O ACOLHIMENTO DO ENFERMEIRO NA CONSULTA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE DIAGNOSTICADO COM HIV/AIDS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE  
1JACQUELINE SEREIA IOMBRILLER, 2TATYANE LOPES DE MORAES, 3TAYANE NEPOMUCENO DOS SANTOS
1Acadêmica de Enfermagem da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Docente da UNIPAR
Introdução: O vírus da imunodeficiência humana/síndrome da imunodeficiência adquirida (HIV/Aids), identificado oficialmente nos anos 1980, permanece como um desafio global mesmo após mais de quatro décadas (Parker, 2022). Nos estágios iniciais, a enfermidade foi associada a grupos socialmente marginalizados, o que contribuiu para a construção de estigmas e preconceitos que perduram até os dias atuais (Nascimento, 2022). Essa associação impacta diretamente a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV/Aids, influenciando negativamente sua adesão ao tratamento e seu bem-estar psicológico (Garcia et al., 2018). A atenção primária à saúde (APS) constitui a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo responsável pela prevenção, diagnóstico e acompanhamento de diversas condições, incluindo o HIV/Aids (Brasil, 2017). Nesse contexto, o enfermeiro, como profissional atuante na linha de frente, desempenha papel fundamental na realização da consulta de enfermagem e no acompanhamento longitudinal dos pacientes (Coutinho; OʼDwyer; Frossard, 2018).
Objetivo: O objetivo geral deste trabalho é analisar a importância do acolhimento realizado pelo enfermeiro durante a consulta de enfermagem ao paciente diagnosticado com HIV/Aids.
Desenvolvimento: O presente estudo trata-se de uma pesquisa de revisão bibliográfica, narrativa. A coleta de dados foi realizada por meio de consultas em bases eletrônicas, como a Scientific Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Google Acadêmico. Na busca pela BVS e SCIELO. Foram utilizados os seguintes descritores: “HIV”, “Acolhimento”, “Consulta de enfermagem” e “Atenção Primária à Saúde”. O vírus da imunodeficiência humana (HIV) é resultado de um processo de transmissão zoonótica, originado do vírus da imunodeficiência símia (SIV), presente em primatas africanos (Nascimento, 2022; Teixeira et al., 2021). A epidemia foi reconhecida mundialmente apenas na década de 1980, quando os primeiros casos de uma pneumonia rara causada por Pneumocystis carinii foram diagnosticados em cinco homens jovens, homossexuais, em Los Angeles, nos Estados Unidos (Teixeira et al., 2021). Naquele momento, a nova síndrome foi associada de forma equivocada à população gay, o que gerou estigma, preconceito e marginalização desses indivíduos. Essa percepção permanece inalterada, e, no contexto social, o HIV/AIDS ainda é amplamente identificado como uma enfermidade associada a grupos em desvantagem social (Parker, 2022; Nascimento, 2022). O diagnóstico de HIV ainda representa, para muitos pacientes, uma experiência emocionalmente desestruturante, marcada pelo sentimento de medo que gera isolamento social, depressão, baixa auto-estima, vergonha, não adesão ao tratamento, comprometimento do vínculo terapêutico entre o profissional de saúde e o paciente e abandono do tratamento (Menezes; Silva; Oliveira, 2022). O sentimento de medo, entre outras causas, está relacionado à morte. Os pacientes também apresentam medo quando a exposição do diagnóstico no âmbito social, familiar e aos profissionais de saúde. O receio de relatar sobre a situação clínica se justifica pelo temor do preconceito (Silva; Oliveira; Santos, 2020). A Atenção Primária à Saúde (APS) é a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), isso devido ser o local onde é realizado os encaminhamentos dos usuários às especialidades médicas conforme cada caso (Brasil, 2017). Dentre os profissionais que fazem parte da equipe de atendimento aos pacientes, cita-se o enfermeiro, sendo concedido a este, entre outras atribuições, a consulta de enfermagem. Respeitando a diretriz da longitudinalidade e do cuidado centralizado ao paciente, o enfermeiro realiza o acompanhamento de cada caso, por consultas na própria unidade de saúde ou por meio de visitas domiciliares, com o propósito único de promover e restabelecer a saúde do usuário (Brasil, 2017). Esse processo deve ser fundamentado nos princípios da humanização, promovendo a escuta qualificada e o acolhimento, elementos essenciais para estabelecer um vínculo de confiança entre profissional e usuário (BRASIL, 2004). Como visto, o paciente com HIV/AIDS enfrenta diversos desafios socioemocionais relacionados à sua condição, como insegurança quanto ao futuro, medo da morte e preconceito social, fatores que podem comprometer significativamente a adesão ao tratamento (Menezes et al., 2022; Vieira et al., 2022). As práticas de acolhimento contribuem para amenizar essas fragilidades emocionais e favorecer a adesão ao tratamento (Silva et al., 2020).
