IDOSOS EM INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA: FATORES DETERMINANTES E IMPLICAÇÕES   
1MONIQUE APARECIDA FRANCO FERRO, 2BIANCA YANAGA TAKEUTI, 3BRUNA RAFAELA TORRES ALCANTARA, 4JULIA BUENO PEREIRA AFONSO, 5MARIA CLARA SILGUEIRO DA SILVA, 6ELENIZA DE VICTOR ADAMOWSKI
1Acadêmico do curso de medicina da UNICESUMAR
2Acadêmico do curso de medicina da UNICESUMAR
3Acadêmico do curso de medicina da UNICESUMAR
4Acadêmico do curso de medicina da UNICESUMAR
5Acadêmico do curso de medicina da UNICESUMAR
6Docente Dr. do curso de medicina da UNICESUMAR
Introdução: O envelhecimento populacional no Brasil tem avançado de forma rápida e significativa, impulsionado pelo aumento da expectativa de vida. Como resultado, o país pode ter 75,3 milhões de pessoas idosas em 2070, quando os representantes desta faixa etária chegarão a ser 37,8% do total da população (IBGE, 2022). Culturalmente, é esperado que os membros da família cuidem de seus idosos e assumam a responsabilidade por seus cuidados no ambiente familiar. No entanto, em determinadas situações, a disponibilidade dos familiares exercerem o cuidado para com o idoso pode estar comprometida ou fragilizada e então, a institucionalização é uma das soluções encontradas. Dessa forma, as instituições de longa permanência para idosos (ILPI) fazem parte de um sistema social que visa amparar idosos em estado de vulnerabilidade, sem condições de prover sua própria subsistência e/ou sem vínculo familiar (Henke et al., 2023).
Objetivo: Foi realizada uma revisão de literatura com busca de trabalhos nas plataformas Capes, Google Acadêmico, LILACS e SciELO, com as palavras chave “idosos”, “idosos em asilos” e “instituições de longa permanência” e foram selecionados 6 trabalhos para discutir sobre os motivos que levam a institucionalização dos idosos.
Desenvolvimento: A institucionalização de idosos é um fenômeno complexo e multifatorial, que reflete transformações profundas nas estruturas familiares, sociais e nos sistemas de cuidado. Nesse viés, os principais motivos para institucionalização da pessoa idosa estão relacionados aos fatores demográficos, sociais, familiares e de saúde (Lourenço; Santos, 2020). Assim, no quesito demográfico, há prevalência do sexo feminino, justificada pela preocupação exacerbada de causar incomodo aos seus familiares e pela maior incidência no número de mortes do sexo masculino em relação ao feminino (IBGE, 2022). Ainda nessa questão, outros fatores são a idade - média de 70 anos, consequência do aumento da expectativa de vida -  e o estado civil, com predominância de solteiros, divorciados e viúvos (Henke et al., 2023) pois, com a perda do cônjuge ou a separação, o idoso tende a evitar novos relacionamentos, optando pela solidão, o que o torna mais vulnerável e propenso à institucionalização. Além disso, questões sociais e condições de saúde interferem diretamente a esse encaminhamento, uma vez que a família, quando possui um idoso com alto grau de dependência sob seus cuidados, está suscetível às constantes pressões financeiras, sobrecarga física e reorganização na rotina familiar e dos cuidadores responsáveis (Ribeiro et al., 2021). Desse modo, muitos idosos sentem-se como um “peso” aos seus familiares pelo fato de sua renda não condizer com o sustento e necessidades dele e de  sua  família,  preferindo  esse  optar  por uma  vida  solitária. Em virtude disso, os idosos que vivem em ILPI, apesar de possuírem familiares, aceitam viver na instituição devido à solidão experimentada e às condições de saúde que aumentam as necessidades de cuidados e companhia, podendo construir relações de afeto nesse local (Ribeiro et al., 2021). Ademais, a história de vida do idoso também é um fator determinante, pois há aqueles que se distanciaram das suas famílias ou mantiveram relações conflituosas e permeadas por mágoas, muitas vezes envolvendo maus-tratos ou situações na qual o indivíduo fica desabrigado, que culminam no distanciamento ou abandono familiar (Teixeira; Cavalcante, 2024). Outrossim, o etarismo é um fator relevante para a institucionalização do idoso, visto que a sociedade o rejeita quando estes indivíduos sentem a fragilização do corpo e já não produzem bens como antes - essa impossibilidade de realizar as atividades básicas e instrumentais está fortemente relacionada à presença da vulnerabilidade clínico-funcional, associadas às condições de saúde desse idoso (Ribeiro et al., 2021) - já quando ofereciam sua força de trabalho eram tidos como úteis e, por perderem seu papel de produtores na sociedade, são descartados (Callefi; Ichikawa 2021). Mediante ao exposto, a institucionalização pode significar uma alternativa de amparo, proteção e segurança ao indivíduo idoso (Lourenço; Santos, 2020).
Conclusão: Diante da análise, verificou-se que existem diversos fatores que levam os idosos a serem institucionalizados, passando essa a ser a solução mais viável mediante a problemas familiares - negligência, maus-tratos, etarismo, conflitos e solidão - socioeconômicos - pressões financeiras, impossibilidade de trabalho e situação de rua - e de saúde - comorbidades, dependência de cuidado e fragilidade. Portanto, é possível identificar que as instituições de longa permanência para idosos, apesar dos estigmas da sociedade, são um refúgio, onde os idosos podem continuar a vida com mais dignidade.
Referências:
CALLEFI, Jéssica Syrio; ICHIKAWA, Elisa Yoshie. O cotidiano e a territorialização dos idosos em um asilo do Norte do Paraná. Revista Eletrônica de Ciência Administrativa, v. 20, n. 2, p. 350–371, 2021. Disponível em: https://www.periodicosibepes.org.br/index.php/recadm/article/view/3277 . Acesso em: 05 jul. 2025.
HENKE, Carolina et al. Caracterização sociodemográfica e clínica de residentes de uma instituição de longa permanência para idosos. HU Revista, v. 49, p. 1–8, 2023. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/hurevista/article/view/40623/27072 . Acesso em: 05 jul. 2025. 
IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2022: Panorama. Brasília, 2022. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/indicadores.html?localidade=BR&tema=1. Acesso em: 05 jul. 2025.
LOURENÇO, Luciana de F. Leite; SANTOS, Silvia M. Azevedo dos. Institucionalização de idosos e cuidado familiar: perspectivas de profissionais de instituições de longa permanência. Cogitare Enfermagem, v. 26, p. 1-11, 14 dez. 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cenf/a/qXPKtKmHdTGJMvxyThMGGLK/ . Acesso em: 05 jul. 2025.
RIBEIRO, Dayane A. Toledo et al.Vulnerabilidade, violência familiar e institucionalização: narrativas de idosos e profissionais em centro de acolhimento social. Revista Gaúcha Enfermagem. p. 1-9, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rgenf/a/HM9Sh4CS6WkGXFfGDs6D9Gf/?lang=pt&format=. Acesso em: 05 jul. 2025
TEIXEIRA, Leila D. S. Ferreira; CAVALCANTE, Francisca Verônica. Causas da institucionalização de idosos/as em ILPI no estado do Maranhão. Revista Foco: n. 8, v. 17, p. 01-23, ago. 2024. Disponível em: https://ojs.focopublicacoes.com.br/foco/article/view/5719/4273 . Acesso em: 05 jul. 2025.