PROCESSO DE ENFERMAGEM AO PACIENTE COM ÚLCERA VENOSA: RELATO DE CASO  
1HENRIQUE DE OLIVEIRA, 2VANESSA DO AMARAL DE LARA, 3AMANDA CASSOL, 4LEDIANA DALLA COSTA
1Acadêmico do Curso de Enfermagem/Universidade Paranaense – Unidade de Francisco Beltrão.
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Docente do departamento de Enfermagem UNIPAR
4Docente do departamento de Enfermagem UNIPAR
Introdução: As úlceras crônicas são desafiadoras devido à lenta recuperação, podem ser subdivididas em arteriais, venosas e mistas, com as venosas correspondendo a 80% e 90% dos casos. Trata-se de condição amplamente vivenciada na população idosa, principalmente em pacientes com quadro de Insuficiência Venosa Crônica (IVC), que afeta a rede vascular e a derme (Lins et al., 2023). No Brasil, estima-se que cerca de 38% da população sofra algum nível de comprometimento venoso, sendo mais prevalente entre as mulheres. Cerca de 45% das mulheres e 30% dos homens apresentam varizes ao longo da vida. Entre 2013 e 2022, foram registrados, em média 695 mil internações devido a complicações associadas às varizes, das quais, 76% envolveram mulheres. A faixa etária mais afetada é a de 50 a 59 anos (SBACV, 2023). 
Relato de caso:  Paciente A.S.S. 94 anos, viúva, do lar. Diagnósticos preestabelecidos: HAS, cardiomiopatia e IVC. Durante acolhida, paciente referiu histórico de tabagismo por pelo menos 30 anos. Além disso, mencionou ter tido três acidentes vasculares encefálicos, quanto à alimentação, relatou “tento cuidar, mas acabo fazendo o que é mais fácil” S.I.C, não aderindo à dieta para HAS, sobre a prática de atividades físicas, paciente apresentava claudicação, devido à lesão plantar. Lesão plantar iniciou em 2023 após perfuração por galho, meses depois, em consulta, dermatologista identificou a lesão e a encaminhou ao vascular, que iniciou antibioticoterapia, sendo cessada após episódio de dengue, em 2024, houve a contratação de profissional da saúde para atendimento particular, “mas ficou do mesmo jeito” S.I.C, afirmou, após isso, funcionários da rede pública de saúde iniciaram os cuidados com a lesão. Quanto ao exame físico realizado em 11 de março de 2025: Peso: 52 kg, Altura: 153 cm, IMC: 22,2 kg/m², SpO2: 99%, FC: 72 bpm, FR: 12 rpm. Couro cabeludo íntegro, orifícios auriculares, nasais e bucal limpos e íntegros, presença de dentição artificial, acuidade visual diminuída, com presença de arco senil e utilização de óculos. Ausculta pulmonar: MV+ s/RA bilateral; BRNF2T, abdome RHA+, sem dor a palpação ou alterações, eliminações fisiológicas espontâneas, força preservada em MMSS e MMII, e mobilidade reduzida em MMII, presença de varicoses e equimoses; lesão ulcerativa grau II, de origem venosa, na região maleolar de MID, com diâmetro de 5 cm, bordas irregulares, inicialmente, apresentando hipergranulação em leito e início de bordas em epíbole. Com base na Teoria das Necessidades Humanas Básicas, definiram-se os seguintes diagnósticos NANDA 2024-2026: Mobilidade física prejudicada, relacionado à insuficiência venosa, evidenciado pela algia em membro, varizes e lesão plantar; Integridade da pele prejudicada, relacionado à lesão plantar crônica secundária à perfuração, evidenciado pela presença de ferida plantar sem melhora significativa persistente há mais de um ano; Autogestão ineficaz da saúde, relacionado à dificuldade de seguir dieta e múltiplas comorbidades, evidenciado pelo relato da paciente: “faço o que é mais fácil”, sem seguir dieta para HAS; Risco de quedas no adulto, relacionado à idade avançada e histórico de AVE;
Discussão: O profissional enfermeiro, integrante essencial da Atenção Primária à Saúde (APS), é formado desde a graduação com base teórica e prática robusta, cuja atuação na Atenção Básica abrange desde a gestão até o cuidado direto ao paciente, incluindo consultas, exames físicos e diagnósticos de enfermagem. A Lei n.º 7.948, de 25 de junho de 1986, constitui um dos principais instrumentos legais que definem os profissionais de enfermagem e as atribuições específicas (Brasil, 2022). O diagnóstico de enfermagem se configura como componente fundamental do Processo de Enfermagem (PE), por meio do qual se sistematiza a assistência prestada, estabelecendo padrão norteador para as ações realizadas e permitindo a avaliação da evolução do paciente com maior rigor técnico. Essa sistematização é respaldada pela Resolução COFEN n.º 736/2024, que atribui ao enfermeiro responsabilidade pelo planejamento da assistência, com técnicos implementando sob supervisão (COFEN, 2024). No exercício das atividades profissionais e na implementação do Processo de Enfermagem, a padronização tanto na execução quanto na nomenclatura adotada revela-se imprescindível, a fim de garantir a clareza no entendimento das necessidades do paciente por todos os profissionais envolvidos. Essa uniformidade contribui para melhoria da qualidade da assistência, amplia a visibilidade da enfermagem e fortalece a consolidação enquanto ciência (Moritz et al., 2023).
Conclusão: Desta maneira, reconhecendo a dificuldade acerca da assistência de enfermagem aos pacientes portadores de úlceras venosas, é essencial que a educação continuada seja prática constante na assistência, visando proporcionar atendimento humanizado e baseado em evidências às demandas específicas desses pacientes. Assim, o enfermeiro, enquanto profissional precursor das prescrições de cuidados no âmbito da equipe multidisciplinar, ocupa posição ímpar e indispensável no cenário da assistência à saúde, contribuindo para atendimento cada vez mais efetivo e eficaz.
Referências:
BRASIL. Secretaria de Saúde. Guia de Enfermagem na Atenção Primária à Saúde. Brasília: Secretaria de Saúde, 2022. Disponível em: https://biblioteca.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2023/03/guia-de-enfermagem-na-atencao-primaria-a-saude.pdf. Acesso em: 24 jul. 2025.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto socioambiental onde ocorre o cuidado de enfermagem. 2024. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-736-de-17-de-janeiro-de-2024/. Acesso em: 24 jul. 2025.
LINS, Igor et al. Cuidados prestados ao portador de úlcera venosa que auxiliam a cicatrização da ferida. Nursing (Edição Brasileira), [S.l.], v. 26, n. 302, p. 9805–9809, 2023. Disponível em: https://revistanursing.com.br/index.php/revistanursing/article/view/3101/3773. Acesso em: 24 jul. 2025.
MORITZ, Ana et al. Reflexões acerca da instrumentalização do trabalho de enfermagem por meio dos protocolos de padronização do cuidado. Revista Eletrônica Acervo Saúde, [S.l.], v. 23, n. 4, p. e12426, 2023. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/12426. Acesso em: 24 jul. 2025.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ANGIOLOGIA E DE CIRURGIA VASCULAR (SBACV). A cada dia, pelo menos 145 mulheres são internadas para tratamento de varizes no Brasil, São Paulo: SBACV, 2023. Disponível em: https://sbacv.org.br/a-cada-dia-pelo-menos-145-mulheres-sao-internadas-para-tratamento-de-varizes-no-brasil/. Acesso em: 24 jul. 2025.