VIGILÂNCIA E CIRURGIA: O DUELO CONTRA O ANEURISMA DA AORTA  
1LUIZ ANTONIO FASSINI FONT, 2MARIA CLARA SOUZA NETTO COMIRAN, 3ISABELLA MENEGASSI PESTANA, 4GABRIEL SIMEONI, 5FLAVIO AUGUSTO PAULATTI FREDERICO
1Acadêmico do curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: O aneurisma da aorta é uma dilatação localizada e permanente de um segmento da aorta, definida como aumento de pelo menos 50% do seu diâmetro normal, resultado de alterações degenerativas da parede arterial. Essa condição é uma importante causa de morbimortalidade cardiovascular, especialmente em indivíduos acima de 65 anos, com maior prevalência em homens, tabagistas e portadores de hipertensão arterial sistêmica ou dislipidemia (Oliveira et al., 2020). A aorta abdominal, sobretudo no segmento infrarrenal, é acometida em cerca de 80% dos casos (Silva et al., 2022). Sua fisiopatologia envolve degradação das fibras elásticas e colágenas da parede arterial, associada a inflamação crônica, estresse oxidativo e desequilíbrio da matriz extracelular, o que enfraquece progressivamente o vaso. Embora possa ser assintomático e descoberto incidentalmente, o risco de ruptura evento de alta letalidade, com mortalidade hospitalar superior a 80% (Santos et al., 2020) aumenta conforme o diâmetro e a velocidade de crescimento. O diagnóstico precoce por rastreamento com ultrassonografia é essencial para definir entre vigilância periódica em aneurismas pequenos e estáveis ou intervenção cirúrgica, aberta ou endovascular, nos casos de diâmetro crítico, crescimento acelerado ou presença de sintomas (Ferreira et al., 2020).
Objetivo: Apresentar e comparar as estratégias de vigilância e as técnicas cirúrgicas no manejo do aneurisma da aorta, destacando critérios de indicação, benefícios, limitações e evidências atuais que orientam a escolha entre conduta expectante e intervenção cirúrgica.
Desenvolvimento: A conduta de vigilância, também chamada de “espera vigilante”, é indicada para aneurismas assintomáticos de pequeno diâmetro tipicamente menores que 5,0 cm em mulheres e 5,5 cm em homens, com acompanhamento periódico por ultrassonografia ou tomografia computadorizada (Silva et al., 2022). Além do monitoramento do tamanho, o manejo clínico envolve controle rigoroso da pressão arterial, cessação do tabagismo e orientação para mudanças no estilo de vida, visando reduzir a progressão da dilatação (Ferreira et al., 2020). O risco de ruptura aumenta significativamente quando o aneurisma cresce mais de 1 cm por ano ou quando há sintomas, situações que indicam tratamento cirúrgico (Costa et al., 2021). Estudos comparativos mostram que, em pacientes adequadamente selecionados, a sobrevida a médio prazo entre as técnicas aberta e endovascular é semelhante, sendo que o EVAR oferece vantagens no período perioperatório, mas exige maior vigilância a longo prazo (Silva et al., 2022). A escolha da abordagem deve considerar fatores anatômicos, clínicos, experiência da equipe cirúrgica e recursos disponíveis no centro de tratamento (Ferreira et al., 2020).
Conclusão: O aneurisma da aorta abdominal representa uma condição de alta relevância clínica e morbimortalidade, cuja abordagem exige diagnóstico precoce e conduta individualizada. A vigilância periódica é indicada para aneurismas pequenos e assintomáticos, enquanto a intervenção cirúrgica aberta ou endovascular é recomendada em casos de crescimento acelerado, sintomas ou diâmetro crítico. A escolha da técnica deve considerar fatores anatômicos, clínicos, comorbidades do paciente, experiência da equipe e recursos disponíveis. Evidências apontam que ambas as abordagens oferecem resultados semelhantes quanto à sobrevida, embora o EVAR possa apresentar vantagens no pós-operatório imediato. O manejo multidisciplinar, baseado em evidências, é essencial para reduzir a mortalidade e garantir um cuidado centrado no paciente.
Referências:
COSTA, R. L. et al. Manejo do aneurisma de aorta abdominal: atualização e perspectivas. Brazilian Journal of Development, v. 7, n. 4, p. 36219-36234, 2021. 
FERREIRA, M. C. et al. Aneurisma de aorta abdominal: diagnóstico, vigilância e tratamento. Revista Patologia do Tocantins, v. 7, n. 3, p. 54-62, 2020. 
OLIVEIRA, N. F. et al. Aneurismas da aorta abdominal: análise epidemiológica e estratégias de tratamento. Jornal Vascular Brasileiro, v. 19, e20200152, 2020. 
SANTOS, J. A. et al. Resultados cirúrgicos no tratamento de aneurismas da aorta: comparação entre técnicas abertas e endovasculares. Jornal Vascular Brasileiro, v. 19, p. e20200160, 2020.
SILVA, P. R. et al. Vigilância e indicação cirúrgica no aneurisma da aorta abdominal: revisão sistemática. Brazilian Journal of Development, v. 8, n. 2, p. 11452-11463, 2022.
SOUZA, T. A. et al. Estratégias de tratamento e acompanhamento de pacientes com aneurisma de aorta abdominal. Revista Patologia do Tocantins, v. 8, n. 1, p. 88-96, 2021.