PAPEL DO ENFERMEIRO NO ACOMPANHAMENTO DA GESTANTE DE ALTO RISCO
1REGEANE RIBEIRO DA SILVA CARLETTI, 2ROSANA BARBOSA, 3AMABILE EDUARDA ALVES, 4ALINE DAKA VIEIRA, 5NILCEIA DE OLIVEIRA LIMA, 6CAROLINE DO NASCIMENTO LEITE
1Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Enfermagem da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
5Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
6Docente da UNIPAR
Introdução: A gestação de alto risco refere-se a condições que aumentam a probabilidade de complicações no período gravídico-puerperal, com implicações para a saúde tanto da mãe quanto do feto. Essas condições decorrem de doenças preexistentes, complicações obstétricas ou fatores socioeconômicos desfavoráveis (Brasil, 2010). A gestão eficaz de gestantes de alto risco exige uma abordagem coordenada e integrada, envolvendo uma equipe multidisciplinar que busca minimizar os riscos e melhorar os resultados perinatais (Fonseca et al., 2022). O enfermeiro desempenha um papel relevante nesse cenário, com responsabilidades que abrangem desde o acompanhamento pré-natal até a coordenação do cuidado em diversas etapas da gestação (Michalczyszyn et al., 2023).
Objetivo:  Identificar na literatura o papel do enfermeiro frente ao acompanhamento da gestação de alto risco.
Desenvolvimento: Trata-de se uma revisão integrativa da literatura conduzida a partir de busca nas bases de dados LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), SciELO (Scientific Electronic Library Online), BDENF (Base de Dados em Enfermagem) e PubMed (US National Library of Medicine), sendo utilizados descritores controlados dos vocabulários DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) e MeSH (Medical Subject Headings), combinados com operadores booleanos AND e OR. A estratégia de busca incluiu os seguintes termos: “Gestantes de alto risco” OR “High-Risk Pregnancy” AND “Enfermagem” OR “Nursing” AND “Atenção pré-natal” OR “Prenatal Care” OR “Prenatal Nursing Care”. Incluídos artigos publicados entre 2019 e 2024, disponíveis em português, inglês ou espanhol, em texto completo, que abordassem o papel do enfermeiro no acompanhamento de gestantes de alto risco. Excluídos artigos duplicados, editoriais, cartas ao editor, resumos simples de eventos, teses e dissertações, além de estudos fora da temática central proposta. Inicialmente foram identificados 95 artigos. Após leitura de títulos e resumos, 32 artigos atenderam aos critérios de elegibilidade. Em seguida, foi realizada a leitura completa e a aplicação dos critérios de inclusão, resultando em 12 artigos selecionados. Em nova seleção mais criteriosa com base no objetivo, três estudos foram elencados para compor a amostra final da revisão. O Ministério da Saúde (2010) define a gestação de alto risco como aquela em que a mãe e/ou o feto apresentam fatores que aumentam as chances de complicações durante a gestação, parto ou puerpério. Entre as complicações que podem envolver a saúde materna estão hipertensão, diabetes gestacional, infecções, entre outras condições. Já no feto, as complicações podem incluir o crescimento intrauterino restrito, anomalias congênitas ou a prematuridade, que elevam os riscos para a saúde neonatal. A definição brasileira inclui gestantes com idade materna extrema (menores de 15 anos ou maiores de 35 anos), gestantes com doenças crônicas (como hipertensão arterial, diabetes mellitus, doenças renais, entre outras) e aquelas que já apresentaram complicações obstétricas nas gestações anteriores, como eclâmpsia ou hemorragias graves (Brasil, 2010). No entanto, é importante destacar que a gestação de alto risco pode ser desencadeada por fatores externos, como a falta de acesso a serviços de saúde, condições socioeconômicas desfavoráveis, violência doméstica, abuso de substâncias como álcool e drogas, e condições ambientais precárias como habitação e alimentação, além da presença de fatores de risco psicossociais (OPAS, 2019; Brasil, 2010). Deste modo, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) aponta que o acompanhamento de gestantes de alto risco deve ser feito dentro de uma abordagem integrada e multidisciplinar, com a participação de diversos profissionais da saúde, a fim de promover o cuidado contínuo e a redução de complicações (OPAS, 2019). De acordo com o estudo de Sanine et al. (2021) o acompanhamento de gestantes de alto risco é fundamental para a redução das taxas de morbidade e mortalidade materna e neonatal, uma vez que permite a implementação de intervenções oportunas e adequadas. Os enfermeiros são muitas vezes os primeiros a identificar sinais de alerta, realizar o monitoramento contínuo das condições de saúde da gestante e fornecer orientações preventivas e exerce um papel educativo importante, ajudando as gestantes a entenderem os riscos envolvidos e a importância do autocuidado durante a gestação (Fonseca et al., 2022). Entre suas funções, destaca-se a realização de consultas de pré-natal, monitoramento das condições clínicas da gestante, identificação precoce de sinais de complicações e a promoção de práticas preventivas. Além disso, o enfermeiro tem um papel importante na orientação educativa, fornecendo informações sobre cuidados durante a gestação, a detecção de sinais de alerta e o planejamento do parto (Michalczyszyn et al., 2023).  Nesse sentido, entende-se que o papel do enfermeiro, atuando de maneira coordenada com a equipe multiprofissional, mostra-se fundamental para garantir que o acompanhamento dessas gestantes seja efetivo, com vistas à redução dos riscos maternos e neonatais e à promoção da saúde materno-infantil (Fonseca et al., 2022).
Conclusão: A gestação de alto risco constitui um importante desafio para a saúde materno-infantil, exigindo acompanhamento contínuo, seguro e humanizado. A revisão integrativa evidenciou que o enfermeiro desempenha papel central nesse processo, atuando desde a identificação precoce de fatores de risco até a implementação de estratégias de monitoramento, educação em saúde e coordenação do cuidado multiprofissional.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual técnico: gestação de alto risco. 5. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2010. 304 p. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/gestacao_alto_risco.pdf. Acesso em: 24 ago. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual técnico: pré-natal e puerpério: atenção qualificada e humanizada. 3. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2005. 162 p. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_pre_natal_puerperio_3ed.pdf. Acesso em: 24 ago. 2025.
FONSECA, B. S. et al. Atenção à gestação de alto risco: estratégias de segurança do paciente. Revista Baiana de Enfermagem, Salvador, v. 36, n. 1, p. 1–11, 2022. DOI: 10.18471/rbe.v36.44801. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/enfermagem/article/view/44801. Acesso em: 24 ago. 2025.
MICHALCZYSZYN, K. C. et al. Coordenação e longitudinalidade: o cuidado na gestação de alto risco sob a perspectiva do enfermeiro. Revista de Enfermagem da UFSM, Santa Maria, v. 13, e22, p. 1-14, 2023. DOI: 10.5902/2179769273997. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/reufsm/article/view/73997. Acesso em: 24 ago. 2025.
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE (OPAS). Saúde materna. [S. l.], 2019. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/saude-materna. Acesso em: 12 nov. 2024.
SANINE, P. R. et al. Desvelando o cuidado às gestantes de alto risco em serviços de atenção primária do município de São Paulo, Brasil: a ótica dos profissionais. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 37, n. 11, e00286120, 2021. DOI: 10.1590/0102-311X00286120. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/6PRxLDyZmqC9SDjc4FywDKG/?lang=pt. Acesso em: 24 ago. 2025.