POTENCIAL TERAPÊUTICO DO BARBATIMÃO (Stryphnodendron adstringens) NO TRATAMENTO DA CANDIDÍASE VULVOVAGINAL: UMA ABORDAGEM FITOTERÁPICA COMPLEMENTAR  
1MARIA LUIZA PAES CARPINE, 2GIULIANA ZARDETO
1Acadêmica do PIC/UNIPAR
2Docente da UNIPAR
Introdução: A candidíase vulvovaginal é uma infecção fúngica comum que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva, sendo causada principalmente por Candida albicans. Caracteriza-se por prurido, corrimento espesso e irritação vulvar, afetando significativamente a qualidade de vida das pacientes. O tratamento convencional envolve antifúngicos tópicos ou orais, como o fluconazol. No entanto, o uso recorrente dessas drogas tem sido associado ao aumento da resistência fúngica e à ocorrência de efeitos colaterais indesejados. Nesse contexto, cresce o interesse por alternativas terapêuticas naturais, entre as quais se destaca o Stryphnodendron adstringens, popularmente conhecido como barbatimão, planta nativa do cerrado brasileiro, tradicionalmente utilizada por suas propriedades cicatrizantes, anti-inflamatórias e antimicrobianas (PEREIRA et al., 2021).
Objetivo: Este resumo tem como objetivo avaliar, com base na literatura científica recente, os efeitos do Stryphnodendron adstringens no tratamento da candidíase vulvovaginal.
Desenvolvimento: O S. adstringens, popularmente conhecido como barbatimão, é uma espécie pertencente à família Fabaceae, com destaque na medicina popular brasileira pelo uso no tratamento de feridas, inflamações e infecções. Suas cascas apresentam alta concentração de taninos condensados e outros polifenóis, compostos responsáveis por suas propriedades adstringentes, cicatrizantes, antimicrobianas e anti-inflamatórias (PEREIRA et al., 2023). Diversos estudos recentes demonstraram o potencial antifúngico do barbatimão frente a C. albicans e outras espécies de Candida spp. Os extratos da planta atuam principalmente por mecanismos como a desestabilização da membrana celular fúngica, a inibição da formação de hifas e blastoconídios, além de interferirem na adesão da levedura ao epitélio vaginal (SOUZA et al., 2021). Esses efeitos contribuem para o controle da infecção e previnem a recorrência da doença. Além da atividade antifúngica direta, o barbatimão também apresenta efeito anti-inflamatório significativo. Estudos experimentais demonstram que seus constituintes bioativos são capazes de modular a produção de citocinas pró-inflamatórias, como IL-1β e TNF-α, resultando em diminuição do edema, prurido e eritema típicos da candidíase vulvovaginal (MARTINS et al., 2022). Essa ação combinada reforça seu potencial como alternativa terapêutica, tanto no alívio dos sintomas quanto na erradicação do agente infeccioso. Ensaios clínicos recentes mostraram resultados promissores com formulações tópicas à base de barbatimão. Em um estudo conduzido com creme vaginal de extrato da planta, observou-se eficácia clínica comparável à do clotrimazol, com redução significativa da secreção vaginal e do prurido em até 10 dias de tratamento, além de boa tolerabilidade pelas pacientes (FERREIRA et al., 2024). Outro estudo observacional apontou índices de melhora clínica superiores a 80%, reforçando sua aplicabilidade como opção fitoterápica segura e de baixo custo (OLIVEIRA et al., 2021). Do ponto de vista da saúde pública, o barbatimão representa uma alternativa acessível, especialmente em comunidades com difícil acesso a medicamentos industrializados. Contudo, permanecem desafios relacionados à padronização de extratos, à regulamentação sanitária e à necessidade de ensaios clínicos de maior escala, capazes de estabelecer protocolos seguros e eficazes (SILVA et al., 2023). Ademais, o uso deve sempre ser orientado por profissionais de saúde, uma vez que concentrações inadequadas podem provocar irritações locais ou desequilíbrio da microbiota vaginal. Em síntese, os estudos mais recentes reforçam o potencial terapêutico do S. adstringens como alternativa natural no tratamento da candidíase vulvovaginal, mas ainda são necessários avanços na padronização farmacotécnica e em estudos clínicos multicêntricos que confirmem sua eficácia e segurança a longo prazo.
Conclusão: Para que seu uso seja integrado de forma segura e eficaz à prática clínica, é fundamental que haja investimentos em pesquisa científica, padronização de formulações e políticas públicas que incentivem a fitoterapia baseada em evidências. Dessa forma, o barbatimão poderá representar não apenas uma opção terapêutica eficaz, mas também uma estratégia de valorização dos recursos naturais da biodiversidade brasileira. Sendo assim, mais estudos são necessários.
Referências:
FERREIRA, L. C. et al. Efficacy of  Stryphnodendron adstringens vaginal cream in the treatment of vulvovaginal candidiasis: a randomized clinical trial. Revista da Associação Médica Brasileira, São Paulo, v. 70, n. 2, p. 123–130, 2024.
MARTINS, R. F. et al. Anti-inflammatory and antifungal activity of Stryphnodendron adstringens extracts: perspectives for gynecological infections. Journal of Ethnopharmacology, v. 298, p. 115–122, 2022.
OLIVEIRA, A. P. et al. Uso tópico de extrato de barbatimão no manejo da candidíase vulvovaginal: estudo observacional.  Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, Rio de Janeiro, v. 43, n. 8, p. 525–532, 2021.
PEREIRA, F. A. et al. Phytochemical profile and antimicrobial potential of Stryphnodendron adstringens bark extract.  Frontiers in Pharmacology, v. 14, e112233, 2023.
SILVA, M. E. et al. Challenges in the development of herbal formulations for vulvovaginal candidiasis: focus on Stryphnodendron adstringens. Plants, v. 12, n. 8, p. 1550–1562, 2023.
SOUZA, D. C. et al. Antifungal effect of Stryphnodendron adstringens against Candida albicans: in vitro and in vivo evaluation. BMC Complementary Medicine and Therapies, v. 21, n. 1, p. 331–340, 2021.