POTENCIAL LARVICIDA DO ÓLEO ESSENCIAL DE LOURO (Laurus nobilis) NO CONTROLE DE Aedes aegypti: UMA ALTERNATIVA SUSTENTÁVEL AOS INSETICIDAS QUÍMICOS
1NÍCOLAS SOUZA FRANCO, 2ZILDA CRISTIANI GAZIM
1Pós-graduando do PPGCA Bioativos, UNIPAR
2Docente da UNIPAR
Introdução: Aedes aegypti é vetor de arboviroses como dengue, zika, chikungunya e febre amarela urbana, sendo uma ameaça à saúde pública, especialmente no Brasil (Brasil, 2023). Face à sua ampla distribuição, alta capacidade de adaptação e reprodução em ambientes urbanos, o controle eficaz desse vetor constitui um desafio constante para as estratégias de saúde pública (Fischer et al., 2023). A abordagem predominante para o controle do Aedes aegypti tem sido o uso de inseticidas químicos, como organofosfatos, piretroides e carbamatos. No entanto, essa prática apresenta limitações relevantes, incluindo a emergência de resistência por parte dos mosquitos, impactos ambientais adversos e riscos à saúde humana decorrentes do uso indiscriminado de produtos químicos (Silva et al., 2020; Lemos et al., 2021. Estudos têm evidenciado o potencial larvicida, repelente e adulticida desses óleos, devido às suas propriedades químicas e biológicas distintas (Bessa et al., 2021; Oliveira et al., 2022). Pesquisas recentes também têm sugerido sua eficácia na ação contra insetos vetores, incluindo a espécie Aedes aegypti, reforçando seu potencial no controle biológico (Merencio, 2019; Santos et al., 2020).
Objetivo: Este estudo avaliou a atividade larvicida do óleo essencial de louro (Laurus nobilis) sobre larvas de Aedes aegypti, coletado em Pérola (PR), por meio da exposição a uma gama de concentrações (de 5% a 0,019%) e da análise de dose-resposta.
Material e Métodos: O óleo essencial de louro foi obtido por hidrodestilação e posteriormente diluído em água contendo Tween 80. As concentrações testadas foram: 5; 2,5; 1,25; 0,650; 0,312; 0,156; 0,078; 0,039 e 0,019%. Cada tratamento foi realizado em duplicata, utilizando dez larvas de Aedes aegypti no 3º estágio por tubo de ensaio.Como controle positivo empregou-se Bacillus thuringiensis israelensis (Bti) a 0,001%, e como controle negativo utilizou-se solução aquosa de polissorbato 80 a 2%. Os tubos foram mantidos à temperatura ambiente por 24 horas, e a mortalidade larval foi registrada ao final do período experimental. Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA), e as concentrações letais (CL₅₀ e CL₉₉) foram estimadas por análise de probitos, utilizando o software R (versão 11.2).
Discussão: Portanto, o desenvolvimento de formulações mais eficientes e seguras, bem como estudos de impacto ambiental, são essenciais antes da sua implementação em estratégias de controle de A. aegypti (Pugliese et al., 2016). De acordo com a referência de Gómez et al. (2018), o estudo reportou um valor de CL₅₀ de aproximadamente 250 μg/mL para o óleo essencial de L. nobilis contra larvas de A. aegypti. Já Silva et al. (2019) encontrou um valor de CL₅₀ de cerca de 300 μg/mL para a mesma espécie e produto. Esses resultados reforçam a importância de investigações adicionais para a otimização das concentrações e formulações, além de avaliações de toxicidade e efeitos ambientais, a fim de viabilizar o uso do óleo de L. nobilis em programas de controle vetorial. Ademais, a variabilidade na composição química dos óleos essenciais, influenciada por fatores como origem geográfica, estágio de crescimento e métodos de extração, pode impactar na atividade larvicida, sendo necessária a padronização e controle de qualidade nas aplicações futuras (Oliveira et al., 2017). Portanto, o óleo essencial de L. nobilis apresenta-se como uma alternativa promissora e natural para o controle de insetos vetores, contribuindo para estratégias mais sustentáveis no manejo de doenças transmitidas por mosquitos. 
Conclusão: O estudo evidencia que os óleos essenciais representam alternativas promissoras para o manejo integrado de vetores, embora sua aplicação prática demande cautela. A utilização do óleo de louro deve ser considerada dentro de um contexto mais amplo de controle, associado a outras estratégias sustentáveis, para que se alcance eficácia sem comprometer a saúde humana e o equilíbrio ambiental. Ademais, é indispensável avançar em pesquisas sobre padronização, formulação e impactos ecotoxicológicos, de modo a transformar o potencial observado em uma ferramenta segura e aplicável em saúde pública.
Referências:
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