DO USO TRADICIONAL À PRÁTICA CLÍNICA: PERSPECTIVAS DO BARBATIMÃO COMO FITOTERÁPICO GINECOLÓGICO PARA CANDIDÍASE VAGINAL  
1VICTOR SOUZA DACROCE, 2GIULIANA ZARDETO
1Acadêmico do PIC/UNIPAR
2Docente da UNIPAR
Introdução: A Stryphnodendron adstringens é uma espécie nativa do cerrado, conhecida popularmente como barbatimão e na medicina popular é  bastante utilizado por possuir atividades farmacológicas como: antifúngica, antimicrobiana, antiúlcera, angiogênica, antioxidante, antisséptica (AMORIM, 2021). Segundo Araújo (2022), um estudo avaliou a atividade antimicrobiana e a citotoxicidade do extrato vegetal dessa espécie em cepas de Candida albicans por meio do teste de microdiluição em caldo, demonstrando resultados favoráveis quanto à ação antimicrobiana tanto em cepas padrão quanto em isolados clínicos.
Objetivo: O objetivo desta revisão bibliográfica é analisar as evidências científicas sobre o uso do barbatimão como fitoterápico, enfocando sua atividade antifúngica contra Candida spp. e avaliando seu potencial para inclusão em protocolos ginecológicos.
Desenvolvimento: As plantas medicinais vêm sendo cada vez mais utilizadas nas sociedades industrializadas, não somente pelo seu poder curativo, mas também por serem economicamente mais acessíveis, nesse contexto, o S. adstringens, tem ganhado destaque pelo seu potencial terapêutico (OLIVEIRA, 2009). Segundo Amorim (2021), as propriedades medicinais do S. adstringens estão principalmente associadas aos taninos, produtos naturais de composição polifenólica, que são produzidos pelo metabolismo secundário da planta em reação ao ataque de insetos e microrganismos. Logo, essa espécie apresenta grande potencial econômico, principalmente na área farmacêutica em decorrência da grande quantidade de taninos produzidos em suas cascas, até 40%, e nas folhas, cerca de 30%. De acordo com Araújo (2022), infusões da casca do caule de barbatimão já são usadas como agente anti-inflamatório, antisséptico, bem como no tratamento de leucorréia, diarréia e cicatrização de feridas. De acordo com o estudo de Reis et al. (2024), os extratos hidroetanólicos brutos da casca, folhas e caule do S. adstringens apresentaram eficácia antifúngica significativa, especialmente contra C. albicans em que o extrato do caule demonstrou maior atividade, formando halo de inibição de 7,62 mm frente a C. albicans, associado à presença de taninos e flavonoides com propriedades antimicrobianas. Além disso, todos os extratos evidenciaram elevada capacidade antioxidante (superior a 92% nos extratos de folhas e caule) e baixa citotoxicidade (CC50 > 300 µg/mL), indicando segurança potencial para uso terapêutico. 
Conclusão: Portanto, conclui-se que o barbatimão desponta como uma alternativa fitoterápica promissora para o manejo da candidíase vaginal, unindo tradição popular e respaldo científico. Sua eficácia antifúngica já demonstrada, aliada ao perfil de segurança observado, fortalece sua aplicabilidade no contexto ginecológico. Dessa forma, o uso dessa espécie pode representar um recurso acessível e eficaz para ampliar as opções terapêuticas em saúde da mulher, aproximando o saber tradicional da prática clínica.
Referências:
AMORIM, S. B. S. A.; PAIXÃO, J. A. Propriedades medicinais do Stryphnodendron adstringens: uma revisão narrativa. Revista Artigos.com, v. 32, 2021. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/artigos/article/view/9251?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 27 ago. 2025. 
ARAÚJO, Ana Carolina Faria de. Atividade antifúngica de extratos de barbatimão (Stryphnodendron adstringens) contra cepas de Candida spp. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciências Farmacêuticas) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2022. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/45120. Acesso em: 27 ago. 2025.
REIS, Túlio Custódio; PAIVA, Luiz Francisley de; SANTOS, Valter Henrique Marinho dos; GONÇALVES, Carolina Passarelli; COSTA, F. E. C.; PEREIRA, R. M. Biological activity in hydroethanolic extracts from bark, stem, and leaves of the Stryphnodendron adstringens (Mart.) Coville. Brazilian Journal of Biology, v. 84, e286845, 2024. Disponível em: https://www.scielo.br/j/bjb/a/jk4hMGZnWj4Z5HSw6945KNj/?format=pdf&lang=en. Acesso em: 27 ago. 2025. 
OLIVEIRA, Maria da Glória. Plantas medicinais: usos populares e potencial terapêutico. [S. l.]: Centro Universitário de Anápolis – UniEVANGÉLICA, 2009. Disponível em: https://www.unievangelica.edu.br/files/images/curso/mestrado.mstma/2009/maria%20da%20gl%C3%B3ria%20-%20plantas%20medicinais.pdf. Acesso em: 27 ago. 2025.