![]() | |
|---|---|
![]() | |
| TRATAMENTO DE ÚLCERA DE CÓRNEA EM EQUINO | |
| 1GEOVANA CRISTINA SARTORI ANDRE, 2THAIS SECUNDINI DACANAL, 3GABRIEL AUGUSTO RATTI DE SOUZA, 4GUILHERME DA SILVA ASSALIN, 5MARIANA PEREIRA MARQUES, 6ANDRÉ GIAROLA BOSCARATO | |
| 1Aprimoramento Profissional em Medicina Veterinária, Universidade Paranaense (UNIPAR) 2Aprimoramento Profissional em Medicina Veterinária, Universidade Paranaense (UNIPAR) 3Acadêmico do Curso de Medicina Veterinária da UNIPAR 4Acadêmico do Curso de Medicina Veterinária da UNIPAR 5³Graduando de Medicina Veterinária, Universidade Paranaense (UNIPAR) 6Docente, Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal com Ênfase em Bioativos, Universidade Paranaense (UNIPAR) |
|
| Introdução: A úlcera de córnea é uma das afecções oftálmicas mais frequentes em equinos, caracterizando-se por uma lesão no epitélio corneano que pode variar de superficial a perfurante. Essa condição, frequentemente associada a traumas, representa um risco significativo à visão do animal, podendo evoluir para complicações graves, até mesmo levando o animal à cegueira, caso não seja tratada de forma adequada e precoce (GELATT et al., 2021). A etiologia é multifatorial, incluindo alterações no filme lacrimal, anomalias palpebrais, queimaduras químicas, infecções e a presença de corpos estranhos (GILGER et al., 2022). Diante disso, o manejo clínico exige abordagem terapêutica abrangente, com foco no controle da dor, prevenção de infecções, estímulo à regeneração tecidual e preservação da integridade visual. Relato de caso: Foi atendido na clínica escola Veterinária da UNIPAR, uma equino fêmea, quarto de milha, quatro anos de idade, apresentando epífora e blefaroespasmo no olho esquerdo. Foi realizado exame clínico oftálmico, identificando opacidade de córnea, com teste de fluoresceína positivo para úlcera de córnea. Após estabelecimento do diagnóstico, foi administrado como tratamento sistêmico flunixim meglumine (1,1 mg/kg, SID, IV). Além disso, o animal foi sedado com detomidina (0,02mg/Kg) e bloqueios anestésicos perioculares foram realizados com lidocaína, para paralisar o músculo orbicular e permitir a manipulação da pálpebra sem resistência, permitindo assim a instalação de um sistema de lavagem subpalpebral para facilitar a terapêutica oftálmica. Foram realizadas 12 aplicações diárias, sendo seis com colírio a base de tobramicina juntamente com soro equino autólogo, e outras seis com hialuronato de sódio, utilizados de forma intercalada a cada duas horas. A tobramicina foi substituída por gatifloxacino após o quarto dia de tratamento. Após 8 dias de terapia, com auxílio de um novo teste de fluoresceína, observou-se uma redução de aproximadamente 70% na área inicial da úlcera de córnea, e a frequência de aplicação dos fármacos foi alterada para um intervalo de 6 horas por mais 5 dias. Ao final do tratamento, o animal já apresentava visão normal, com apenas uma pequena cicatriz na córnea, a qual tende a sofrer remodelamento e torna-se imperceptível com o tempo. Dada a eficácia da terapia instituída e a melhora significativa, o animal recebeu alta hospitalar. Discussão: Úlceras de córnea em equinos são comuns e geralmente causadas por traumas, como a presença de corpo estranho, podendo evoluir para complicações graves se não tratadas adequadamente (GELATT et al., 2021). O tratamento deve ser imediato e multidisciplinar, visando controlar a infecção, reduzir a inflamação e estimular a cicatrização (MILLER, 2017). Neste caso, a combinação de antibióticos tópicos, anti-inflamatório sistêmico, hialuronato de sódio e soro autólogo (SA) demonstraram ser eficientes. O soro autólogo, por conter fatores de crescimento, auxilia na renovação e cicatrização das células epiteliais favorecendo a evolução do tratamento (DANTAS et al., 2005) e por reduzirem a ceratomalácia (TURNER, 2010), atuou como adjuvante, favorecendo a regeneração da córnea (OLIVEIRA et al., 2019). A melhora clínica observada confirma a efetividade da abordagem adotada. Conclusão: O tratamento instituído neste caso demonstrou ser eficaz, promovendo cicatrização significativa e recuperação visual. O uso do soro autólogo atuou como importante adjuvante terapêutico, por ser de baixo custo, fácil preparo e por estimular a regeneração corneana. Assim, conclui-se que a associação entre antibioticoterapia, hialuronato de sódio e soro autólogo pode representar uma alternativa viável e eficiente no manejo de úlceras corneanas. |
|
| Referências: DANTAS, P. E. C.; LAKE, J. C.; MALAVAZZI, G. R. Efeito do mel e do soro autólogo na cicatrização do epitélio corneano em coelhos. Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, v. 68, n. 3, p. 347- 351, 2005 GELATT, K. N. et al.. Veterinary Ophthalmology: veterinary ophthalmology. 6. ed.Hoboken: John Wiley & Sons, Inc, 2021. GILGER, B. C. et al. Equine Ophthalmology. 4. ed. Raleigh, Nc, Usa: John Wiley & Sons, Inc, 2022. MILLER, P. E. The Eye and Vision. In: MAGGS, D.J.; MILLER, P.E.; OFFRI, R. Slatterʻs Fundamentals of Veterinary Ophthalmology E-Book. Elsevier Health Sciences, 2017. OLIVEIRA, M. B. de et al. Uso de soro autólogo como adjuvante no tratamento de úlcera de córnea em equino: relato de caso. Pubvet [S.L.], 13(1): 1-8, 2019. http://dx.doi.org/10.31533/pubvet.v13n01a245.1-8. TURNER, S. M. Oftalmologia em pequenos animais. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. |
|