MICROALGAS COMO FONTE BIOATIVA: POTENCIAIS APLICAÇÕES FARMACÊUTICAS DE Chlorella vulgaris E Parachlorella sp.  
1TALITA ANIELLE DE ASSUNÇÃO, 2LARISSA APARECIDA ENGEL, 3MAISA STEFFANI ADAMCZUK, 4MARIANA DALMAGRO, 5JULIANA GAIOLLA CORDEIRO TOMITÃO, 6JAQUELINE HOSCHEID
1Acadêmica de Farmácia, PIC/UNIPAR, Universidade Paranaense, Campus Toledo
2Acadêmica de Farmácia, Bolsista PIBIC/UNIPAR, Universidade Paranaense, Campus Toledo
3Acadêmica de Farmácia, Bolsista PIBIC/UNIPAR, Universidade Paranaense, Campus Toledo
4Programa de Doutorado em Biotecnologia aplicada à Agricultura, Bolsista PDPG/CAPES, Universidade Paranaense
5Programa de Mestrado em Biotecnologia aplicada à Agricultura, Universidade Paranaense
6Docente, Universidade Paranaense, UNIPAR
Introdução: O surgimento e a evolução de diversas patologias resistentes a antibióticos, estimulam a busca por novas moléculas bioativas de origem natural (Lauritano et al., 2016). As microalgas dos gêneros Chlorella e Parachlorella, são algas verdes unicelulares de água doce e se destacam por sua alta taxa de crescimento, alta produtividade lipídica e baixa tendência à agregação, características que as tornam candidatas para aplicações industriais e farmacêuticas (Ciempiel et al., 2022). Entre elas, a Chlorella vulgaris merece destaque por ter sido uma das primeiras microalgas com um núcleo bem definido a ser descoberta, em 1890 (Al-Hammadi; Güngörmüşler, 2024). Em um estudo, os ácidos graxos livres extraídos de microalgas foram capazes de inibir o crescimento ou eliminar diferentes bactérias gram-positivas e gram-negativas (Khavari et al., 2021). Além disso, essas algas contêm substâncias capazes de neutralizar os efeitos dos radicais livres, subprodutos instáveis do metabolismo celular. Sua produção excessiva pode gerar estresse oxidativo, estimulado por fatores externos como radiação e inflamação. Compostos derivados de microalgas exercem seu efeito antioxidante ao estimular enzimas endógenas, reduzir espécies reativas de oxigênio (ERO) e modular vias celulares associadas à apoptose (Silva et al., 2024).
Objetivo: Realizar uma revisão de literatura sobre os efeitos antioxidantes e antimicrobianos de Chlorella e Parachlorella, visando suas aplicações farmacêuticas.
Desenvolvimento: As microalgas produzem compostos bioativos com propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, antimicrobianas, antivirais e antialérgicas, sendo amplamente utilizadas na biotecnologia médica e farmacêutica (Khavari et al., 2021). Entre os compostos, destacam-se os carotenoides, polissacarídeos, lipídios, vitaminas e peptídeos. Essas microalgas vêm sendo aplicadas na produção de vacinas, anticorpos, hormônios e proteínas recombinantes, como alternativas seguras e acessíveis (Abreu; Martins; Nunes, 2023). O acúmulo de ERO no organismo está relacionado à apoptose celular, ao envelhecimento precoce e ao surgimento de doenças crônicas. Compostos extraídos de algas demonstraram eficácia na regulação das ERO, proteção contra danos à matriz extracelular e modulação de vias de sinalização celular, com efeitos benéficos à saúde da pele (Silva et al., 2024). Os polissacarídeos de Chlorella sp. apresentam alta capacidade de eliminação de radicais DPPH e hidroxila, comparáveis ao ácido ascórbico (Song et al., 2018). Além disso, a presença de metabólitos ativos também confere à Chlorella sp. propriedades funcionais, tornando-a atrativa para aplicações farmacêuticas e alimentícias (Zakaria et al., 2017). No setor cosmético, a Chlorella sp. tem sido valorizada por sua ação antienvelhecimento, proteção contra radiação UV e propriedades hidratantes e regenerativas. Seus polissacarídeos ajudam a manter a barreira hídrica da pele, enquanto os carotenoides e peptídeos protegem contra agentes ambientais (Abreu; Martins; Nunes, 2023). Outro campo relevante é o tratamento de feridas crônicas, como úlceras e queimaduras. Extratos de microalgas, por serem hipoalergênicos e seguros para uso tópico, favorecem a regeneração tecidual, relevante diante do envelhecimento populacional e a necessidade de tratamentos eficazes e menos agressivos (Abreu; Martins; Nunes, 2023). Nesse contexto, ácidos graxos do óleo extraído da cultura de glicina de Parachlorella kessleri revelaram um aumento na porcentagem de ácidos graxos poli-insaturados, resultando em uma maior atividade antioxidante do que a cultura controle. O óleo extraído de P. kessleri foi utilizado como creme tópico para tratar feridas e queimaduras, mostrando resultados promissores (El-Sheekh et al., 2024). De modo semelhante, o estudo de Uejima et al. (2025) destacou o potencial de Parachlorella sp. como uma microalga versátil, pois apresentou atividade antioxidante, inibidora de enzima conversora de angiotensina e promotora de tirosinase. Esses resultados sugerem uma aplicabilidade nas indústrias alimentícias, cosméticas e farmacêuticas. Outros estudos demonstram que os PBCs (carotenoides derivados de Parachlorella beijerinckii) melhoram a inflamação similar à psoríase, apresentando eficácia contra distúrbios cutâneos semelhantes (Nakashima et al.,2025). Por fim, os efeitos antimicrobianos de Chlorella e Parachlorella vêm sendo comprovados por sua capacidade de inibir o crescimento de bactérias patogênicas, o que reforça seu potencial como fonte de novos agentes farmacológicos naturais (Khavari et al., 2021).
Conclusão: Com o avanço da biotecnologia e a crescente busca por terapias naturais, Chlorella e Parachlorella são fontes promissoras de moléculas funcionais para formulações tópicas, suplementos e nanossistemas de liberação de fármacos. A versatilidade dessas microalgas, desde a proteção contra raios UV até a regeneração de feridas, mostra-se uma alternativa segura, eficaz e sustentável diante das demandas atuais da saúde e da estética. Estudos futuros são necessários para aprofundar o conhecimento sobre essas microalgas, apontando potencial para aplicações terapêuticas.
Referências:
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