Conclusão: A partir da revisão da literatura, foi possível constatar que o acolhimento realizado pelo enfermeiro representa uma estratégia fundamental para enfrentar os desafios emocionais, sociais e terapêuticos vivenciados pelas pessoas que recebem o diagnóstico de HIV. A escuta qualificada, o respeito às singularidades e o compromisso com a confidencialidade contribuem significativamente para a construção de um vínculo terapêutico sólido, favorecendo a adesão ao tratamento e a continuidade do cuidado.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. Portaria nº 2.436, de 22 de setembro de 2017. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.html. Acesso em: 14 ago. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Humanização (PNH). Brasília, 2004. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_humanizacao_pnh_folheto.pdf. Acesso em: 14 ago. 2025.
COUTINHO, M. P.; OʼDWYER, G.; FROSSARD, V. C. Acolhimento e cuidado às pessoas que vivem com HIV/Aids: desafios da atenção básica. Interface, v. 22, n. 66, p. 1185-1196, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1807-57622017.0380. Acesso em: 14 ago. 2025.
GARCIA, J. et al. Psychosocial implications of homophobia and HIV stigma in social support networks. Health Education & Behavior, v. 45, n. 2, p. 217-225, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1177/1090198115599398. Acesso em: 14 ago. 2025.
MENEZES, L. M.; SILVA, R. A.; OLIVEIRA, F. J. Impacto socioemocional do diagnóstico de HIV em pacientes adultos: uma revisão integrativa. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 75, e20220001, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2022-0001. Acesso em: 14 ago. 2025.
NASCIMENTO, M. (Org.). O que representa o diagnóstico de HIV/Aids após quatro décadas de epidemia? SciELO Books, 2022. Disponível em: https://books.scielo.org/id/7wcpn/pdf/nascimento-9786557081143-06.pdf. Acesso em: 14 ago. 2025.
PARKER, R. Políticas, ciência e moralidades em tempos de Aids. Estudos Avançados, v. 36, n. 104, p. 15-30, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2022.36104.002. Acesso em: 14 ago. 2025.
SILVA, T. R.; OLIVEIRA, A. C.; SANTOS, D. F. Consulta de enfermagem ao paciente com HIV/Aids: perspectivas e desafios sob a ótica de enfermeiros. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 73, n. 4, e20200001, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2020-0001. Acesso em: 14 ago. 2025.
TEIXEIRA, T. R. et al. História e evolução do HIV/Aids: uma análise epidemiológica. Revista de Saúde Pública, v. 55, p. 1-10, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2021055003500. Acesso em: 14 ago. 2025.
VIEIRA, D. S. et al. Fatores que influenciam a prática do enfermeiro na consulta de puericultura na atenção primária. Revista Baiana de Enfermagem, v. 37, n. 51023, 2023. Disponível em: http://www.revenf.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2178-86502023000100320. Acesso em: 14 ago. 2025.