USO DE SCAFFOLD DE PELE DE TILÁPIA (Oreochromis niloticus) NO REPARO DE ÚLCERAS CÓRNEAS NA MEDICINA VETERINÁRIA – REVISÃO DE LITERATURA  
1MARINA RENZI FISCHER, 2MAURO HENRIQUE BUENO DE CAMARGO
1Acadêmica do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Maringá, Campus Umuarama-PR.
2Docente do curso de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá, Campus Umuarama-PR.
Introdução: A utilização de pele de tilápia para a regeneração de tecidos, tem sido utilizada no reparo de queimaduras e lesões cutâneas em humanos (Lima-Junior et al., 2019), técnica que já começou a ser aplicada na medicina veterinária. Novos estudos, entretanto, comprovam que sua utilização dentro da veterinária não se limita apenas para o tratamento dessas lesões, mas também são eficazes na restauração de úlceras córneas, uma condição de extrema prevalência, principalmente na oftalmologia de cães (Damasceno, Joffily, 2023). Diante disso, apesar de estar no começo de seus estudos, é uma técnica que vem demonstrando significativa relevância, por proporcionar uma recuperação mais rápida quando comparada a outros métodos (Melo, 2023).
Objetivo: Revisar os estudos referentes ao uso de enxertos derivados de pele de tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus) para o tratamento e reconstrução de úlceras córneas dentro da medicina veterinária, destacando sua eficácia e utilização em cães, gatos, e animais silvestres.
Desenvolvimento: Histologicamente, a pele de tilápia é constituída por um epitélio estratificado pavimentoso, e extensas camadas de colágeno, o que confere a esse tecido características como biodegradabilidade e biocompatibilidade (Cen et al., 2008). Esses aspectos favorecem o preparo de scaffolds (substratos tridimensionais que permitem a diferenciação, proliferação e crescimento celular) biotecnológicos à base de matriz proteica acelular de pele de tilápia, uma excelente alternativa diante de úlceras corneais, que podem reduzir a qualidade de vida, restringir as atividades, e causar cegueira (De Paula, Trichês, 2018; Farghali et al., 2021). Nesse contexto, foi observado por Melo (2023, 2025), que a realização desse procedimento, em cães, gatos e até mesmo em um papagaio (Amazona aestiva), seguido de um flap de terceira pálpebra, gerou resultados positivos em todos os casos, reparando a córnea, - que se tornou transparente, amelanótica, lisa, avascular e brilhante - e mantendo a visão. Além disso, durante todo o período pós-cirurgia, os animais não apresentaram desconforto, sua pressão intra-ocular permaneceu normal, possuíam reflexo pupilar, e reestabeleceram a visão em uma velocidade maior quando comparado com outros procedimentos antes realizados (Melo, 2023). Apesar da possibilidade de ocorrer complicações neste tipo de procedimento, como edemas, opacificação da córnea, ou rejeição ao enxerto (Gelatt et al., 2021), estes resultados demonstraram que, diante de casos de úlcera córnea, nesses animais, o uso de scaffold de pele de tilápia torna-se uma escolha segura e eficaz. Esse sucesso pode indicar um possível uso, após mais estudos, em humanos (Melo, 2023 e 2025).
Conclusão: O uso de scaffold de pele de tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus) como enxerto no reparo de úlceras córneas em animais, principalmente cães e gatos, é um mecanismo eficaz e positivo, que poderá ser ampliado à outras espécies de animais e, possivelmente, a humanos.
Referências:
CEN, L. et al. Collagen Tissue Engineering: Development of Novel Biomaterials and Applications. Pediatr Res. China, n. 63, n.5. p.492–496, 2008. Disponível em: https://doi.org/10.1203/PDR.0b013e31816c5bc3. Acesso em 25 ago. 2025.
DAMASCENO, A. G.; JOFFILY, D. Enxerto de pedículo conjuntival para o tratamento de úlceras corneanas profundas e perfuradas em cães. Pubvet, v. 17, n. 03, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.31533/pubvet.v17n03a1364. Acesso em: 10 ago. 2025.
DE PAULA, C. G.; TRICHÊS, E. S. Preparação e caracterização de scaffolds de β-fosfato tricálcico pelo método de freeze casting. Cerâmica, v. 64, n. 372, p. 553-558, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0366-69132018643722415. Acesso em 25 ago 2025.
GELATT, K. N. et al. Veterinary Ophthalmology. 6. ed. Wiley-Blackwell, 2752p. 2021.
LIMA-JUNIOR, E.M. et al. Innovative treatment using tilapia skin as a xenograft for partial thickness burns after a gunpowder explosion. J. Surg. Case Reports, n. 6, p. 1-4, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1093/jscr/rjz181. Acesso em: 10 ago. 2025.
MELO, M. S. et al. Matriz dérmica acelular de pele de tilápia em reparo corneal de felino: relato de caso. Ver. Multidiscip. Saúde, v. 4, n. 3, p. 397–402, set. 2023. Disponível em: https://www.editoraintegrar.com.br/publish/index.php/rems/article/view/3974. Acesso em: 10 ago. 2025.
MELO, M. S. et al. Uso de scaffold de pele de tilápia (Oreochromis niloticus) no reparo de úlcera de córnea em Amazona aestiva: relato de caso. Pubvet, v. 19, n. 06, p. 1-7, 2025. Disponível em: https://ojs.pubvet.com.br/index.php/revista/erticle/view/4169. Acesso em: 10 ago. 2025.
MELO, M. S. et al. Uso de uma matriz dérmica acelular derivada da Pele da Tilápia (Oreochromis Niloticus) no tratamento de úlceras de reparo cirúrgico em córnea de cães. Dissertação (Mestrado em Medicina Translacional) - Faculdade de Medicina, UFC, Fortaleza, 2023. Disponível em: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/75702. Acesso em: 10 ago. 2025.