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| EFICÁCIA CLÍNICA DA PERFUSÃO REMOTA CONDICIONADA EM TRANSPLANTES RENAIS: REVISÃO E PERSPECTIVAS | |
| 1GUILHERME PARIZE CAVALCANTE, 2ANDRE FELIPE MORESCO RITT, 3JOAO GABRIEL FEITOSA DE OLIVEIRA, 4ISABELA MOTA ALVES, 5MARIANA VITORIA GASPERIN | |
| 1Acadêmico do PIC/UNIPAR 2Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 5Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A perfusão remota condicionada (PRC) é uma estratégia terapêutica não invasiva proposta para atenuar lesões de isquemia e reperfusão em órgãos-alvo, por meio da aplicação de ciclos breves e repetitivos de isquemia e reperfusão em um tecido ou órgão distante, induzindo proteção sistêmica contra danos subsequentes (Thorne et al., 2020). Essa abordagem pode ser classificada de acordo com o momento de sua aplicação: pré-condicionamento remoto, realizado antes da isquemia do órgão-alvo; percondicionamento remoto, administrado durante a isquemia e antes da reperfusão; e pós-condicionamento remoto, iniciado com a reperfusão (Stankiewicz; Grat, 2021). Objetivo: Elucidar os fundamentos, a aplicação e a eficácia da perfusão remota condicionada (PRC) no contexto de doadores de órgãos, com ênfase no transplante renal. Discussão: No transplante renal, segundo Mingxiong et al. (2024), as principais metanálises recentes mostram que a PRC não promoveu redução significativa na incidência de função retardada do enxerto nem impactou de forma consistente em desfechos como rejeição aguda, perda do enxerto ou mortalidade. De acordo com Zhang et al. (2024), um achado positivo recorrente é o aumento da taxa de filtração glomerular estimada em curto prazo, sugerindo possível benefício funcional inicial, contudo, a ausência de efeitos sustentados no médio e longo prazo levanta questionamentos sobre a relevância clínica desse ganho transitório. Do ponto de vista fisiopatológico, a PRC pode modular mecanismos relacionados à lesão de isquemia e reperfusão, como a redução da produção de espécies reativas de oxigênio, a atenuação da resposta inflamatória e a melhora da perfusão microvascular (Stankiewicz; Grat, 2021). No entanto, fatores como variabilidade nos protocolos (como número de ciclos, duração e local de aplicação), momento da intervenção - pré, per ou pós-condicionamento - e características do doador e receptor podem influenciar a resposta ao método (Zhang et al., 2024). Além disso, Thorne et al., (2020) levanta que a transposição de resultados de modelos animais para a prática clínica enfrenta limitações relacionadas à complexidade das condições de transplante humano, incluindo comorbidades, heterogeneidade dos enxertos e influência de regimes imunossupressores. Essas variáveis possivelmente explicam por que efeitos moleculares detectados em análises proteômicas, como alterações no metabolismo de aminoácidos e modulação de proteínas de fase aguda, não se traduzem em benefícios clínicos mensuráveis. Conclusão: As evidências clínicas atuais indicam benefícios limitados e inconsistentes, restritos, em alguns casos, a melhorias transitórias na função do enxerto, sem impacto robusto sobre desfechos críticos como função retardada do enxerto, rejeição aguda, perda do enxerto ou mortalidade. A heterogeneidade metodológica e a complexidade dos fatores envolvidos no transplante humano sugerem que a eficácia da PRC possa depender de protocolos otimizados e da seleção criteriosa de pacientes. Assim, são necessários ensaios clínicos randomizados, de grande escala e com padronização de procedimentos, para confirmar seu real papel na prática clínica. |
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| Referências: Zhang M, et al. Effect of Remote Ischemic Conditioning on Organ Transplantation: A Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Transplant Proc. 2024. Zhang, Y., et al. Remote ischemic conditioning may improve graft function following kidney transplantation: a systematic review and meta-analysis with trial sequential analysis. BMC Anesthesiol. 2024. Thorne, A.M., et al. Subclinical effects of remote ischaemic conditioning in human kidney transplants revealed by quantitative proteomics. Clin Proteom. 2020. STANKIEWICZ, R.; GRĄT, M. Direct, remote and combined ischemic conditioning in liver surgery. World Journal of Hepatology. 2021. |
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