LESÃO POR PRESSÃO, ELEFANTÍASE E ERISIPELA: UM ESTUDO DE CASO  
1JULIA ROSIN, 2LEDIANA DALLA COSTA
1Acadêmica do Curso de Enfermagem/Universidade Paranaense – Unidade de Francisco Beltrão.
2Docente do departamento de Enfermagem UNIPAR/ Francisco Beltrão
Introdução: As lesões por pressão são feridas que aparecem devido fricção contínua de pressões não aliviadas sobre a pele, relacionadas ao atrito e cisalhamento. Esses aspectos podem comprometer a circulação local e ocasionar a necrose dos tecidos afetados. Normalmente, essas feridas se manifestam sobre áreas do corpo com saliências ósseas, como calcanhares, quadris e região sacral. São classificadas em quatro estágios, além da lesão por pressão não classificável e lesão tissular profunda (SOUZA et al., 2021). A Filariose Linfática, também conhecida como elefantíase é uma doença parasitária grave que pode causar incapacidades físicas duradouras. Ela é provocada pelo verme Wuchereria bancrofti e transmitida ao ser humano por meio da picada do mosquito Culex quinquefasciatus, contaminado com larvas do parasita. Os principais sinais da doença incluem edemas e acúmulo anormal de líquidos em partes do corpo, como pernas, olhos e esôfago (PARRO et al., 2023).A erisipela é uma infecção da pele, normalmente causada pela bactéria Streptococcus pyogenes. Qualquer lesão na pele, como cortes ou feridas, pode facilitar a entrada da bactéria e estimular a infecção. Alguns fatores expandem o risco de desenvolver erisipela, como idade avançada, obesidade, uso de substâncias como álcool e cigarro, diabetes e sistema imunológico debilitado. As lesões características da erisipela costumam apresentar vermelhidão, inchaço, calor e dor no local afetado. A pele pode ficar elevada e, em alguns casos, surgem bolhas e maior sensibilidade ao toque (GIROTO et al., 2024).
Relato de caso: Paciente J.M.F, masculino, 47 anos, apresenta como comorbidades obesidade e estado de acamamento, secundário à limitação funcional do tronco e dos membros inferiores, com prejuízo importante da mobilidade em decorrência de uma lesão na coluna, relacionada a uma queda previamente sofrida. Nega alergias medicamentosas, faz uso de Vonau Flash, segundo o paciente possui a vacinação em dia, mas ele não apresentou a carteira de vacina. Nega tabagismo e etilismo. Quanto a situação alimentar, menciona ter apetite reduzido, realizando em torno de 1 refeição ao dia, ingesta hídrica de 3 a 4 litros diários. Quanto às eliminações fisiológicas, apresenta SVD, evacuações presentes em fralda geriátrica. Apresenta lesão por pressão estágio 3 em região de cóccix, com presença de exsudato e odor fétido, tecido de granulação, e uma pequena epíbole da borda da ferida. MMII com pulso fraco, perfusão tissular periférica prejudicada, presença de edema secundário, crônico, ++++/++++, afetando principalmente o MID, presença de elefantíase em MMII, também sequelas de erisipela presente em região de pés e tornozelos bilateral, sem presença de movimentos e força motora.
Discussão: A prevenção das LPP pode ser realizada por meio de cuidados básicos, como a avaliação regular da pele, a mudança de decúbito a cada 2 horas, o uso de colchões adequados que aliviem a pressão, a ingesta hídrica adequada e o controle do peso corporal. O tratamento das LPP deve ocorrer de forma integrada às ações preventivas. Ele envolve cuidados locais, como a higienização adequada da ferida, a remoção de tecidos necrosados por meio desbridamento e o uso de diferentes tipos de curativos, conforme a necessidade da lesão (SOUZA et al., 2021).Os principais cuidados para o tratamento da elefantíase incluem: manter o membro afetado elevado sempre que possível para reduzir o edema, realizar higiene adequada da área para prevenir infecções, e evitar práticas que possam agredir a pele, como depilação ou remoção de cutículas. A prática de exercícios físicos também é recomendada para manter a mobilidade da articulação e favorecer a circulação, em especial nos tornozelos. Em casos específicos, pode-se indicar o uso de meias compressivas, desde que aplicada corretamente e com a pele saudável. Ademais, alimentação com pouco sal e redução de gorduras e açúcares ajuda a controlar o edema (Brasil, 2005).O tratamento da erisipela depende da gravidade do quadro, da região afetada e das condições de saúde do paciente. Em casos mais leves, utilizam-se, geralmente, de antibióticos orais. Se o paciente apresentar sinais de infecção sistêmica, o acompanhamento deve ser mais rigoroso. Além do uso de medicamentos, é importante adotar cuidados adicionais, como elevar os MMII para amenizar o inchaço, usar faixas compressivas se necessário, manter a pele limpa e hidratada, tratar adequadamente as lesões, prevenir novas feridas e realizar mudanças de decúbito frequentes (ARAÚJO; ALEXANDRINO; SOUSA, 2021).
Conclusão: Lesão por pressão, elefantíase e erisipela são condições destintas que exigem cuidados específicos e contínuos, tanto na prevenção quanto no tratamento. Ademais, por meio da revisão da literatura, foi possível identificar a importância da detecção precoce, das intervenções adequadas e da orientação aos pacientes. A atuação dos profissionais de saúde, especialmente da enfermagem, é essencial para promoção da saúde, prevenção de complicações e garantia de cuidado integral, conforme os princípios do Sistema Único de Saúde.
Referências:
ARAÚJO, Rita de Cássia; ALEXANDRINO, Arthur; SOUSA, Alana Tamar Oliveira. Erisipela e celulite: diagnóstico, tratamento e cuidados gerais. Revista Enfermagem Atual In Derme, v. 95, n. 36, 2021. Disponível em: https://mail.revistaenfermagematual.com.br/index.php/revista/article/view/1240. Acesso em: 13 jul. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Guia de vigilância epidemiológica. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2005. Disponível em: https://www.saude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2024/06/guia_vigilancia_filariose_linfatica.pdf. Acesso em: 13 jul. 2025.
GIROTO, Caroline Prado et al. Erisipela: Explorando a Contaminação e a Incidência de Lesões Causadas por Infecção Bacteriana. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 1, p. 17-28, 2024. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/1182. Acesso em: 13 jul. 2025.
MACHADO, Helen Rocha; ZANETTI, Elizabeth Macuco. O SUS E A PRIVATIZAÇÃO DA SAÚDE NO BRASIL. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 8, n. 7, p. 399-409, 2022. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/6329. Acesso em: 14 abr. 2025.
PARRO, Grecieli da Rosa et al. Elefantíase – um estudo de caso. In: SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO FÍSICA E FISIOTERAPIA, 2023. [S. l.: s. n.], 2023. Disponível em: https://eventos.ajes.edu.br/simposio-fisio-ef/uploads/arquivos/647a358c7a18b_ESTUDO-DE-CASO-ELEFANTASE-2023.pdf. Acesso em: 13 jul. 2025.
SOUZA, Giovanna da Silva Soares et al. Prevenção e tratamento da lesão por pressão na atualidade: revisão de literatura. Research, Society and Development, v. 10, n. 17, p. e61101723945, 2021. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/23945. Acesso em: 13 jul. 2025.