE O ESPELHO NÃO MOSTRA: UMA REVISÃO DE LITERATURA SOBRE OS IMPACTOS PSICOSSOCIAIS DA ACNE EM ADOLESCENTES
1ISADHORA CORREA PEREIRA, 2RAFAELLE HIROMI FARINHA KUMAGAI, 3MARIA OLIVIA STANISCHESCK DE ARAUJO, 4ANA ALICE DIAS NOGUEIRA DA CRUZ, 5GLAUCIA RODRIGUES CARDOSO
1Acadêmico do Curso de Medicina PIC/ UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: A adolescência é uma fase de transição marcada por intensas mudanças físicas, emocionais e sociais, sendo um período determinante na construção da identidade e da autoestima (CERQUEIRA et al., 2024; PASQUAL et al., 2023). A pele, por ser o maior órgão do corpo e estar constantemente exposta, exerce influência direta na percepção que o indivíduo tem de si, especialmente entre adolescentes (ISIDORIO et al., 2020). A autoimagem, por sua vez, está intimamente associada ao bem-estar emocional, afetando profundamente a forma como o adolescente se relaciona consigo e com o meio (ASSIS; CAMBUÍ; DA COSTA, 2024).
Objetivo: Revisar a literatura dos mecanismos fisiopatológicos da acne vulgar e seus impactos psicossociais na adolescência, considerando o papel da autoimagem, autoestima e fatores emocionais na experiência dos jovens afetados por essa condição.
Desenvolvimento: A acne vulgar é uma das doenças dermatológicas mais prevalentes na adolescência, caracterizada por lesões inflamatórias como comedões, pápulas, pústulas, nódulos e cistos, principalmente em regiões expostas como o rosto e o dorso (FERREIRA et al., 2023; DO AMARAL; VIANA; BUENO, 2024). Sua origem está associada a diversos fatores, como a produção excessiva de sebo, a obstrução dos folículos pilosos, a colonização bacteriana por Cutibacterium acnes e a subsequente resposta inflamatória (DO AMARAL; VIANA; BUENO, 2024; ISIDORIO et al., 2020). Durante a puberdade, tanto meninos quanto meninas apresentam elevação dos andrógenos, que desencadeiam alterações corporais e afetam diretamente a pele, intensificando o quadro clínico (LIMA et al., 2023; FREITAS et al., 2024). Embora seja um fenômeno essencialmente físico, a acne tem implicações emocionais consideráveis. Ela afeta a autoestima e a segurança do adolescente, interferindo em seu bem-estar psicológico e nas interações sociais (GOMES et al., 2020). A consequência emocional da acne vai além da estética, desse modo o adolescente acometido pode apresentar vergonha, insegurança e estigmatização, sentimentos que comprometem diretamente sua autoestima e autoimagem (FERREIRA et al., 2023). Esses fatores favorecem o isolamento social, dificultando o desenvolvimento de habilidades interpessoais e a construção de vínculos saudáveis (PASQUAL et al., 2023). O estigma da acne ainda pode levar ao surgimento ou agravamento de transtornos como ansiedade, depressão e distúrbios de imagem corporal (CERQUEIRA et al., 2024; LIMA et al., 2023). Além disso, os adolescentes estão expostos a padrões irreais de beleza reforçados pelas redes sociais, o que acentua a sensação de inadequação e intensifica a busca por aprovação externa (LIMA et al., 2023; GOMES et al., 2020; FREITAS et al., 2024). Embora os fatores hormonais e genéticos sejam determinantes para o surgimento da acne, elementos ambientais como má alimentação e estresse também têm papel importante em sua evolução (FREITAS et al., 2024). O estresse emocional, frequentemente relacionado à pressão estética e ao julgamento social, desencadeia um ciclo de retroalimentação: o aumento da produção de sebo estimulado pelo estresse agrava o quadro inflamatório, o que piora a acne e, por consequência, eleva ainda mais o sofrimento psíquico (FERREIRA et al., 2023; GOMES et al., 2020; PASQUAL et al., 2023).
Conclusão: A acne vulgar é uma dermatose que ultrapassa os limites da pele, afetando diretamente a construção da identidade e o equilíbrio emocional do adolescente. Em um momento de intensa busca por aceitação, sua manifestação compromete a autoestima e a socialização. Por isso, o cuidado clínico deve superar o aspecto medicamentoso, incorporando escuta sensível, orientação emocional e, quando necessário, suporte psicológico. Acolher o paciente com acne é essencial para evitar cicatrizes invisíveis à pele, mas profundas na psique.
Referências:
ASSIS, Gabriela Tedardi; CAMBUÍ, Heloisa Aguetoni; DA COSTA, Mylena Cristina Dornellas. A acne vulgar e as implicações para a autoestima de adolescentes. Revista Terra & Cultura: Cadernos de Ensino e Pesquisa, v. 40, n. especial, p. 269-290, 2024.
CERQUEIRA, Larissa et al. Acne nas escolas: uma questão de saúde pública durante a adolescência. Semana de Extensão-SEMEX, v. 2, n. 2, 2024.
DO AMARAL, Augusto Ruiz; VIANA, Gabriel Almeida; BUENO, Silvia Messias. Acne: uma revisão bibliográfica. Revista Corpus Hippocraticum, v. 1, n. 1, 2024.
FERREIRA, Rubens Rezende et al. Os impactos da acne vulgar na qualidade de vida do paciente. Brazilian Journal of Health Review, v. 6, n. 1, p. 1366-1375, 2023.
FREITAS, Leonardo Martini Soares et al. A influência dos hormônios sexuais na fisiopatologia e na terapêutica da acne vulgar em adolescentes: avaliação dermatológicas. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 1, p. 387-397, 2024.
GOMES, Letícia Pinho et al. Influência dos cuidados com a pele no controle da acne em adolescentes. Revista Eletrônica Interdisciplinar, v. 12, n. 2, p. 013-022, 2020.
ISIDORIO, Erika Campos et al. O uso do tratamento psicológico na melhora da qualidade de vida de pacientes dermatológicos: uma revisão integrativa da literatura. Research, Society and Development, v. 9, n. 10, p. e7699109191-e7699109191, 2020.
LIMA, Yzadora Vittória Nunes et al. O impacto das mídias sociais no tratamento da acne vulgar. Surgical & Cosmetic Dermatology,v. 15, 2023.
PASQUAL, S., dos Santos Rohde, T., Silveira, L. P., Canato, M., Morgan, M. A. P., & de Carvalho, V. O. Conhecimento e percepções sobre acne entre adolescentes. 2023.