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| ALTERAÇÕES HISTOFUNCIONAIS PANCREÁTICAS NO DIABETES MELLITUS TIPO 1 | |
| 1CARLOS EDUARDO MACHADO GONTIJO, 2ANA BEATRIZ MARREIRO OLIVEIRA, 3MARIA CLARA TIMÓTEO FRANÇA, 4ELENIZA DE VICTOR ADAMOWSKI | |
| 1Acadêmico do curso de Medicina da UNICESUMAR 2Acadêmico do curso de Medicina da UNICESUMAR 3Acadêmico do curso de Medicina da UNICESUMAR 4Docente Drª do curso de Medicina da UNICESUMAR |
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| Introdução: O Diabetes Mellitus do tipo 1 (DM1) é uma doença endócrino-metabólica de etiologia heterogênea e caracteriza-se pela destruição das células β pancreáticas, geralmente causada por um processo autoimune e de rápida progressão, resultando em hiperglicemia crônica proveniente da deficiência de secreção da insulina (Brasil, 2020). O pâncreas desempenha papel central na patogênese do DM1 apresentando alterações na arquitetura celular tanto na sua parte endócrina quanto na sua parte exócrina, incluindo reduções de volume, arteriosclerose, infiltração de células imunes, atrofia acinar, alterações de microvasculatura e concentrações reduzidas de enzimas pancreáticas (Foster et al., 2020; Canzano et al., 2018). Nesse sentido, estudar esse órgão em nível celular e molecular é fundamental para desvendar os efeitos da patologia do DM1. No entanto, é válido ressaltar que, como um órgão abdominal pequeno, flexível, com alto grau de variação entre os indivíduos e inacessível in situ em humanos, o pâncreas é particularmente difícil de se segmentar, sendo a maioria das pesquisas baseadas em amostras preservadas de cadáveres (Leete, 2023). Objetivo: Realizou-se uma revisão se embasando em artigos selecionados nas principais bases de dados da saúde (MedLine, Lilacs, BVS e UpToDate) cujos temas englobam aspectos histológicos, moleculares, imunológicos e patológicos do DM1 no pâncreas. Desenvolvimento: O pâncreas humano contém entre um e três milhões de ilhotas distribuídas imprevisivelmente por todo o tecido acinar e consistem principalmente de células endócrinas α (que secretam glucagon); β (que secretam insulina); δ (que secretam somatostatina); γ (que secretam polipeptídeo pancreático) e ε (que secretam grelina) (Leete, 2023; Walker et al., 2021). A arquitetura manto-núcleo em ilhotas humanas, na qual as células β estão localizadas preferivelmente dentro do núcleo e cercadas por um manto de células α, δ, γ e ε, fortalece a hipótese de que as células α se organizam para proteger as β do ambiente extra-ilhota (Rees, et al., 2025). As ilhotas também são bem perfundidas e sua microvasculatura organizada de forma semelhante a glomérulos de capilares fenestrados desempenha um papel fundamental na secreção hormonal e transferência de nutrientes e de fatores de sinalização parácrinos (Canzano et al., 2018). Posto isso, é possível compreender melhor as alterações geradas por doenças pancreáticas, com o foco deste trabalho na DM1, decorrente da extensa lesão e perda de células β funcionais e reais. Essa lesão ocorre devido a um infiltrado de células imunes nas ilhotas, relacionado a um processo autoimune chamado de insulite (Leete, 2023). Diversas células participam desse processo, como linfócitos T e B, macrófagos e células NKs, com modelos indicando infiltração contínua de células TCD8+ e BCD20+ ao longo da fase de destruição das células β, além de uma estável e ampla permanência de macrófagos e células TCD4+ (Richardson; Pugliesi, 2021; Leete, 2023). Complementarmente, elevados níveis de HLA de classe I evidenciados nas ilhotas se associam a infiltrados de células TCD8 autorreativas, sugerindo que as células β apresentem autoantígenos e reforçando a ideia de inflamação de ilhotas com células secretoras de insulina (Richardson; Pugliesi, 2021). Outro desajuste observado é a remodelação da arquitetura das células δ no DM1 humano, com o dobro de células