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| VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA DA IMPLANTAÇÃO DE BIODIGESTOR EM EMPREENDIMENTO DE PRODUÇÃO DE LEITE DE ALTO PIQUIRÍ-PR | |
| 1ISABELLA MALTA PAZINATTO, 2JOÃO PAULO WUERZLER DE CARVALHO, 3LAINES CASSIANO SUMERA, 4TARCIO ROCHA LOPES, 5CAROLINE KOZAK, 6FELIPPE MARTINS DAMACENO | |
| 1Discente de Engenharia Ambiental (DAM), Universidade Estadual de Maringá (UEM), Umuarama 2Engenheiro Ambiental pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), Umuarama 3Mestranda em Sustentabilidade, Universidade Estadual de Maringá, UEM/IFPR, Umuarama 4Departamento de Meio Ambiente (DAM), Universidade Estadual de Maringá (UEM), Umuarama 5Departamento de Meio Ambiente (DAM), Universidade Estadual de Maringá (UEM), Umuarama 6Departamento de Meio Ambiente (DAM), Universidade Estadual de Maringá (UEM), Umuarma |
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| Introdução: O agronegócio é um mercado de grande importância para a economia do país, sendo a produção de leite uma das principais atividades agropecuárias exercidas em território nacional, colocando o Brasil entre os maiores produtores de leite do comércio exterior (Embrapa; Abia, 2020). Outro impacto que está associado à grande quantidade de geração de resíduos de excreção que são produzidos diariamente pela pecuária leiteira, se estes resíduos não forem destinados e tratados de maneira adequada, podem causar uma série de doenças por atraírem vetores como insetos e roedores e também por contaminarem solo e águas superficiais e subterrâneas, deste modo, fica evidente a necessidade de tratamentos eficiêntes destes resíduos orgânicos (Gerber, 2015). Objetivo: O objetivo deste estudo foi analisar a viabilidade econômico-financeira da implantação de um biodigestor anaeróbio de lagoa coberta e de um sistema de conversão do biogás em energia elétrica. Material e Métodos: O estudo foi desenvolvido para uma pequena propriedade rural (cerca de 3,8 alqueires), localizada na região Noroeste do Paraná, próxima ao município de Alto Piquiri, sob as coordenadas 24°02ʼ12.32”S e 54°26ʼ34.69”O. Nesta propriedade, planeja-se implantar um sistema de produção de leite sustentável, no qual toda a biomassa residual (dejetos das vacas) seria encaminhada a um biodigestor para serem tratadas e transformadas em biogás e biofertilizante, permitindo o aproveitamento energético e agronômico destes subprodutos. A cadeia produtiva de leite demanda recursos como energia e nutrientes. Para avaliar a viabilidade econômico-financeira do sistema de aproveitamento energético e agronômico dos dejetos animais, foram estabelecidos três cenários de produção leiteira (20, 30 e 60 vacas Holandesas), seguindo a Classificação do Sebrae (2016) onde um animal pode produzir, em média, 28 L de leite por dia e variando também a quantidade de animais. Resultados: Para se obter os resultados, foi necessário o levantamento de dados referentes a geração diária de excretas de bovinos para cada cenário para efeitos de comparação. Os resultados mostraram que a viabilidade econômica depende diretamente do tamanho do rebanho. Incialmente alálisou-se os cenários de 20 animais e de 60 animais (cenários 1 e 3, respectivamente), verificou-se um aumento de geração de águas residuárias de 2.880 L/dia para 8.640 L/dia, no cenário com 20 animais, a instalação do biodigestor foi considerada financeiramente inviável. A principal razão para a inviabilidade foi o alto custo de um motor-gerador para a produção de energia elétrica, que representou cerca de 60% do orçamento total, enquanto a produção de dejetos e, consequentemente, de biogás, foi baixa. No entanto, nos cenários com 30 e 60 animais, o projeto se mostrou economicamente viável. No cenário com 30 animais, o projeto gerou um valor presente líquido (VPL) de R$ 11.160,41 e uma taxa interna de retorno (TIR) de 8,1%, que é maior que a taxa mínima de atratividade (TMA) de 7,9%. Já no cenário com 60 animais, os resultados foram ainda mais positivos. O projeto gerou um VPL de R$ 74.674,36 e uma TIR de 18,65%, bem superior à TMA. A receita anual com a conversão de biogás em energia elétrica foi de R$ 15.192,10, e a receita com o biofertilizante foi de R$ 19.817,30. Isso reforça a conclusão de que a instalação de biodigestores para aproveitamento nutricional e energético é viável para empreendimentos de médio e grande porte. Discussão: Com a análise considerou-se a conversão do biogás em energia elétrica e a venda do biofertilizante como fontes de receita, os resultados indicaram que, para o cenário de pequeno porte (20 animais), a implementação do biodigestor não seria economicamente viável, isso se deve, principalmente, ao baixo volume de dejetos produzidos e ao alto custo da geração de energia, que representa cerca de 60% do orçamento total. No entanto, nos cenários 2 e 3 (30 e 60 animais), o projeto se mostrou viável economicamente devido a alta eficiência de geração energética. Nesses casos, a análise financeira resultou em valores positivos de VPL e uma TIR superior à TMA. E segundo Casaroto (2008) e Montontoro (2008), a tecnologia oferece benefícios adicionais, como a possibilidade de autossuficiência energética e a redução do uso de fertilizantes minerais, contribuindo para uma economia circular. Conclusão: A partir dos resultados obtidos neste estudo, foi possível verificar que quanto maior é o número de animais no cenário, maior foi o volume de águas residuárias. Além disso, a instalação de biodigestores para o aproveitamento nutricional e energético dos dejetos é uma solução economicamente viável para empreendimentos de médio e grande porte, mas não para fazendas de pequeno porte. Além de gerar lucros, essa tecnologia contribui para o tratamento dos resíduos, tornando o empreendimento mais sustentável e potencialmente autossuficiente em energia e adubo. |
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| Referências: ABIA – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS. Relatório anual 2020. São Paulo: ABIA, 2020. Disponível em: https://www.abia.org.br. Acesso em: 1 set. 2025. CASAROTTO, N. F.; KOPITTKE, B. H. Análise de investimentos: matemática financeira, engenharia econômica, tomada de decisão, estratégia empresarial. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2008. EMBRAPA. Anuário leite 2020: tendências do setor lácteo no Brasil. Juiz de Fora: Embrapa Gado de Leite, 2020. Disponível em: https://www.embrapa.br/gado-de-leite. Acesso em: 1 set. 2025. GERBER, D.; PASQUALI, L.; BECHARA, F. C. Gerenciamento de resíduos sólidos domiciliares em áreas urbanas e rurais. Revista Ibero-Americana de Ciências Ambientais, v. 6, n. 1, p. 293-306, 2015. MONTORO, S. B. Codigestão de batata doce com dejetos de bovinos leiteiros: uma avaliação técnica e econômica para produção de energia e biofertilizante. Dissertação (Mestrado em Energia na Agricultura) – Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Botucatu, 2017. |
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