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| ALTERAÇÕES PERCEPTÍVEIS EM BOCA RELACIONADAS À XEROSTOMIA PELO USO DE ISOTRETINOÍNA (ÁCIDO 13-CIS-RETINÓICO) | |
| 1RODRIGO OSORIO DA SILVA, 2CASSIA MORETTI LIUTTI, 3AMANDA TOLOTTO VALOTO, 4PATRICIA GIZELI BRASSALLI DE MELO, 5DANIELA DE CASSIA FAGLIONI B CERANTO | |
| 1Acadêmico bolsista do PIBEX/UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR 4Docente da UNIPAR 5Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A acne é uma doença inflamatória de pele, crônica, autolimitada e multifatorial, que acomete os folículos pilossebáceos de seres humanos, sendo observada com maior frequência em adolescentes e adultos jovens, embora possa também estar presente em outras faixas etárias (MARQUES, 2024). Sua etiologia envolve fatores como hiperprodução sebácea, alterações hormonais, colonização bacteriana, inflamação e predisposição genética. O impacto da acne vai além da saúde física, podendo afetar significativamente a autoestima, a qualidade de vida e a saúde psicológica dos pacientes. Objetivo: Este trabalho tem como objetivo apresentar uma breve revisão de literatura sobre o uso da isotretinoína no tratamento da acne e suas implicações, com destaque para a xerostomia. Foram selecionados artigos publicados a partir de 2016 nas bases PubMed, SciELO e Google Acadêmico, utilizando os descritores: acne, odontologia, isotretinoina e xerostomia. Desenvolvimento: Dentre as opções terapêuticas existentes, a isotretinoína representa um dos fármacos mais eficazes para casos graves ou resistentes aos tratamentos convencionais. Trata-se de um retinoide derivado da vitamina A, conhecido como ácido 13-cis-retinoico, cuja introdução para uso clínico ocorreu em 1979, após observações de que sua administração estava associada à redução da oleosidade e secura cutânea na face (MIRANDA, 2023). Desde então, o medicamento passou a ser considerado um marco no tratamento da acne severa e recidivante, principalmente, por apresentar altas taxas de remissão. No entanto, apesar de sua eficácia, a isotretinoína é associada a uma série de efeitos adversos, que podem variar de manifestações leves à complicações sistêmicas significativas, incluindo alterações na cavidade oral (MENDES et al., 2016). Estudos que analisaram os efeitos da isotretinoína e da acitretina especificamente nos tecidos bucais ainda são limitados. Contudo, a literatura descreve manifestações clínicas relevantes, sendo a xerostomia uma das mais frequentes (MENDES et al., 2016). A xerostomia pode comprometer diretamente a saúde oral e a qualidade de vida dos pacientes em tratamento, visto que a saliva exerce funções fundamentais na proteção da mucosa oral, na lubrificação, na digestão inicial dos alimentos e no equilíbrio da microbiota oral (MARQUES, 2024). A atividade protetora da saliva depende de fatores como o fluxo salivar (FS), o pH e a capacidade tampão salivar (CTS). A redução de qualquer um desses parâmetros pode alterar o equilíbrio fisiológico da cavidade oral. Durante o tratamento com isotretinoína, observa-se diminuição significativa da função das glândulas salivares, levando à hipossalivação e, consequentemente, ao aumento da vulnerabilidade à xerostomia (GOMES et al., 2019). Essa alteração funcional não apenas compromete o conforto bucal, mas também favorece o desenvolvimento de cáries, infecções oportunistas, dificuldade mastigatória, disfagia e alterações no paladar. A xerostomia é entendida como uma sensação subjetiva de boca seca, que pode ocorrer independentemente da diminuição real no FS. Esse sintoma pode estar associado tanto à redução objetiva do fluxo salivar quanto à alterações na sua composição bioquímica (MIRANDA, 2023). A hipossalivação é considerada uma das principais causas da xerostomia e pode resultar em complicações como hipogeusia (redução da percepção gustativa), ageusia (perda total da capacidade de sentir sabores) ou disgeusia (distorção da percepção gustativa, como confundir o gosto salgado com o doce) (GOMES et al., 2019). Diante do exposto, percebe-se que o uso da isotretinoína, embora extremamente eficaz para o controle da acne severa, pode provocar repercussões importantes na cavidade oral. Tais efeitos adversos, especialmente a xerostomia e suas consequências, podem comprometer não apenas a saúde bucal, mas também o bem-estar geral e a adesão ao tratamento (MENDES et al., 2016). Conclusão: Assim, torna-se essencial que cirurgiões-dentistas e demais profissionais de saúde estejam atentos a essas manifestações, orientando os pacientes quanto às possíveis complicações e instituindo medidas preventivas e terapêuticas adequadas. Apesar dos avanços nas pesquisas, ainda existem lacunas significativas no conhecimento científico sobre a relação entre isotretinoína e alterações orais. Portanto, evidencia-se a necessidade de mais estudos clínicos e laboratoriais de maior abrangência, que permitam compreender com clareza os mecanismos envolvidos e estabelecer estratégias eficazes de prevenção e manejo desses efeitos adversos. |
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| Referências: GOMES, A. P. M., et al. The effect of isotretinoin on xerostomia, pH and flow salivary. Journal of Health Sciences, São Paulo, v. 18, n. 1, p. 13-17, 2019. MARQUES, G. de S. Revisão integrativa sobre os problemas envolvidos no uso de isotretinoína oral no tratamento de acne. 2024. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Farmácia) – Universidade Federal do Amazonas, Itacoatiara, 2024. MENDES, V. da S., et al. Efeitos do uso da isotretinoína e acitretina nos tecidos bucais: revisão de literatura. Arquivo Brasileiro de Odontologia, Minas Gerais, v. 12, n. 1, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, 2016. MIRANDA, A. C. B. Alterações na cavidade oral associadas ao uso de isotretinoína. 2023. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Odontologia) – Centro Universitário UniGuairacá, Guarapuava, 2023. |
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