APLICAÇÕES DA ULTRASSONOGRAFIA NO MONITORAMENTO GESTACIONAL DE CADELAS  
1ISABELLA ZANATA LIZARDO, 2KEMILLY DAYENE BERGAMO, 3ANA BEATRIZ DA SILVA MARQUES, 4NATALIE BERTELIS MERLINI, 5MYRIAN MEGUMY TSUNOKAWA HIDALGO
1Discente em Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP
2Discente em Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP
3Docente de Clínica Médica de Pequenos Animais na Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP
4Docente de Semiologia e Clínica Médica de Pequenos Animais na Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP
5Docente de Obstetrícia Animal na Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP
Introdução: A ultrassonografia é um método essencial na obstetrícia de animais de companhia, principalmente no acompanhamento gestacional. Ao longo dos anos, tem-se observado um avanço significativo nas tecnologias de imagem e nos critérios de avaliação aplicados  ao estudo da gestação em pequenos animais. Esse recurso permite o diagnóstico precoce, monitoramento  preciso da cadela gestante, avaliação da viabilidade fetal e detecção de anormalidades materno-fetal (Feliciano; Assis, 2019; Jarreta, 2021). Entre os principais fatores que impulsionaram a evolução da ultrassonografia gestacional  destacam-se o aprimoramento dos transdutores de frequências mais altas  (3,5 – 10MHz), que possibilitam maior resolução e detalhamento das estruturas avaliadas (Correia et al., 2012; Feliciano; Assis, 2019).
Objetivo: O objetivo desta revisão é evidenciar a importância da ultrassonografia no diagnóstico e acompanhamento gestacional de cadelas, abordando os achados do modo B e do doppler em diferentes fases do desenvolvimento embrionário e fetal. 
Desenvolvimento: O exame ultrassonográfico é atualmente o método mais preciso para a avaliação da gestação em cadelas, sendo indolor, não invasivo e apresentando acurácia entre 94 a 98%. O primeiro sinal especifico é a visualização das vesículas gestacionais, que se apresentam como estruturas anecoicas, circundadas por uma parede fina e hiperecogênica. A literatura apresenta variações quanto ao período de sua detecção, sendo possível identificá-las entre 15-20 dias após o pico de LH (Jarreta, 2021; Valocky et al.; 1997). Entretanto, Feliciano; Assis (2019) descreve a possibilidade de detecção ainda mais precoce, em menos de 10 dias. O embrião pode ser observado entre 23o ao 25o dia pós pico de LH, caracterizando-se como uma estrutura hiperecogênica homogênea, separada da parede uterina e projetada no interior da vesícula gestacional (Feliciano; Assis, 2019; Valocky et al.; 1997). Os batimentos cardíacos fetais tornam-se visíveis entre 28 a 30 dias,  enquanto os movimentos fetais que podem ser observados a partir de 33-35 dias de gestação, ambos são considerados marcadores de viabilidade fetal (Jarreta, 2004; Nyland e Matton, 2002). De modo geral, a frequência cardíaca do feto (FCF) corresponde a duas a três vezes a frequência materna, variando entre 220 a 240 bpm (Nyland e Matton, 2002). Valores abaixo de 180 bpm, quando mantidos  por mais de três minutos,  indicam sofrimento fetal. No entanto estudos relatam que, por volta do 40odia, aproximadamente 72 horas antes do parto, podem ocorrer oscilações fisiológicas, entre 140-160 bpm, sem associação direta com sofrimento fetal (Feliciano; Assis, 2019). Para a estimativa da idade gestacional, recomenda-se a biometria fetal antes de 35 dias (19-35 dias), por meio da mensuração do diâmetro do saco gestacional em dois planos, utilizando-se a média dos valores para aplicação em fórmula pré-estabelecidas (cavidade coriônica interna – ICC). Também é  possível empregar a relação comprimento cabeça-cauda (Lopate, 2018; Nyland e Matton, 2002). Em gestações acima de 35 dias, utilizam-se parâmetros como o diâmetro biparietal (BPD) ou a mensuração da vesícula fetal diencéfalo-telencéfalo (DPTV),  que variam conforme o porte do animal (pequeno, médio e grande) (Nyland e Matton, 2002; Yeager et al.; 1992). A sexagem fetal pode ser realizado a partir dos 55 dias de gestação, sendo necessário que o feto esteja posicionado em decúbito ventral em relação ao transdutor. A genitália feminina é mais fácil de ser identificada, aparecendo como uma estrutura piriforme com duas linhas hiperecogênicas que se unem anteriormente e uma linha hiperecogênica central em região perineal. Já o prepúcio pode ser identificado em posição adjacente à bexiga (Froes e Gil, 2019). Por fim, a aplicação do Doppler em cadelas gestantes possibilita a avaliação da circulação materno-fetal, sendo útil para o diagnóstico de alterações fetais, acompanhamento do crescimento fetal e análise do fluxo sanguíneo uteroplacentário (Nautrup, 1998, Miranda; Domingues 2010). 
Conclusão: A ultrassonografia gestacional  é uma ferramenta diagnóstica importante, que permite avaliar a viabilidade e desenvolvimento fetal, além de uma previsão aproximada da data do parto. 
Referências:
FROES, T. R.; GIL, E. M. U. Avanços da ultrassonografia gestacional em cadelas. Revista Brasileira de Reprodução Animal, v. 43, n.2, p. 248-260, abr./jun. 2019.
JARRETA, G. B. Ultra-sonografia do aparelho reprodutor feminino. In: CARVALHO, C. F. (org.). Ultra-sonografia em pequenos animais. São Paulo: Roca, 2021. p. 228-282.
JARRETA, G. B. Ultra-sonografia do aparelho reprodutor feminino. In: CARVALHO, C. F. (org.). Ultra-sonografia em pequenos animais. São Paulo: Roca, 2004. p. 181-206.
MIRANDA, S. A.; DOMINGUES, S. F. S. Conceptus ecobiometry and triplex Doppler ultrasonography of uterine and umbilical arteries for assessment of fetal viability in dog. Theriogenology, v. 74, p. 608-617, 2010. 
NAUTRUP, C. P. Doppler ultrasonography of canine maternal and fetal arteries during normal gestation. Journal of Reproduction Fertility, v.112, p.301-314, 1998. 
NYLAND, T. G.; MATTOON, J. S. Ovaries and uterus. In: Small animal diagnostic ultrasound. 2nd ed. Philadelphia: Saunders Company, 2002. P. 231-249. 
FELICIANO, M. A. R.; ASSIS, A. R. Sistema reprodutor feminino. In: FELICIANO, M. A. R.; ASSIS, A. R.; VICENTE, W. R. R. Ultrassonografia em cães e gatos. São Paulo: Medvet, 2019. p. 102-132.
VALOCKY, I. et al. Applications of ultrasonographic biometry in the pregnant bitch: estimation of fetal development. Folia Veterinaria, v. 41, p. 117-122, 1997.
YEAGER, A. E. et al. Ultrasonographic appearance of the uterus, placenta, fetus, and fetal membranes throughout accurately timed pregnancy in beagles. American Journal of Veterinary Research, v.53, p. 342-351, 1992.