GENE mecA EM AMOSTRAS AMBIENTAIS – REVISÃO DE LITERATURA
1RENATA OLIVOTTO AGOSTINIS MENDES, 2FRANCIELI GESLEINE CAPOTE BONATO, 3KARINA SAKUMOTO, 4SIMONE FRANCISCA DE PAULA, 5LIDIANE NUNES BARBOSA, 6DANIELA DIB GONÇALVES
1Pós-graduanda do PPGCA Bioativos, UNIPAR
2Pós-graduanda do PPGCA Bioativos, UNIPAR
3Pós-graduanda do PPGCA Bioativos, UNIPAR
4Pós-graduanda do Mestrado Profissional de Plantas Medicinais, UNIPAR
5Docente do PPGCA Bioativos e Mestrado Profissional de Plantas Medicinais, UNIPAR
6Docente do PPGCA Bioativos e Mestrado Profissional de Plantas Medicinais, UNIPAR
Introdução: O gene mecA confere resistência à meticilina em Staphylococcus aureus, sendo um marcador crucial de resistência a antibióticos β-lactâmicos; sua presença em amostras ambientais tem recebido atenção crescente, uma vez que ambientes contaminados podem atuar como reservatórios e veículos de transmissão de bactérias resistentes para humanos e animais (Shoaib et al., 2023). Superfícies hospitalares, água, solo, sistemas de esgoto e resíduos agroindustriais têm sido identificados como locais críticos de disseminação de Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) (Santos et al., 2023). A contaminação ambiental está frequentemente associada ao descarte inadequado de resíduos humanos e animais, além do uso indiscriminado de antibióticos em setores hospitalares e agroindustriais (Drudge et al., 2011).
Objetivo: Revisar as evidências científicas sobre a presença do gene mecA em amostras ambientais, discutindo sua relevância para a saúde pública, a ecologia microbiana e as estratégias de vigilância epidemiológica.
Desenvolvimento: O mecA encontra-se inserido em um elemento genético móvel denominado SCCmec, que facilita sua transferência entre diferentes espécies de estafilococos (Liu et al., 2016). Esse mecanismo de mobilidade genética explica a ampla disseminação do gene em ambientes diversos, principalmente em locais com intensa pressão seletiva pelo uso de antimicrobianos, como hospitais, criações animais e áreas urbanas (Santos et al., 2023). Estudos têm identificado o mecA em águas superficiais, subterrâneas e em sistemas de tratamento de esgoto; onde a descarga de efluentes hospitalares e industriais é um fator crítico na contaminação de ambientes aquáticos, pois mesmo após o tratamento, genes de resistência podem persistir, sendo transferidos horizontalmente entre microrganismos (Hong et al., 2018).  A detecção do gene mecA em ambientes diversos, como hospitais, sistemas de água e efluentes rurais, é geralmente realizada por PCR, método que permite alta sensibilidade e especificidade mesmo em amostras com baixa carga bacteriana (Idrees et al., 2023). Estudos em hospitais indicam que superfícies, equipamentos e ar podem apresentar presença do gene em 5 a 15% das amostras analisadas (Drudge et al., 2011). Em efluentes urbanos e rurais, o gene mecA foi detectado em 10 a 25% das amostras de água, sugerindo que resíduos humanos e animais contribuem significativamente para a disseminação ambiental de MRSA (Santos et al., 2023). Práticas agrícolas, como a aplicação de esterco animal e resíduos agroindustriais no solo, contribuem para a presença de mecA em microrganismos ambientais; pois os animais de produção frequentemente recebem antimicrobianos profiláticos ou terapêuticos, e suas excretas podem carregar estirpes resistentes, perpetuando contaminação do solo e influenciando a microbiota nativa (Zalewska et al., 2021).  Além de ambientes naturais, a presença de mecA já foi relatada em superfícies de uso público, como transporte coletivo, academias e escolas; a exposição frequente da população a esses ambientes reforça a importância de medidas de higienização e de monitoramento ambiental como estratégias de contenção da resistência bacteriana (Shoaib et al., 2023). Em ambientes agroindustriais, a presença de mecA em alimentos de origem animal, superfícies de processamento e utensílios indica que essas localidades desempenham papel crítico na manutenção e disseminação de bactérias resistentes (Idrees et al., 2023). Estudos genotípicos demonstraram que cepas ambientais compartilham elementos genéticos com cepas humanas e animais, sugerindo circulação complexa e transmissão bidirecional do gene (Santos et al., 2023). A abordagem One Health é essencial para reduzir a disseminação de MRSA em ambientes contaminados; algumas estratégias incluem monitoramento de efluentes, desinfecção de superfícies, educação de profissionais de saúde e políticas de uso racional de antimicrobianos (Shoaib et al., 2023).
Conclusão: O gene mecA em amostras ambientais confirma que o ambiente atua como reservatório e vetor de bactérias resistentes, com potencial de transmissão para humanos e animais. Estratégias de monitoramento contínuo, controle da contaminação ambiental, saneamento adequado, protocolos de higiene e educação sobre o uso racional de antibióticos são essenciais para reduzir a disseminação de MRSA. A integração da abordagem One Health fortalece a prevenção e o manejo de infecções resistentes, contribuindo para a saúde pública, animal e ambiental.
Referências:
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DRUDGE, C. N. et al. Detection of antibiotic resistance genes associated with methicillin-resistant Staphylococcus aureus (MRSA) and coagulase-negative staphylococci in hospital air filter dust by PCR. Aerobiologia, v. 28, n. 2, p. 285–289, 29 jul. 2011. https://doi.org/ 10.1007/s10453-011-9219-x
HONG, P.-Y. et al. Reusing Treated Wastewater: Consideration of the Safety Aspects Associated with Antibiotic-Resistant Bacteria and Antibiotic Resistance Genes. Water, v. 10, n. 3, p. 244, 27 fev. 2018. https://doi.org/10.3390/w10030244
‌IDREES, M. M. et al. Prevalence of mecA- and mecC-associated methicillin-resistant Staphylococcus aureus in clinical specimens, Punjab, Pakistan. Biomedicines, v. 11, n. 3, p. 878, 2023. https://doi.org/10.3390/biomedicines11030878
LIU, J. et al. Staphylococcal chromosomal cassettes mec (SCCmec): A mobile genetic element in methicillin-resistant Staphylococcus aureus. Microbial Pathogenesis, v. 101, p. 56–67, dez. 2016. https://doi.org/10.1016/j.micpath.2016.10.028
SANTOS, I. R. et al. The presence of antibiotics and multidrug-resistant Staphylococcus aureus reservoir in a low-order stream spring in central Brazil. Brazilian Journal of Microbiology, v. 54, p. 997–1007, 2023. https://doi.org/10.1007/s42770-023-00973-9
SHOAIB, M. et al. MRSA compendium of epidemiology, transmission, pathophysiology, treatment, and prevention within one health framework. Frontiers in Microbiology, v. 13, n. 1067284, 10 jan. 2023. https://doi.org/10.3389/fmicb.2022.1067284
ZALEWSKA, M. et al. Antibiotics and Antibiotic Resistance Genes in Animal Manure – Consequences of Its Application in Agriculture. Frontiers in Microbiology, v. 12, 29 mar. 2021. https://doi.org/10.3389/fmicb.2021.610656