IMPACTOS DOS ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS (AINES) NA OSSEOINTEGRAÇÃO E NO METABOLISMO ÓSSEO ASSOCIADO À IMPLANTES DENTÁRIOS  
1RODRIGO OSORIO DA SILVA, 2DANIELA DE CASSIA FAGLIONI B CERANTO, 3MAISA SANTOS DA FONSECA, 4PATRICIA GIZELI BRASSALLI DE MELO
1Acadêmico bolsista PIBEX/UNIPAR
2Docente da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
Introdução: Os implantes dentários destacam-se como um método de reabilitação oral moderno para pacientes desdentados, quando comparados às próteses e suas correspondentes limitações (Albrektsson et al., 2017). Com o avanço tecnológico, essa opção torna-se cada vez mais acessível e vantajosa. Entretanto, é de conhecimento científico que agentes farmacológicos sistêmicos, como os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), podem influenciar positiva ou negativamente o processo de osseointegração e o metabolismo ósseo, tornando essencial a seleção adequada da droga prescrita neste contexto (Apostu et al., 2017).
Objetivo: Realizar uma revisão de literatura acerca dos efeitos dos efeitos dos anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) sobre o metabolismo e osseointegração ao redor de implantes dentários. Foram selecionados artigos publicados a partir de 2014 nas bases PubMed, SciELO e Google Acadêmico, utilizando os descritores: implantes dentários, AINES, osseointegração e anti-inflamatórios.
Desenvolvimento: Atualmente, sabe-se que a enzima ciclooxigenase (COX) desempenha funções essenciais para uma osseointegração adequada, estando relacionada à clivagem do ácido araquidônico em prostanoides e à subsequente redução da síntese de prostaglandinas, as quais exercem papel fundamental na sintomatologia dolorosa (Lupepsa et al., 2015). As prostaglandinas participam de diversos processos biológicos, regulando a formação e a absorção óssea durante os processos de reparação e remodelação. Na tentativa de elucidar os mecanismos dos efeitos deletérios, estudos apontam que a COX-2 participa diretamente no processo de neoformação óssea, ao estimular a expressão da proteína morfogenética óssea 2 (BMP-2), relacionada à diferenciação e à atividade osteoblástica (Lupepsa et al., 2015). Para a comprovação dessa interação (COX/BMP-2), estudos in vitro demonstraram a redução dos níveis de BMP-2 em culturas de células mesenquimais humanas, após a adição de um inibidor seletivo de COX-2 (NS-398), confirmando que a PGE2 endógena, produzida pela COX, é essencial para a expressão dessa proteína (Costa et al., 2020). Evidências apontam que os AINEs podem interferir negativamente no metabolismo ósseo devido à inibição da síntese de PGE2, a qual, conforme descrito, exerce papel chave na remodelação óssea (Dantas et al., 2016). De forma preocupante, com o surgimento de AINEs seletivos para COX-2, observou-se que esse efeito prejudicial pode ser ainda maior, com redução significativa da densidade e da extensão de tecidos ósseos em contato direto com a superfície do implante (Apostu et al., 2017). Estudos in vivo também confirmam esses achados. Em um modelo experimental, observou-se que animais tratados com celecoxibe por cerca de 30 dias apresentaram consolidação óssea prejudicada após oito semanas de tratamento, enquanto outros relatos indicam que esses fármacos podem até bloquear a ossificação endocondral (Tamini et al., 2014). Outro estudo, com ratos submetidos à fraturas de fêmur, constatou atraso no processo de cura óssea em grupos tratados com celecoxibe (seletivo COX-2) e indometacina (não seletiva), reforçando o efeito deletério dos AINEs na consolidação óssea (Apostu et al., 2017). 
Conclusão: Através da literatura é possível observar que a COX-2 demonstra exercer função fundamental no reparo ósseo após instalação de implantes. A maioria dos estudos demonstrou que os AINES inibidores seletivos ou preferenciais de COX-2 são fármacos que podem interferir no metabolismo ósseo de implantes dentários. Neste sentido, considerando a relevância destes resultados, se faz necessário mais estudos prospectivos e retrospectivos em larga escala, a fim de estabelecer o real efeito clínico que a inibição do sistema de COX por um AINEs pode gerar sobre a osseointegração.
Referências:
ALBREKTSSON, T. et al. Initial and long-term crestal bone responses to modern dental implants. Periodontology 2000, v. 73, n. 1, p. 41-50, 2017.
APOSTU, D. et al. Systemic drugs that influence titanium implant osseointegration. Drug Metabolism Reviews, v. 49, n. 1, p. 92-104, 2017.
COSTA, C. E. S. et al. Antimicrobial Activity of Barbatimão Glycol Extract on Streptococcus mutans. 2020. Trabalho de Conclusão de Curso (Stricto Sensu Post-Graduate Program in Dentistry) - UNAR, PR, Brazil, 2020.
DANTAS, L. Q. et al. O uso de medicações: do saber popular ao conhecimento científico. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE – CONBRACIS, 2016. Anais [...]. 2016.
LUPEPSA, A. C. et al. Biological importance of cyclooxygenase (COX) and the effect of anti-inflammatory on osseointegration. Brazilian Journal of Periodontology, v. 25, n. 4, dez. 2015.
TAMINI, T. B. et al. Osseointegration of dental implants in 3D-printed synthetic onlay grafts customized according to bone metabolic activity in recipient site. Biomaterials Research, v. 5, n. 21, p. 5436-45, 2014.