FATORES SOCIODEMOGRÁFICOS DE PARTURIENTES DIANTE DA DOAÇÃO DE LEITE HUMANO  
1HILDA CARLA FERREIRA ESPANIOL, 2LUANA GOMES JULIA, 3LEDIANA DALLA COSTA
1Acadêmico do Curso de Enfermagem/Universidade Paranaense – Unidade de Francisco Beltrão.
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Docente do departamento de Enfermagem UNIPAR
Introdução: O aleitamento materno é reconhecido como a forma mais completa e segura de nutrição para o recém-nascido, proporcionando benefícios nutricionais, imunológicos e emocionais que repercutem na saúde ao longo da vida (Carvalho; Batista, 2024). Em situações em que a amamentação direta não é possível, o leite humano doado, devidamente processado e distribuído pelos Bancos de Leite Humano (BLH), é uma opção (Miranda et al., 2017). Os BLH têm papel crucial para a saúde pública, são responsáveis pela promoção, pela proteção e pelo apoio ao Aleitamento Materno (AM), cujas unidades contêm local privativo para a ordenha do LH, ofertam outras formas de serviços como na busca, análise, armazenamento, processam e distribuem os leites captados pelas doadoras, torna-se essencial, especialmente para recém-nascidos prematuros ou com condições clínicas que inviabilizam o aleitamento materno exclusivo (Loureiro et al., 2022). O recebimento e a manutenção de doações são influenciados por múltiplos fatores que podem impactar diretamente a adesão à doação (Miranda et al., 2017). 
Objetivo: Realizar revisão dos impactos diante dos fatores sociodemográficos que interferem na doação de leite humano.
Material e Métodos: Estudo de campo retrospectivo, diante da análise dos cadastros das doadoras, realizado no posto de coleta de leite humano (PCLH), por questionário e análise da ficha cadastral, com a finalidade de avaliar os fatores sociodemográficos que interferem na doação de leite humano. Considera-se como participantes da pesquisa todas as doadoras que possuíam registros arquivados no PLH - HRS, e tem a Ficha de Cadastro de Doadora, durante o período de abertura do posto 2024 a 2025, com o registro de pelo menos uma ocorrência de doação. A pesquisa foi submetida à análise do Comitê de Ética de Seres Humanos (CEPEH), da Universidade Paranaense (UNIPAR), conforme a Certificado de Apresentação de Apreciação Ética (CAAE) no 87145025.0.0000.0109. 
Resultados: A amostra do presente estudo foi sucedida perante as características das 115 doadoras de LH do PCLH-HRS, sendo que a maior prevalência esteve no intervalo de idade 19 a 30 anos (62%), a maioria se autodeclarou branca (74,8%), 69,6% referiram ser casadas, com 12 ou mais anos de estudo (59,5%), a renda mais frequente estava em três a mais salários-mínimos (53,0%),  a maioria residia em Francisco Beltrão (34,8%), constatou-se que 33,0% faziam uso de algum tipo de medicação, sendo a mais presente Sulfato Ferrosa, apresentando 9,6% . A maioria referiu ser multípara (53,0%), em média de um a dois filhos vivos (85,2%), 12,2% sofreram aborto, grande parte realizou o pré-natal em unidade de saúde pública (80,8%) e 57,4% realizaram entre seis e 10 consultas. O tipo de parto mais prevalente foi a cesárea (74,8%), os bebês eram, em maioria, do sexo feminino (50,4%), com indicativo do peso ao nascer adequado (72,2%), 49,6%com idade gestacional entre 38 e 39 semanas de gestação, 49,6% apresentaram algum tipo de intercorrência na gestação, 31,3% eram prematuros, o maior número dos partos foi realizado no HRS (53,8%). 