α aderidas a elas, aumentando a exposição das células α à somatostatina e inibindo a secreção adequada de glucagon, resultando na resposta ineficiente desse hormônio à hipoglicemia (Tegehall, et al., 2025). Ademais, anormalidades na morfologia da microvasculatura das ilhotas também foram observadas em pacientes com DM1, com vasos apresentando diâmetros menores e densidade maior, sugerido uma intrínseca relação entre as células β e a manutenção da morfologia dos vasos das ilhotas pancreáticas (Canzano et al., 2018). Além das mudanças nas ilhotas, desajustes na estrutura exócrina do pâncreas também são relatadas no contexto da destruição das células β. Na ausência de altas concentrações locais de insulina, o crescimento dos ácinos pancreáticos e a produção de enzimas são reduzidos e, por sua vez, a hiperglicemia provocada por essa ausência diminui o suprimento sanguíneo pancreático por meio da arteriosclerose, levando à uma consequente isquemia acinar que, além de gerar estresse oxidativo, atenua a liberação de zimogênio por meio de uma série de danos aos estímulos neuronais adequados (Foster et al., 2020). Diante do exposto, a perda de massa de células β em conjunto com a perda dos efeitos insulinotrópicos nos ácinos são propostos como principais causas da redução do pâncreas em indivíduos com DM1, com volumes reduzidos de 18 a 52% (Foster et al., 2020; Atkinson et al., 2020). Conclusão: É notório os avanços na compreensão dos efeitos patológicos da Diabetes Mellitus, com fortes evidências de que essa doença não é restrita ao compartimento endócrino, mas afetando também o pâncreas exócrino e o órgão como um todo. Espera-se que novos estudos elucidem ainda mais esse tema e que contribuam para o desenvolvimento de melhores formas de tratamento e prevenção da DM1. |
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| Referências: ATKINSON, M. A.; et al. Organisation of the Human Pancreas in Health and in Diabetes. Diabetologia, v. 63, p. 1966-1973, 2020. Disponível em: doi.org/10.1007/s00125-020-05203-7. Acesso em: 13 jul. 2025. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Diabete Melito TIPO 1. Brasília: Ministério da Saúde, 2020. CANZANO, J. S.; et al. Islet Microvasculature Alterations with Loss of Beta-Cells in Patients with Type 1 Diabetes. Journal of Histochemistry & Cytochemistry, vol. 67, p. 41-52, 2018. Disponível em: doi.org/10.1369/0022155418778546. Acesso em: 14 jul. 2025. FOSTER, T. P.; et al. Exocrine Pancreas Dysfunction in Type 1 Diabetes. Endocrine Practice: official journal of the American College of Endocrinology and the American Association of Clinical Endocrinologists, v. 26, n. 12, p. 1505-1513, 2020. Disponível em: doi.org/10.4158/EP-2020-0295. Acesso em: 14 jul. 2025. LEETE, P. Type 1 Diabetes in the Pancreas: A Histological Perspective. Diabetic Medicine, vol. 40, n. 12, 2023. Disponível em: doi.org/10.1111/dme.15228. Acesso em: 13 jul. 2025. REES, N. V.; et al. Beyond the loss of beta cells: a quantitative analysis of islet architecture in adults with and without type 1 diabetes. Diabetologia, vol. 68, p. 1031-1043, 2025. Disponível em: doi.org/10.1007/s00125-025-06376-9. Acesso em: 14 jul. 2025. RICHARDSON, S. J.; PUGLIESE, A. 100 YEARS OF INSULIN: Pancreas Pathology in Type 1 Diabetes: an evolving story. The Journal of Endrocrinology, vol. 252, n. 2, p. 41-57, 2021. Disponível em: doi.org/10.1530/JOE-21-0358. Acesso em: 14 jul. 2025. TEGEHALL, A.; et al. Islet Delta-Cell Architecture is Remodelled in the Human Pancreas During Type 1 Diabetes. Scientific Reports, vol. 15, 2025. Disponível em: doi.org/10.1038/s41598-025-04471-w. Acesso em: 14 jul. 2025. WALKER, J. T.; et al. The Human Islet: Mini-Organ With Mega-Impact. Endocrine Reviews, vol. 42, n. 5, p. 605-657, 2021. Disponível em: doi.org/10.1210/endrev/bnab010. Acesso em: 13 jul. 2025. |
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