ALIMENTAÇÃO ANIMAL: PRÁTICAS DE MANEJO PARA MELHORAR A QUALIDADE NUTRICIONAL E REDUZIR IMPACTOS AMBIENTAIS  
1JOSÉ APARECIDO OSILHIRI JUNIOR, 2THIAGO ALBERTO ORTIZ
1Doutorando em Biotecnologia aplicada à agricultura, Universidade Paranaense (UNIPAR)
2Professor titular, Orientador, Biotecnologia aplicada à agricultura e Agronomia, Universidade Paranaense (UNIPAR)
Introdução: A demanda industrial tem gerado, em todo o mundo, milhões de toneladas de resíduos de produção, especialmente em países como China, Índia e Brasil. Esses resíduos, frequentemente considerados subprodutos agroindustriais, apresentam elevada concentração de compostos bioativos e podem ser aplicados na alimentação animal. Indústrias têm utilizado esses subprodutos na ração de bovinos, suínos e aves com o objetivo de melhorar a saúde animal, aumentar a qualidade dos alimentos produzidos e reduzir o impacto ambiental, por meio da diminuição das emissões de metano, além de representar uma alternativa de baixo custo para a alimentação. Entre os resíduos agroindustriais mais utilizados estão cascas de frutas, hortaliças e sementes, devido à presença de compostos bioativos como tocoferóis, carotenos e polifenóis, que promovem melhor qualidade da carne e contribuem para uma alimentação saudável, respeitando os padrões de bem-estar animal. Nesse contexto, os consumidores têm demonstrado preferência por produtos de origem mais natural e que tragam benefícios à saúde, o que incentiva a indústria a buscar métodos para retardar a oxidação lipídica, utilizando antioxidantes naturais na alimentação animal, evitando assim a necessidade de manipulação posterior da carne (Lucas, Schu e Dalla Nora, 2021). Além disso, a manutenção da atividade produtiva na produção animal depende da eficiência do sistema, que pode ser alcançada por meio de maior produtividade com custos reduzidos (Soares et al., 2025).
Objetivo: Analisar práticas de manejo alimentar para otimizar a qualidade nutricional e reduzir impactos ambientais na produção animal.
Desenvolvimento: Com o crescimento populacional mundial, aumenta a demanda por alimentos de origem animal, como carne, leite e derivados, bem como a necessidade de produtos com melhor qualidade nutricional, a qual depende da sanidade dos animais. Nesse contexto, a produção de ácidos graxos voláteis (AGVs), principal fonte de energia para ruminantes, é essencial; entretanto, esse processo também contribui para a maior emissão de metano (CH₄) e dióxido de carbono (CO₂), o que tem motivado estudos que buscam estratégias para reduzir essas emissões sem comprometer o equilíbrio ruminal, destacando-se a manipulação da dieta para modular a microbiota do rúmen e os produtos finais da fermentação. O uso de extratos e óleos vegetais ricos em metabólitos secundários surge como alternativa promissora, pois, além de reduzir a produção de CH₄ entérico, favorece a geração de AGVs e melhora a produtividade animal, beneficiando animais, humanos e o meio ambiente (Bañuelos-Valenzuela e Delgadillo-Ruiz, 2022). Outra estratégia importante é a utilização de subprodutos agroindustriais ricos em compostos bioativos na alimentação animal, permitindo reduzir o descarte inadequado de resíduos e agregar valor à produção. Esses subprodutos contribuem para a elevação de ácidos graxos poli-insaturados, diminuição da emissão de gases poluentes, melhor saúde animal, maior qualidade da carne e redução do custo alimentar, promovendo sustentabilidade ambiental e garantindo alimentos de melhor qualidade para o consumidor (Lucas, Schu e Dalla Nora, 2021). Além disso, estudos evidenciam o aproveitamento de resíduos regionais na alimentação animal. Soares et al. (2025) observaram que cooperados utilizam resíduos do buriti (Mauritia flexuosa), tucumã (Astrocaryum vulgare) e murumuru (Astrocaryum murumuru) na criação de frangos e suínos, reduzindo custos de produção, fortalecendo a agricultura familiar e promovendo a sustentabilidade, além de gerar atividades econômicas no meio rural. Na ovinocultura, Teixeira et al. (2025) destacam o bagaço de azeitona como subproduto promissor, oferecendo alternativa nutricional viável, redução de custos e aproveitamento de resíduos agroindustriais, desde que avaliados aspectos como digestibilidade, composição química e efeitos sobre a morfofisiologia do trato digestório dos animais. Diante disso, torna-se essencial aprofundar estudos sobre a inclusão de resíduos e subprodutos agroindustriais na alimentação animal, avaliando adaptações morfológicas do trato gastrointestinal e eficiência digestiva, a fim de formular estratégias nutricionais eficazes, garantir melhor desempenho produtivo e assegurar a viabilidade econômica e ambiental da produção de carne e derivados.
Conclusão: A utilização estratégica de subprodutos agroindustriais e de extratos vegetais na alimentação animal representa uma alternativa viável para aumentar a produtividade, melhorar a qualidade nutricional dos produtos de origem animal e reduzir impactos ambientais, como a emissão de CH₄ e CO₂. A inclusão desses recursos na dieta permite maior aproveitamento de nutrientes, redução de custos e fortalecimento da sustentabilidade, beneficiando tanto a produção quanto o meio ambiente. Práticas nutricionais que integrem sustentabilidade, saúde animal e valorização de resíduos agroindustriais contribuem para a competitividade, promovendo benefícios econômicos, sociais e ambientais, e reforçam a importância de políticas e pesquisas voltadas para o uso consciente e inovador dos recursos na agropecuária.
Referências:
BAÑUELOS-VALENZUELA, R.; DELGADILLO-RUIZ, L. Fermentación ruminal in vitro y producción de AGVS, metano y bióxido de carbono con la inclusión de extractos de plantas del semidesierto zacatecano. Archivos Latinoamericanos de Producción Animal, v. 30, Supl. 1, 2022.
LUCAS, B. N.; SCHU, A. I.; DALLA NORA, F. M. Benefícios dos compostos bioativos encontrados em resíduos agroindustriais utilizados na alimentação animal. In: Dalla Nora, F. M. (Org.). Compostos bioativos e suas aplicações. Canoas: Mérida Publishers, 2021.
SOARES, P. C.; PIRES, C. R. DE S.; PRADO, R. S.; BRITO, E. S.; TEIXEIRA, M. A. DA S.; SANTOS, S. G. DOS; COSTA, L. R. DE J. Aproveitamento de resíduos extraídos de oleaginosas na alimentação animal. Observatório de la Economía Latinoamericana, v. 23, n. 8, e11112, 2025.
TEIXEIRA, C. T.; FURQUIM, M. D.; FURQUIM, F. F.; TEIXEIRA, W. S.; LEITE, G. S.; COSTA, S. T. DA. A utilização de subprodutos agroindustriais na alimentação de cordeiros: impactos nutricionais e morfoadaptativos. Observatório de la Economía Latinoamericana, v. 23, n. 5, e9992, 2025.