Discussão: Com base no estudo, as características presentes nas doadoras de LH apresentaram faixa etária que estava dentro do clico reprodutivo, significando baixo risco na gestação e mais maturidade (Loureiro et al., 2022). Ao que se refere à cor da pele, houve predominância por parte de mulheres brancas, característica regional do local estudado, isso reforça que o contexto local fornece aspectos sociodemográficos variados. Referente a escolaridade tem influência quanto a prática de doação de LH, mulheres com maior nível de escolaridade tendem a compreender melhor a importância do ato de doar. Já as que possuem baixa escolaridade, podem necessitar de equipes multiprofissionais para incentivos e esclarecer dúvidas e mitos (Buges et al., 2023). Os resultados mostraram que grande maioria das mulheres eram casadas, impactando diretamente a prática, provendo amparo à mulher e encorajando-a (Fonseca et al., 2021).  Sobre as vias de parto, a maioria são cesarianas, via de parto que está enraizada há décadas na sociedade. Embora as consultas de pré-natal tenham se mostrado presentes, nesse período, não foram muitas vezes incentivadas as ações de doação. Salienta-se a importância perante a atuação do profissional em orientar e incentivar a paciente, gerando grande impacto positivo (Miranda et al., 2017). Diante dos dados, mostra-se o número elevado de prematuridade advindo de partos cesarianos. A prematuridade é a causa da necessidade de suporte de leite humano, que ampara questões nutricionais e imunológicas, pois o leite humano é rico em nutrientes, como proteínas e anticorpos, vital para o bom desenvolvimento, proporcionando proteção a infecções e outras doenças (Miranda et al., 2017). A presença de prematuros no ambiente hospitalar evidência a importância da doação de leite humano, traz sensibilização para incentivo ao ato de doar e ofertar apoio não somente ao prematuro, como também à parturiente que sofre com a dificuldade de produção de leite e estresse emocional. Essas ações trazem consigo a diminuição de morbimortalidade neonatal, melhora do prognóstico para o RN e redução da sensação de ansiedade e impotência pelas parturientes que não conseguem amamentar (Souza et al., 2021). 
Conclusão: Diante disso, compreender o perfil sociodemográfico das parturientes e os fatores associados à decisão de doar leite humano é fundamental para implementar estratégias que ampliem a captação e fortaleçam políticas públicas voltadas à promoção do aleitamento e à redução da morbimortalidade neonatal.
Referências:
BUGES, Naiana Mota; KLINGER, Karylleila Dos Santos Andrade; ARAUJO, Tainara Pereira; PEREIRA, Renata Junqueira. Sensibilização para doação de leite humano, com foco na reorganização das ações de educação em saúde. Cuadernos de Educación y Desarrollo, [S.l.], v.15, n.6, p. 5718-5738, 2023. DOI: 10.55905/cuadv15n6-046.
CARVALHO, Thayane Alexandre; BATISTA, Christyann Lima Campos. Determinantes da doação de leite humano: dados de mulheres doadoras em um banco de leite. Escola Anna Nery, Rio de Janeiro, p. e20230157, 2024. DOI: https://doi.org/10.1590/2177-9465-EAN-2023-0157pt.
FILGUEIRA, Júlia Beatriz Veras et al. Benefícios do contato pele a pele entre pais e bebês prematuros na unidade de terapia intensiva neonatal. Revista Multidisciplinar do Sertão, [S.l.], v.7, n.1, 2025.DOI: https://doi.org/10.37115/rms.v7i1.824. Acesso em: 19 ago. 2025.
FONSECA, Rafaela Mara Silva et al. O papel do banco de leite humano na promoção da saúde materno infantil: uma revisão sistemática. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v.26, n.1, 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232020261.24362018.
LOUREIRO, Rosana et al. Perfil das doadoras de leite materno de um banco de leite humano de um hospital universitário do sul do Brasil. Research, Society and Development, [S.l.], v. 11, n. 1, e46211125180, 2022 (CC BY 4.0) | ISSN 2525-3409 | DOI: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v11i1.25180. Disponível em: dorlivete,+e46211125180.pdf . Acesso em: 15 ago. 2025. 
MIRANDA, Jéssica Octacilla Acipreste; SERAFIM, Tatiane Cristina; ARAÚJO, Raquel Maria Amaral; FONSECA, Rafaela Mara Silva; PEREIRA, Patrícia Feliciano. Doação de leite humano: Investigação de fatores sociodemográficos e comportamentais de mulheres doadoras. Revista da Associação Brasileira de Nutrição - RASBRAN[S. l.], v. 8, n. 1, p. 10–17, 2017. Disponível em: https://www.rasbran.com.br/rasbran/article/view/475. Acesso em: 12 ago. 2025.
SOUZA, Gabriela Bucci et al. A importância da doação de leite humano na contribuição do desenvolvimento do recém-nascido prematuro. Research, Society and Development, [S.l.], v.10, n.7, 2021. DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v10i7.16095.