MUCOSITE ORAL INDUZIDA POR TRATAMENTOS ONCOLÓGICOS: UMA REVISÃO DE LITERATURA SOBRE A PATOGÊNESE E ABORDAGENS TERAPÊUTICAS   
1CECILIA DA SILVA RAFAEL, 2ANA BEATRIZ BELASCO, 3GABRIELA KAROLINA CEROZINO, 4MAIARA ALVES DA SILVA, 5DANIELA DE CASSIA FAGLIONI B CERANTO
1Acadêmico bolsista do PIBIC/UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: A mucosite oral (MO) é uma complicação comum que pode acometer a mucosa bucal de pacientes submetidos a tratamento oncológico, como quimioterapia e radioterapia (Elad et al, 2022). Clinicamente, a mucosite oral é caracterizada por eritema, lesões ulcerativas, dor, dificuldade ao falar e ao ingerir alimentos, infecções secundárias, perda de peso e desidratação. Além disso, representa uma porta de entrada para infecções oportunistas, causando o aumento da morbidade dos pacientes (Münstedtc et al, 2019). Diversas são as estratégias preventivas e de manejo para a MO, como uso de analgésicos, crioterapia, fotobiomodulação, uso de agentes fitoterápicos entre outras. Porém, ainda não existe uma abordagem universalmente aceita para prevenção e tratamento da mucosite (Shetty et al, 2022). 
Objetivo: O presente estudo visa analisar fatores etiopatogênicos que conduzem ao desenvolvimento da MO e as abordagens terapêuticas atuais, através de uma revisão da literatura dos últimos 5 anos. 
Desenvolvimento: A MO é um processo inflamatório ulcerativo da mucosa, comum em pacientes submetidos à quimioterapia e/ou radioterapia, causando diversos impactos na qualidade de vida (Alkhouli et al, 2021). Sua patogênese envolve cinco fases: iniciação, sinalização, amplificação, ulceração e cicatrização. A fase inicial é marcada por danos ao DNA, aumento da produção de espécies reativas de oxigênio e liberação de moléculas sinalizadoras de dano, que ativam o fator nuclear-kappa B (NF-κB), desencadeando a expressão de citocinas inflamatórias (Pulito et al, 2020). Na fase de amplificação, a liberação de TNF-α e a ativação da via MAPK mantêm o processo inflamatório por retroalimentação positiva (Singh et al, 2020). A fase de ulceração caracteriza-se pela perda da integridade da submucosa, favorecendo a invasão microbiana. Na cicatrização, sinais provenientes da matriz extracelular e do mesênquima estimulam a reepitelização e a regeneração tecidual  (Elad et al, 2022; Liu et al, 2021). A gravidade é classificada pela OMS de grau 0 a IV, podendo interferir no tratamento oncológico, com redução das doses do quimioterápico ou interrupção do tratamento radioterápico (Colella et al, 2023). O manejo terapêutico é multifatorial, visando o controle da dor, suporte nutricional e prevenção de infecções secundárias. Para analgesia, analgésicos sistêmicos e enxaguatórios contendo morfina ou combinações anestésicas são empregados, assim como a doxepina tópica, que atua bloqueando canais de sódio e proporcionando efeito anestésico. Entre as terapias específicas, destaca-se o uso da palifermina, um fator    de crescimento de queratinócitos (KGF) que reduz a gravidade e duração da mucosite ao promover regeneração epitelial, modular a inflamação e proteger contra o estresse oxidativo e a apoptose (Liu et al, 2021; Jayakrishnan et al, 2015; Blakaj et al, 2019). Outra intervenção promissora é a terapia a laser de baixa intensidade (LLLT), ou fotobiomodulação, que estimula a cicatrização e reduz o estresse oxidativo, encurtando a fase aguda inflamatória e acelerando o reparo tecidual (Shetty et al, 2022; Soares et al, 2021). 
Conclusão: A mucosite oral continua sendo uma complicação frequente e debilitante no tratamento oncológico, ainda sem terapia-padrão estabelecida. Sua patogênese complexa demanda abordagens integradas e personalizadas, com foco em prevenção, diagnóstico precoce e terapias combinadas visando reduzir impacto clínico e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Referências:
ALKHOULI, M; LAFLOUF M; COMISI, J,C; Assessing the topical application efficiency of two biological agents in managing chemotherapy-induced oral mucositis in children: A randomized clinical trial. Journal of oral biology and craniofacial research, v.11, n.3, p.373-378, Jun.2021.
BLAKAJ, A; BONOMI, M; GAMEZ, M, E; BLAKAJ D, M; Oral mucositis in head and neck cancer: Evidence-baased management and review of clinical trial data. Oral oncology, v.95, p.29-34, Aug.2019.
COLELLA, G; et al. Interventions for the prevention of oral mucositis in patients receiving cancer treatment: evidence from randomised controlled trials. Current Oncology, v. 30, n. 1, p. 967-980, 2023.
DOS SANTOS, S, A; et al. Therapeutic effects of andiroba (Carapa guianensis Aubl) oil, compared to low power laser, on oral mucositis in children underwent chemotherapy: A clinical study. Journal of ethnopharmacology, v. 264, p. 113365, 2021.
ELAD, S; et al. The broadening scope of oral mucositis and oral ulcerative mucosal toxicities of anticancer therapies. CA: a cancer journal for clinicians, v. 72, n. 1, p. 57-77, 2022.
JAYAKRISHNAN, R; et al. Doxepin for radiation therapy-induced mucositis pain in the treatment of oral cancers. Oncology reviews, v. 9, n. 1, p. 290, 2015.
LIU, S; et al. Status of treatment and prophylaxis for radiation-induced oral mucositis in patients with head and neck cancer. Frontiers in Oncology, v. 11, p. 642575, 2021.
PULITO, C; et al. Oral mucositis: the hidden side of cancer therapy. Journal of experimental & clinical cancer research, v. 39, n. 1, p. 210, 2020.
SHETTY, S, S; et al. Oral mucositis: Current knowledge and future directions. Disease-a-Month, v. 68, n. 5, p. 101300, 2022.
SINGH, V; SINGH, A, K. Oral mucositis. National journal of maxillofacial surgery, v. 11, n. 2, p. 159-168, 2020.
MÜNSTEDT, K; MÄNNLE, H; Using Bee Products for the Prevention and Treatment of Oral Mucositis Induced by Cancer Treatment. Molecules. 2019;24(17):3023