BAIXA COBERTURA VACINAL E O IMPACTO NAS DOENÇAS REEMERGENTES NO BRASIL  
1KAUANE VITORIA RIGO CARVALHO, 2GESSICA TUANI TEIXEIRA
1Acadêmico do curso de Enfermagem da UNIPAR
2Docente da UNIPAR
Introdução: Segundo a professora de infectologia da PUCRS, Patricia Fisch, a vacinação em massa foi fundamental para erradicação da varíola em 1971 e a partir disso almejou-se que a imunização pudesse erradicar e controlar mais doenças. Em 1975 foi criado o Programa Nacional de Imunização (PNI) e é até hoje o maior programa público de vacinação do mundo, contendo 48 imunobiológicos, sendo reconhecido como referência mundial (BRASIL, 2022).
Através deste foi possível controlar doenças como coqueluche, poliomielite, rubéola, sarampo e meningites (BRASIL, 2024). Embora as vacinas tenham comprovação científica de sua eficácia, sua baixa adesão traz preocupações sobre o possível retorno de doenças controladas (BUTANTAN, 2022b).
Neste cenário, doenças reemergentes são aquelas que, após serem controladas ou erradicadas, surgem novamente no contexto atual de saúde (FIOCRUZ, 2020), e podem estar associadas a fatores econômicos, transporte, ambientais, sociais, políticos, mudança e adaptação de organismos e fatores demográficos (MORAIS et al, 2020).
Objetivo: Analisar através de artigos relevantes a baixa adesão à vacina e suas possíveis consequências, por meio de revisão bibliográfica.
Desenvolvimento: As vacinas são instrumentos indispensáveis para saúde pública, para controle e manutenção da mesma (VIANA, 2024). Embora tenha grande importância, a cobertura vacinal no Brasil tem sofrido queda desde 2017 trazendo de volta doenças que até então eram consideradas erradicadas, como o sarampo, (erradicado em 2016) aumentando preocupações acerca do retorno de outras doenças como poliomielite e meningite, além da pandemia de COVID-19 ser um fator agravante para a queda contínua da vacinação (FIOCRUZ, 2022).
Além disso, outro impacto da baixa adesão à vacina é o aumento de crianças expostas à doença (BUTANTAN, 2022a). A vacinação infantil depende do responsável pela criança que deverá leva-la para ser imunizada, porem a incerteza por fatores como a falta de acesso a informação e a baixa expectativa acerca da doença impactam os índices de imunização (MORAIS et al, 2020).  Com a baixa adesão à vacinação, o efeito rebanho também é reduzido, expondo assim pessoas que ainda não podem ser imunizadas ou que possuem alguma condição que as impede, como imunossuprimidos, possibilitando surtos ao facilitar a disseminação da doença (BRASIL, 2023).
Assim como o sarampo, outra doença com muitos casos recentes foi a meningite, que tem fator viral ou bacteriano. Instituída no PNI desde 2010, a vacina contra a meningite apresentou quedas significativas até 2022, tendo seu impacto evidenciado pelos surtos da doença no mesmo ano e sua taxa de cobertura vacinal sendo apenas de 78,6% (DA SILVA et al., 2023).
Ademais, outra doença que com a baixa adesão a vacinação corre risco de reemergir é a poliomielite. A doença foi considerada erradicada no Brasil em 1989 graças ao avanço das campanhas de vacinação e vigilância sanitária (FIOCRUZ, 2022), porém, atualmente a taxa de cobertura vacinal vem ameaçando a saúde brasileira, sendo esta 86,5% em 2023, abaixo da meta de 95% instituída pelo Ministério da Saúde (BUTANTAN, 2022a), podendo ser também justificada pelo argumento de que, por ser erradicada a doença não existe e não necessita da vacinação, um crença errônea que contribuiu para surtos da doença (MORAIS et al, 2020).
Conclusão: A vacinação vem mostrando sua eficácia ao longo dos anos através do controle e erradicação das doenças, e, embora eficiente, está sofrendo quedas nas taxas nos últimos anos, por fatores como desinformação e não credibilidade na vacina. Dessa forma é necessário combater os fatores que causam a baixa cobertura vacinal, através de campanhas e vigilância sanitária, para que assim doenças já controladas se tornem reemergentes.
Referências:
ADMIN. Conheça a importância da vacinação para erradicar doenças. Disponível em: https://portal.pucrs.br/noticias/pesquisa/doencas-erradicadas-vacinacao/.  Acesso em 15 agosto 2025.
BRASIL, 2022. PNI: entenda como funciona um dos maiores programas de vacinação do mundo. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/agosto/pni-entenda-como-funciona-um-dos-maiores-programas-de-vacinacao-do-mundo. Acesso em: 22 jul. 2025.
BRASIL, 2023. O que é imunidade coletiva ou “imunidade de rebanho”? Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/faq/vacinas/o-que-e-imunidade-coletiva. Acesso em: 22 jul. 2025.
BRASIL, 2024. Nova campanha do Ministério da Saúde estimula vacinação para toda vida. Disponível em: https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202412/nova-campanha-do-ministerio-da-saude-reforca-importancia-da-imunizacao-de-rotina. Acesso em: 22 jul. 2025.
BUTANTAN, 2022a. Doenças erradicadas podem voltar: conheça quatro consequências graves da baixa imunização infantil. Disponível em: https://butantan.gov.br/noticias/doencas-erradicadas-podem-voltar-conheca-quatro-consequencias-graves-da-baixa-imunizacao-infantil-. Acesso em: 13 jan. 2025.
BUTANTAN, 2022b. Queda nas taxas de vacinação no Brasil ameaça a saúde das crianças. Disponível em: https://butantan.gov.br/noticias/queda-nas-taxas-de-vacinacao-no-brasil-ameaca-a-saude-das-criancas. Acesso em: 14 jan. 2025.
DA SILVA, T. A. et al. O impacto da cobertura vacinal contra a meningite meningocócica C sobre o número de casos de meningite C no Brasil entre 2008 e 2022. The Brazilian Journal of Infectious Diseases, v. 27, 1 out. 2023. Disponível em: https://bjid.org.br/en-o-impacto-da-cobertura-vacinal-articulo-S1413867023003616. Acesso em: 22 jul. 2025.
FIOCRUZ, 2020. Poliomielite. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/doenca/poliomielite. Acesso em: 14 jan. 2025.
FIOCRUZ, 2022. Vacinação infantil sofre queda brusca no Brasil. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/noticia/vacinacao-infantil-sofre-queda-brusca-no-brasil. Acesso em: 13 jan. 2025.
MORAIS, K. V. R. et al. As doenças emergentes e reemergentes e seus determinantes / Emerging and reemerging diseases and their determinantsBrazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 3, n. 4, p. 11227–11241, 2020. DOI: 10.34119/bjhrv3n4-370. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/15843. Acesso em: 13 jan. 2025.
VIANA, Rafaela Rodrigues. Cobertura vacinal em queda: a saúde coletiva em risco de doenças virais reemergentes no Brasil. 2024. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) – Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2024. Disponível em: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/77175. Acesso em: 13 jan. 2025.