INTERAÇÃO ENTRE MICROBIOTA E SISTEMA IMUNOLÓGICO NA REGULAÇÃO DE DOENÇAS AUTOIMUNES  
1MARIA LUIZA BASSO ZANATA, 2ISABELLA PADILHA FERREIRA, 3ELOA LEME CARDOSO, 4FABIANA BORGES PADILHA FERREIRA
1Discente do curso de Medicina da Universidade Paranaense - UNIPAR
2Discente do curso de Medicina da Universidade Paranaense - UNIPAR
3Discente do curso de Medicina da Universidade Paranaense - UNIPAR
4Docente do curso de Medicina da Universidade Paranaense - UNIPAR
Introdução: A microbiota intestinal é constituída por um extenso ecossistema de microrganismos, como bactérias, vírus, fungos e parasitas, que subsistem juntos de forma simbiótica com o hospedeiro humano (GÓRALCZYK-BIŃKOWSKA; SZMAJDA-KRYGIER; KOZŁOWSKA, 2022).  Esses microrganismos habitam diferentes partes do corpo — como a pele, a cavidade oral, o trato respiratório superior e o canal auditivo — o intestino é o principal local de concentração e variedade microbiana. Pesquisas atuais indicam que as relações  entre a microbiota intestinal e o sistema imunológico são primordiais para a sustentação da homeostase imunológica. A composição e o equilíbrio desses microrganismos podem impactar diretamente o controle da imunidade inata e adaptativa (LEVY et al., 2017). Esse contexto está atrelado ao crescimento e à evolução de diversas doenças inflamatórias e autoimunes (KATAOKA, 2016). As doenças autoimunes correspondem a um grupo heterogêneo de enfermidades descritas pela deficiência da autotolerância imunológica, com ativação atípica das células B e T contra antígenos próprios. Esse processo ocasiona a inflamação crônica e dano tecidual progressivo (ALENCAR et al., 2025). As doenças autoimunes podem surgir em qualquer fase da vida, ainda que tenham predominância em mulheres. De modo abrangente, as doenças autoimunes constituem  uma das principais causas de morbidade e mortalidade, sendo afetadas por fatores genéticos, ambientais e pela interação entre ambos (FERNANDEZ; MANDELL, 2024).
Objetivo: Compreender o papel da microbiota intestinal na manutenção da homeostase imunológica e sua relação com a origem e progressão de doenças autoimunes.
Desenvolvimento: O estabelecimento da microbiota intestinal começa em um estágio inicial da vida, com influências notáveis originadas da membrana mucosa do canal vaginal durante o parto, da pele da mãe e do ambiente circundante (CABEDA et al., 2024). A microbiota intestinal exerce funções cruciais, como a produção de vitaminas e neurotransmissores, o fortalecimento da barreira intestinal contra agentes patogênicos e a competição com microrganismos prejudiciais. Contudo, desequilíbrios na composição da microbiota, conhecidos como disbiose, podem comprometer essas funções, levando à produção de toxinas e à ativação inadequada do sistema imunológico, o que pode favorecer o surgimento de doenças autoimunes (CHANG; LIN, 2016). As  doenças  autoimunes  são  síndromes  decorrentes  do  reconhecimento  patológico  de  antígenos  dos tecidos do organismo como estranhos, isto é não próprios, acarretando lesão tecidual e manifestações locais e sistêmicas (CABEDA et al., 2024). Embora os mecanismos exatos ainda não sejam totalmente compreendidos, acredita-se que a microbiota intestinal contribua para o fortalecimento do sistema imunológico ao estimular a produção de anticorpos, ativar macrófagos e promover a multiplicação de linfócitos (CARVALHO; SOARES; SOARES, 2012). A interação da microbiota com receptores como os TLRs e PRRs modula tanto a resposta imune inata quanto a adaptativa. Estudos mostram que metabólitos de bactérias comensais, como os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), estimulam a diferenciação de células T reguladoras no cólon, favorecendo a tolerância imunológica. Além disso, a microbiota influencia a produção de citocinas e a ativação de células dendríticas, impactando a polarização das respostas imunes Th1, Th2 e Th17. Nesse contexto, observa-se também o aumento da permeabilidade intestinal, o que permite a entrada de antígenos e substâncias bacterianas na lâmina própria. Isso pode gerar inflamação local e, ao atingirem a corrente sanguínea, desencadear respostas inflamatórias sistêmicas (MIYAUCHI, CHANG e LIN, 2016 apud CABEDA et al., 2024). O trato gastrointestinal, por ser a principal interface entre o organismo e o ambiente externo, tem papel essencial na regulação do sistema imunológico. Alterações na microbiota e o aumento da permeabilidade intestinal estão fortemente ligados a processos inflamatórios e à perda da homeostase imunológica, fatores frequentemente associados a doenças autoimunes (LOPEZ et al., 2023 apud CABEDA et al., 2024). 
Conclusão: De acordo com as observações registradas, conhecer a microbiota intestinal é fundamental, visto que possui um efeito significativo na regulação do sistema imunológico. A microbiota produz vitaminas e neurotransmissores, promovendo a ativação de macrófagos, o aumento de linfócitos e a modulação da resposta imune inata e adaptativa através da interação com receptores específicos. Sua disbiose pode alterar as barreiras protetoras, promover inflamações e influenciar o surgimento de doenças autoimunes, cujas características se manifestam através de lesões teciduais, alterações locais e sistêmicas. Tendo em vista que o trato gastrointestinal é a principal interface entre o ambiente externo e o organismo, sua integridade é crucial para o controle do sistema imunológico.
Referências:
ALENCAR, E. L. G. et al. Reações imunológicas nas doenças autoimunes: revisão integrativa de mecanismos fisiopatológicos. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 11, n. 5, p. 3514-3538, 2025.
FERNANDEZ, J.; MANDELL, B. F. Doenças autoimunes. Manual MSD – Versão para a família. Disponível em: . Acesso em: 30 julho 2025.
GÓRALCZYK-BIŃKOWSKA, A.; SZMAJDA-KRYGIER, D.; KOZŁOWSKA, E. O eixo Microbiota-intestino-cérebro em transtornos psiquiátricos. Revista Internacional de Ciências Moleculares , v. 23, n. 19, p. 11245, 2022.
KATAOKA, K. A microbiota intestinal e seu papel na saúde e na doença humana. The Journal of Medical Investigation , v. 63, n. 1.2, p. 27-37, 2016.
LEVY, M. et al. Disbiose e o sistema imunológico. Nature Reviews Immunology , v. 17, n. 4, p. 219-232, 2017.