TEMPERATURA E OVIPOSIÇÃO DE Aedes aegypti EM AMBIENTE URBANO NO SUDOESTE DO PARANÁ  
1ALINE LORENZETTI, 2DEBORA WICROSKI, 3EDERSON LUCAS KAIBERS, 4RAFAEL BELLÉ PALUDO, 5THIAGO CESAR RAMOS BLAU, 6LUCIANA PELLIZZARO
1Acadêmica do curso de Farmácia da Unipar, Francisco Beltrão.
2Acadêmica do curso de Farmácia da Unipar, Francisco Beltrão.
3Acadêmico do curso de Farmácia da Unipar, Francisco Beltrão.
4Acadêmico do curso de Farmácia da Unipar, Francisco Beltrão.
5Acadêmico do curso de Farmácia da Unipar, Francisco Beltrão.
6Orientadora, professora da Unipar, Francisco Beltrão.
Introdução: Aedes aegypti, mosquito da família Culicidae, é o vetor dos vírus da Dengue, Zika e Chikungunya; seu ciclo de desenvolvimento é de aproximadamente 10 dias e inclui fases de ovo, larva, pupa e adulto; os ovos medem cerca de 0,4 mm, são inicialmente brancos e logo escurecem e podem resistir no ambiente seco por mais de um ano até haver condições adequadas para eclosão (Fiocruz, s.d.). A longevidade do mosquito varia entre 30 e 35 dias, período no qual as fêmeas fazem quatro a seis posturas, podendo cada uma gerar até 1.500 descendentes (Lopes, 2015); possui atividade mais intensa no início da manhã e final da tarde (Rio Claro, s.d.), e a faixa térmica entre 25 e 30°C é mais favorável ao seu desenvolvimento, já abaixo de 5 ou acima de 42°C torna-se letal (Porto Alegre, s.d.). Devido a essas condições, os mosquitos são mais ativos nos primeiros cinco meses do ano, período mais quente e úmido (Braga; Valle, 2007).
Objetivo: Relacionar a temperatura local com a oviposição de A. aegypti em um ambiente delimitado.
Material e Métodos: De setembro a novembro de 2024 e de fevereiro a junho de 2025, foram instaladas, aleatoriamente, no câmpus da Universidade Paranaense em Francisco Beltrão dez armadilhas de postura do tipo ovitrampas (vasos plásticos pretos contendo água e uma palheta de madeira), que serviam de suporte para a deposição de ovos. As armadilhas simulam condições ideais para a oviposição, atuando como ferramenta de monitoramento entomológico no local, a exemplo do que já é adotado em várias cidades brasileiras por recomendação do Ministério da Saúde (Lima, 2017; MS, 2025). Para coleta, as armadilhas foram substituídas semanalmente por novas unidades; as palhetas foram recolhidas, levadas ao laboratório, e os ovos (quando presentes) confirmados como da espécie alvo foram quantificados, de acordo com o MS (2025). Fez-se a anotação da quantidade de ovos de todas as palhetas por quinzena (totalizando 15), e paralelamente foram registradas as temperaturas diárias da região a partir do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), visando à posterior comparação com a quantidade de ovos coletados.
Resultados: Entre setembro e outubro de 2024 não houve oviposição e as temperaturas médias quinzenais variaram de 21,2 a 22,3°C no período. Em novembro, a oviposição foi de 32 ovos a 21,1°C e 264 ovos a 23,7°C para cada quinzena. Nos meses de fevereiro e março de 2025, as temperaturas médias quinzenais oscilaram entre 22,8 e 26,2°C, com registro de 199 e 345 ovos, sendo este último o maior valor observado no estudo. Em abril, com temperaturas entre 19 e 20,2°C, a quantidade de ovos variou de 183 a 246. Em maio, com temperaturas entre 16 e 19,3°C, foram contados 120 e 169 ovos, respectivamente. Na primeira quinzena de junho a temperatura média foi de 15,1°C e foram encontrados quatro ovos.
