USO DE FITOTERÁPICOS NO TRATAMENTO DA MUCOSITE ORAL  
1ANA BEATRIZ BELASCO, 2RENAN IZIDORO DE OLIVEIRA, 3CECILIA DA SILVA RAFAEL, 4GABRIELA KAROLINA CEROZINO, 5GISELLE GIOVANA DE COUTO DE OLIVEIRA, 6DANIELA DE CASSIA FAGLIONI B CERANTO
1Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR
2Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR
5Docente do Instituto Federal do Paraná - Campus de Umuarama
6Docente da UNIPAR
Introdução: O câncer exige tratamentos específicos, como a radioterapia e a quimioterapia, que inibem não apenas células neoplásicas, mas também células saudáveis do organismo, causando efeitos colaterais. Um dos mais comuns é a mucosite oral, uma inflamação eritematosa da mucosa bucal que pode evoluir para uma ulceração, afetando as funções orais básicas e podendo predispor à infecções (Spezzia, 2015). A fitoterapia surge como uma alternativa promissora, devido a sua atividade antioxidante, analgésica, anti-inflamatória, anti-fúngica e antiséptica. Os fitoterápicos reduzem efeitos colaterais adversos, possuem custos mais acessíveis e uma ampla disponibilidade (Dias, 2025). 
Objetivo: O objetivo deste trabalho é realizar um estudo sobre fitoterápicos como tratamento para mucosite oral, por meio de uma revisão da literatura desenvolvida entre os anos de 2016 e 2025, consultando as bases de dados Google Acadêmico, PubMed e SciELO e utilizando as palavras-chave mucosite oral, fitoterápicos e agentes naturais. 
Desenvolvimento: A mucosite oral é uma complicação associada aos tratamentos oncológicos, caracterizada por lesões erosivas e ulceradas na mucosa da boca, o que pode impactar negativamente a qualidade de vida dos pacientes (Guedes, 2021). Essas lesões costumam surgir após duas semanas do início da terapia  e cicatrizam após a última dose de quimioterapia (Spezzia, 2015). Seu aparecimento está intimamente relacionado ao  esquema terapêutico e à dose cumulativa (Capitanio de Souza, 2019).  O uso de fitoterápicos apresenta vantagens em relação aos medicamentos sintéticos, como menor toxicidade, baixo custo e maior disponibilidade. Sua eficácia está associada a diferentes mecanismos de ação, como propriedades antioxidantes, analgésicas, anti-inflamatórias, antifúngicas, antissépticas e anticancerígenas. Destaca-se a ação anti-inflamatória, que regula a resposta imunológica, reduzindo citocinas pró-inflamatórias (IL-1, IL-6, IL-8 e TNF-α) e aumentando as anti-inflamatórias (IL-4, IL-10, IL-13 e TGF-β). Esse equilíbrio favorece o alívio da dor e acelera a cicatrização (Dias, 2025). Estudos demonstram que substâncias naturais contribuem para a redução da frequência e gravidade das lesões, além de auxiliar no controle da dor local (Guedes, 2021). Quando o tratamento convencional não apresenta resultados satisfatórios, os fitoterápicos surgem como alternativa eficaz, especialmente pelo seu efeito antimicrobiano (Gomes, 2021). Entre os principais agentes naturais utilizados, destacam-se: alcaçuz, que reduz o tamanho das lesões e o grau de irritação; aloe vera, que retarda o início da mucosite oral em média de duas semanas e reduz a severidade; calêndula, que diminui a intensidade das lesões; camomila, que reduz incidência, severidade e duração, apresentando resultados significativos; além de cravo-da-índia e cúrcuma, ambos eficazes na redução da severidade. O própolis, utilizado como enxaguatório bucal, também demonstrou eficácia na redução da mucosite oral e na melhora da saúde oral (Santos, 2016; Costa, 2023). Assim, os fitoterápicos configuram uma abordagem terapêutica complementar relevante, com benefícios clínicos importantes e baixo risco de efeitos colaterais, reforçando seu potencial para uso na prática odontológica (Guedes, 2021). 
Conclusão: A mucosite oral é uma lesão comum em tratamentos oncológicos, mas que compromete a qualidade de vida dos pacientes. Diante das limitações das terapias convencionais, os fitoterápicos se destacam sendo uma alternativa eficaz, especialmente o alcaçuz, aloe vera, calêndula, camomila, cravo-da-índia, cúrcuma e própolis. Esses compostos naturais demonstram eficácia na redução das lesões, no alívio da dor e na aceleração da cicatrização, confirmando-se como uma opção promissora para o manejo da mucosite oral.
Referências:
CAPITANIO DE SOUZA, B. Bochecho de camomila (Chamomilla recutita) como auxiliar no tratamento da mucosite oral. Brazilian Journal of Surgery & Clinical Research, v. 29, n. 1, 2019.
COSTA, F. P. D., et al. Enxaguantes bucais utilizados em pacientes com mucosite oral e orofaríngea: uma revisão sistemática. 2023. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/65485 Acesso em 21/08/2025. 
DIAS, S. D., et al. Mucosite oral induzida por tratamentos oncológicos: uma revisão de literatura sobre a patogênese e abordagens terapêuticas. Revista Delos, v. 18, n. 67, p. e5220-e5220, 2025.
GOMES, N. M. L., et al. Fitoterapia como opção de tratamento para a mucosite oral. Archives Of Health Investigation, v. 10, n. 1, p. 11-17, 2021.
GUEDES, J. V. de O., et al. Uso de agentes naturais no manejo da mucosite oral. Odontol. Clín.-Cient.(Online), p. 47-53, 2021.
SANTOS, J. P. C. dos. Fitoterapia como alternativa a métodos tradicionais de tratamento da mucosite oral: revisão de literatura. 2023. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/entities/publication/a8d42ddc-bbc5-4d14-9110-2879fa407101. Acesso em 21/08/2025.
SPEZZIA, S. Mucosite oral. Journal of oral investigations, v. 4, n. 1, p. 14-18, 2016.