ALTERAÇÕES HISTOFUNCIONAIS NA CIRROSE HEPÁTICA  
1MARIA CLARA TIMÓTEO FRANÇA, 2ANA BEATRIZ MARREIRO OLIVEIRA, 3CARLOS EDUARDO MACHADO GONTIJO, 4ELENIZA DE VICTOR ADAMOWSKI
1Acadêmico do Curso de Medicina da UNICESUMAR
2Acadêmico do Curso de Medicina da UNICESUMAR
3Acadêmico do Curso de Medicina da UNICESUMAR
4Docente Dra do Curso de Medicina da UNICESUMAR
Introdução: A cirrose hepática é resultado da progressão da doença hepática crônica, que pode ser desenvolvida por diversos fatores, como o processo infeccioso prolongado pelo vírus da hepatite B e C, pelo desenvolvimento da doença hepática gordurosa não alcoólica ou pela doença hepática relacionada ao consumo excessivo de álcool (Franco, 2024; Reis et al., 2018). Essa condição crônica culmina em danos persistentes ao fígado, resultando em um estágio avançado de fibrose difusa. Nesse estado citado há necessidade de substituição do tecido hepático por cicatrizes, o que compromete sua funcionalidade (Pereira et al., 2025). É importante ressaltar que os métodos diagnósticos desta patologia são possíveis devido às consequências da cicatrização, assim como à rigidez, podendo ser de viés não invasivo ou pela abordagem invasiva (Amorim, 2024; Reis et al., 2018).
Objetivos: Realizou-se uma revisão de literatura que selecionou sete trabalhos para análise, avaliando as alterações estruturais e celulares na cirrose hepática, bem como seu impacto na funcionalidade desse órgão.
Desenvolvimento: O fígado é um importante órgão para a homeostasia do organismo, visto que executa diferentes tarefas, fazendo-o ser reconhecido como multifuncional (Amorim, 2024). À vista de sua relevância na fisiologia humana, as doenças que acometem tal órgão, como a cirrose hepática, oferecem grandes prejuízos à qualidade de vida do paciente. No que concerne a esse cenário, pode-se classificar a cirrose hepática como compensada ou descompensada. A categoria compensada é caracterizada pela ausência de sintomas, enquanto a descompensada apresenta complicações clínicas, a citar: encefalopatia hepática, ascite ou hemorragia varicosa (Ramírez; Correa; Rodriguez, 2025; Reis et al., 2018). É importante ressaltar que a probabilidade de um paciente que apresenta a tipologia compensada evoluir para descompensada é de até 7%. De acordo com esses autores, o mecanismo patológico da cirrose pode ser observado pelas modificações histológicas do fígado, principalmente pela destruição sucessiva das células hepáticas, pela dinâmica inflamatória e pela substituição do parênquima por um processo de cicatrização, com a presença de tecidos fibróticos e nódulos regenerativos. Segundo Silva et al. (2024), as células de Ito, Kupffer e endoteliais reagem a essa lesão crônica. Nesse sentido, as células de Ito adquirem capacidade de miofibroblasto e secretam componentes da matriz extracelular rica em colágeno tipo I e III, provocando a perda dos espaços entre as células endoteliais. As células de Kupffer auxiliam na ativação da atividade das células de Ito para produção de colágeno, diminuem sua capacidade fagocítica e se diferenciam em fibroblasto. Por fim, as células endoteliais ativam as células de Ito e liberam citocinas pró-inflamatórias. Convém salientar que, comumente, o diagnóstico desta doença ocorre na fase descompensada, o que demonstra perspectivas negativas em relação ao bem-estar do paciente, uma vez que o diagnóstico ideal é aquele realizado precocemente (Ramírez; Correa; Rodriguez, 2025). Para a detecção desta patologia, podem-se utilizar as técnicas não invasivas que incluem as avaliações pela elastografia hepática transitória (observação da velocidade de propagação das ondas no tecido) e as análises das sintomatologias conciliadas com os resultados dos exames laboratoriais e de imagem (Reis et al., 2018). Outro método de constatação, citado por este autor, é a técnica invasiva em que é realizada a biópsia. No entanto, tal método é aplicado apenas quando não é possível o diagnóstico pela abordagem não invasiva ou quando os exames anteriores possuem discordância. Considerando essa conjuntura, a cirrose hepática é considerada um problema de saúde pública, visto que tal comorbidade é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em âmbito global (Fratoni et al., 2024; Pereira et al., 2025; Reis et al., 2018). Ademais, esses dados são fortes indicativos para o sistema de saúde em relação à adequação das ações preventivas dessa patologia, já que suas formas etiológicas são passíveis de serem evitadas.
Conclusão: Portanto, o presente estudo reafirma os achados na literatura em que há relação direta das modificações estruturais e celulares na cirrose hepática, culminando na perda da função do fígado e manifestações clínicas. Dessa maneira, é imprescindível que haja melhorias na detecção e diagnóstico precoce para evitar piores prognósticos para o paciente e altos custos para tratamento, haja vista que pode evoluir para fase descompensada.
Referências:
AMORIM, Y. P. M. Correlação entre o diagnóstico clínico pré-operatório da cirrose e a análise anatomo-patológica pós-operatória do fígado explantado. 2024. 35 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Medicina) - Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Salvador, 2024.
FRANCO, L. M. N. Perfil epidemiológico de pacientes com doença hepática crônica e lesão hepática aguda: estudo transversal. 2024. 37 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Medicina) – Comissão de Residência Médica, Hospital do Servidor Público Municipal, São Paulo, 2024.
FRATONI, D. K. F. et al. IMPACTO DA CIRROSE HEPÁTICA NA FUNÇÃO PULMONAR, CAPACIDADE FÍSICA E FORÇA MUSCULAR: estudo transversal. Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia, v.11, n.21, p.1-11, 2024. Disponível em: https://revista.redeunida.org.br/index.php/cadernoseducacao-saude-fisioter/article/view/4515. Acesso em: 01 jul. 2025.
PEREIRA, H. F. et al. ANÁLISE DEMOGRÁFICA E EPIDEMIOLÓGICA DE ÓBITO POR CIRROSE HEPÁTICA: delineamento temporal. Revista Ft,, v.29, n.143, p.27-28, 2025. Disponível em: https://revistaft.com.br/analise-demografica-e-epidemiologica-de-obito-por-cirrose-hepaticadelineamento-temporal/. Acesso em: 28 jun. 2025.
RAMÍREZ, D. M. P.; CORREA, C. O. L.; RODRIGUEZ, L. J. V. Caracterización de la cirrosis hepática en pacientes internados en un hospital universitario de Colombia. Revista Colombiana de Gastroenterología, v.40, n.1, p.39-45, 2025. Disponível em: https://revistagastrocol.com/index.php/rcg/article/view/1191. Acesso em: 01 jul. 2025.
REIS, J. et al. Abordagem clínica da cirrose hepática: protocolos de atuação. Serviço de Gastrenterologia do Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca, 2018.
SILVA, I. M. et al. Cirrose hepática: uma revisão de literatura sobre a fisiopatologia da doença e aspectos clínico-diagnósticos. Ceará: Pasteur, 2024. Cap.7. p.88-112. Disponível em: https://editorapasteur.com.br/publicacoes/capitulo/?codigo=4581. Acesso em: 01 jul. 2025.