Discussão: O estudo evidenciou maior oviposição de A. aegypti em temperaturas médias entre 22,8 e 26,2°C, com pico em março de 2025, confirmando a influência do clima sobre a reprodução do vetor. A ausência de postura em setembro e outubro, mesmo com temperaturas acima de 21°C, sugere que, além da temperatura, outras variáveis como precipitação e umidade relativa podem ter influenciado a oviposição, corroborando achados que apontam a precipitação como fator mais determinante que a temperatura em determinadas regiões (Santos et al., 2017). É relevante destacar que foram feitas dedetizações no câmpus, em janeiro e julho de 2025, o que possivelmente contribuiu para a redução temporária da população do vetor, porém, não a inibiu. A queda acentuada no número de ovos a partir de abril acompanha a redução térmica, reforçando a sensibilidade do mosquito a temperaturas abaixo de 20°C; os dados ainda apontam para um limite térmico inferior próximo a 16°C, abaixo do qual a oviposição é drasticamente reduzida, comprometendo a manutenção da população (Liu et al., 2023).
Conclusão: A oviposição de A. aegypti variou conforme a temperatura, ocorrendo em maior intensidade entre 22,8 e 26,2°C, com redução progressiva em valores térmicos inferiores. A ausência de ovos nos meses de temperaturas amenas e a queda acentuada a partir de abril reforçam a influência do fator climático sobre a dinâmica populacional do vetor. Esses resultados evidenciam a importância do monitoramento entomológico em meses de temperatura mais propícias à reprodução do mosquito como ferramenta estratégica para subsidiar ações de vigilância e controle do A. aegypti no local em questão.
Referências:
BRAGA, Irma; VALLE, Denise. Aedes aegypti: histórico do controle no Brasil. Rev. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v.16, p.113-118, 2007.
FIOCRUZ - INSTITUTO OSWALDO CRUZ. Dengue: O Aedes aegypti é um mosquito com hábitos oportunistas. Disponível em: https://www.ioc.fiocruz.br/dengue/textos/oportunista.html. Acesso em: 22 ago. 2025.
LIMA, José Bento Pereira. Metodologia para amostragem de Aedes aegypti por meio de armadilhas de postura (ovitrampas). 2017. Disponível em: https://youtu.be/2w89kagSOKM. Acesso em: 20 ago. 2025.
LIU, Zhuanzhuan et al. The effect of temperature on dengue virus transmission by Aedes mosquitoes. Frontiers in Cellular and Infection Microbiology, v.13, p.1-10, 2023.
LOPES, Maurício Antônio. O que aprendemos com o Manejo Integrado de Pragas (MIP) da agricultura para o controle do Aedes aegypti. Ponto de vista. Rev. Política Agríc., v.24, n.4, p.134-136, 2015.
MS - MINISTÉRIO DA SAÚDE. Nota Técnica nº 3/2025-CGARB/DEDT/SVSA/MS. Disponível em: chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/notas-tecnicas/2025/nota-tecnica-no-3-2025-cgarb-dedt-svsa-ms.pdf. Acesso em: 20 ago. 2025.
PORTO ALEGRE - PREFEITURA MUNICIPAL. Aedes aegypti. Disponível em: https://prefeitura.poa.br/sms/onde-esta-o-aedes/o-aedes-aegypti. Acesso em: 22 ago. 2025.
RIO CLARO - FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE SAÚDE. Aedes aegypti X Aedes albopictus (Diferenças). Disponível em: https://www.saude-rioclaro.org.br/dengue/Aedes%20aegypti%20e%20aedes%20albopictus.htm. Acesso em: 22 ago. 2025.
SANTOS, Isabella Cristina da Silva et al. Influência de variáveis meteorológicas na dinâmica de oviposição de Aedes aegypti (Diptera: Culicidae) em quatro áreas ambientalmente distintas no Nordeste do Brasil. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, v.115, p.1-10, 2020.