![]() | |
|---|---|
![]() | |
| O PAPEL DO CÃO DOMÉSTICO (Canis familiaris) COMO POSSÍVEL SENTINELA NA DETECÇÃO DA FEBRE MACULOSA BRASILEIRA | |
| 1KARINY APARECIDA JARDIM RUBIO, 2HENRIQUE SUSUMU TANAKA, 3JORGE FERNANDES DE AZEVEDO, 4HALISON MURILO DA SILVA OLIVEIRA, 5FRANCIELI GESLEINE CAPOTE BONATO, 6DANIELA DIB GONÇALVES | |
| 1Pós-graduandos do PPGCA Bioativos, Universidade Paranaense, Umuarama 2Pós-graduandos do PPGCA Bioativos, Universidade Paranaense, Umuarama 3Pós-graduandos do PPGCA Bioativos, Universidade Paranaense, Umuarama 4Pós-graduandos do PPGCA Bioativos, Universidade Paranaense, Umuarama 5Pós-graduandos do PPGCA Bioativos, Universidade Paranaense, Umuarama 6Docente da UNIPAR |
|
| Introdução: A febre maculosa brasileira (FMB) é uma rickettsiose zoonótica de notificação compulsória, pertencente ao grupo da febre maculosa (GFM), transmitida por carrapatos contaminados do gênero Amblyomma, principalmente A. sculptum, A. aureolatum e A. ovale, apresentando elevada relevância no contexto da saúde única devido à gravidade clínica e ao impacto em saúde pública, sendo que no Brasil os principais agentes etiológicos são Rickettsia rickettsii, associada a quadros graves e de alta letalidade e Rickettsia parkeri cepa Atlantic rainforest, responsável por formas mais brandas, ambas capazes de infectar seres humanos (Campos et al., 2017; Campos et al., 2022; Brasil, 2024; Rosa-Xavier et al., 2025). Embora descrita desde o início do século XX, a FMB é atualmente classificada como doença reemergente em áreas historicamente endêmicas e emergente em regiões sem registros prévios, cenário favorecido por mudanças ambientais, expansão de áreas de preservação, aumento de hospedeiros amplificadores e maior interação entre humanos e animais em ambientes de risco (Anderson et al., 2018; Campos et al., 2022; Rosa-Xavier et al., 2025). Nesse contexto, a abordagem integrada de saúde única (One Health), que considera de forma indissociável a saúde humana, animal e ambiental, é essencial para o monitoramento e controle da FMB, sendo que cães domésticos (Canis familiaris) têm se destacado como sentinelas eficientes por compartilharem habitat e vetores com seres humanos, circularem em áreas de risco e frequentemente apresentarem evidências sorológicas de exposição antes de casos humanos, característica que possibilita a detecção precoce de áreas de transmissão e o direcionamento de ações preventivas (Anderson et al., 2018; Campos et al., 2017). Assim, compreender a dinâmica epidemiológica da FMB e o papel dos cães como sentinelas contribui para aprimorar estratégias de vigilância e prevenção, reduzindo o impacto da doença na população humana e animal. Objetivo: Avaliar o papel de cães domésticos como possíveis sentinelas na detecção e no monitoramento da circulação de Rickettsia spp. em áreas de risco para FMB. Desenvolvimento: A febre maculosa brasileira permanece como um desafio para a saúde única por diferentes motivos, entre eles, destaca-se a elevada taxa de letalidade em humanos, especialmente quando o diagnóstico e o tratamento são realizados tardiamente (Brasil, 2024). Outro fator relevante é o grande potencial de expansão geográfica, cuja dispersão está relacionada ao ciclo de transmissão que, no Brasil, envolve principalmente carrapatos do gênero Amblyomma, responsáveis por veicular a bactéria aos hospedeiros durante a alimentação (Carvalho Júnior et al., 2025; Rosa-Xavier et al., 2025). Mamíferos silvestres e domésticos atuam como hospedeiros intermediários, com destaque para as capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris), importantes amplificadores de Rickettsia rickettsii. Os equídeos, embora não transmitam o agente, funcionam como hospedeiros de manutenção e sentinelas sorológicos, enquanto cães domésticos compartilham ambientes e vetores com humanos, apresentando frequentemente evidências sorológicas antes da ocorrência de casos humanos (Anderson et al., 2018; Campos et al., 2017; Campos et al., 2022; Rosa-Xavier et al., 2025). Pesquisas indicam que cães de áreas endêmicas demonstram soropositividade para Rickettsia spp. antes do surgimento de casos humanos, funcionando como indicadores para mapear áreas de risco e antecipar ações de controle, como campanhas de conscientização, manejo de hospedeiros e controle de vetores. A adoção de protocolos de vigilância que incluam amostragem sorológica canina associada a dados ambientais e à ocorrência de carrapatos pode otimizar a identificação de possíveis áreas endêmicas e orientar políticas públicas, sendo uma estratégia particularmente relevante em regiões onde a FMB é emergente e permitindo ações preventivas antes de surtos humanos (Rosa-Xavier et al., 2025). Conclusão: O uso de cães domésticos como possíveis sentinelas é uma estratégia eficaz para identificar a febre maculosa antes que ocorram casos em humanos em regiões endêmicas. A detecção precoce possibilita ações rápidas, como o controle de carrapatos, o manejo de hospedeiros e a realização de campanhas de orientação. Integrada ao conceito de saúde única, essa prática fortalece a vigilância epidemiológica, contribui para reduzir a quantidade de casos e mortes e protege a saúde de pessoas e animais. |
|
| Referências: ANDERSON, N.E.; BOWSER, N.H. Dogs (Canis Familiaris) as sentinels for human infectious disease and application to canadian populations: a systematic review. Veterinary Sciences, Basileia, v. 5, n. 83, p. 1-24, Set. 2018. Disponível em: DOI:10.3390/vetsci5040083. Acesso em: 14 ago. 25. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Ações Estratégicas de Epidemiologia e Vigilância em Saúde e Ambiente. Guia de vigilância em saúde. Brasília, DF, 2024. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_6edrev_v3.pdf. Acesso em: 13 ago. de 2025. CAMPOS, S.D.E. et al. Circulação de Rickettsias do grupo da febre maculosa em cães no entorno de unidades de conservação federais do estado do Rio de Janeiro: evidência sorológica e fatores associados. Pesquisa Veterinária Brasileira, Paraíba, v. 37, n. 11, p. 1307-1312, Nov. 2017. Disponível em: DOI: 10.1590/S0100-736X2017001100018. Acesso em: 14 ago. 25. CAMPOS, J.B.V. et al. Serological exposure of spotted fever group Rickettsia in capybaras (Hydrochoerus hydrochaeris) from urban parks in Campo Grande, Brazilian Midwest. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Uberaba, v. 55, n. 1, p. 1-4, Jul. 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0037-8682-0192-2022. Acesso em: 14 ago. 25. CARVALHO JÚNIOR, C.G. et al. Brazilian spotted fever in urban environments: control strategies and measures for risk reduction. Discover Applied Sciences, Cham, v. 7, n. 333, p. 1-13, Fev. 2025. Disponível em: doi.org/10.1007/s42452-025-06626-w. Acesso em: 14 ago. 25. ROSA-XAVIER, I.G. et al. OneHealth approach to Brazilian spotted fever: capybaras, horses, and rural areas as predictors for human disease. Pathogens, Basileia, v. 14, n. 305, p. 1-10, Mar. 2025. Disponível em: doi.org/10.3390/pathogens14040305. Acesso em: 14 ago. 25. |
|