ENDOMETRITE FÚNGICA EM ÉGUAS – REVISÃO DE LITERATURA  
1LETÍCIA OBO ANDREGHETTI, 2CECILIA APARECIDA SPADA, 3MARIA DAMARIS RIBEIRO CAVALCANTE, 4MARIANA TROMBELA, 5VITÓRIA OLINGER DE SOUSA, 6DENIS VINICIUS BONATO
1Bolsista CNPq do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos - Universidade Paranaense - UNIPAR, Umuarama
2Discente do programa de pós-graduação em ciência animal com ênfase em produtos bioativos - Universidade Paranaense-UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Mestrado Em Ciência Animal Com Ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina Veterinária da UNIPAR
5Acadêmica do Curso de Medicina Veterinária da UNIPAR
6Docente do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos da Universidade Paranaense - UNIPAR
Introdução: A equinocultura exerce uma influência notável na economia mundial. Um dos importantes segmentos desse mercado é a criação e comercialização de diversas raças equinas, que tem crescido principalmente após a implementação de biotecnologias reprodutivas (Poggi; Ambrojo, 2023). Entretanto, o desempenho reprodutivo tem sido afetado pela prevalência significativa de problemas relacionados à fertilidade (Camargo, 2023). Uma das principais causas de infertilidade é a endometrite, uma afecção que compromete a saúde uterina da égua (Köhne et al., 2024).
Objetivo: Revisar sobre as causas da endometrite fungica em éguas, bem como suas consequências e formas de tratamento.
Desenvolvimento: A endometrite é identificada como a terceira condição de maior prevalência em equinos (Canisso; Segabinazzi; Fedorka, 2020). Esta afecção é caracterizada por infecção e/ou inflamação do endométrio, que pode apresentar-se de forma crônica ou aguda (Ravaioli et al., 2022). A inflamação endometrial possui várias etiologias, podendo ser de origem infecciosa, quando causada por bactérias ou fungos, ou não infecciosa, resultante de reações ao sêmen ou produtos inflamatórios após a inseminação ou a monta natural (Scott et al., 2022). A endometrite fúngica tem sido frequentemente atribuída ao uso prolongado ou inadequado de terapias antibióticas intrauterinas, que eliminam os organismos comensais, como os Lactobacillus spp., os quais secretam substâncias antifúngicas, alteram o pH vaginal e competem por espaço e nutrientes com microrganismos patogênicos (Sharifzadeh; Shokri, 2021; Köhne et al., 2024). A ausência desses organismos favorece a invasão e disseminação dos fungos (Scott, 2020). Além disso, Nielsen, Fog e Bojesen (2021) ressaltam que essa infecção também pode ser consequência de imunossupressão, alterações anatômicas do sistema reprodutivo da égua ou de uma coinfecção. Os dados encontrados na literatura mostram variações significativas nas taxas de diagnóstico de endometrite fúngica, variando de 1 a 13,5% (Ribas; Carvalho; Stussi, 2014; Ravaioli et al., 2022). Uma pesquisa realizada no Brasil por Amaral et al. (2007), constatou uma prevalência de 13,5%, sugerindo que essa infecção pode ser mais comum em regiões tropicais, onde o ambiente e o clima favorecem o desenvolvimento do fungo durante o ano todo. O aumento nos casos têm sido atribuídos à manipulação uterina excessiva decorrente do uso de biotecnologias reprodutivas, como a IA e a TE, pois podem facilitar o carreamento mecânico do fungo para o útero (Do Nascimento Júnior et al., 2021). Além disso, a utilização prolongada de progesterona em alguns protocolos reprodutivos pode reduzir a capacidade dos leucócitos no combate a agentes patogênicos, uma vez que o aumento nos níveis de óxido nítrico pode inibir a resposta imune, aumentando os riscos de infecção (Ribas; Carvalho; Stussi, 2014). A maioria das endometrites fúngicas são de caráter crônico e são diagnosticadas principalmente em éguas que apresentam alterações nos mecanismos de defesa uterina (Morris; Mccue; Aurich, 2020). Os casos agudos são mais raros, mas podem ocorrer após abortos de origem micótica (Petrites-Murphy et al., 1996). O prognóstico depende da evolução do caso e do tipo de agente etiológico envolvido. O Aspergillus spp. (fungos filamentosos) e a Candida spp. (leveduras), são os principais agentes causadores, cada um possui tratamentos e prognósticos diferentes, dessa forma é imprescindível que haja um diagnóstico preciso (Nielsen; Fog; Bojesen et al., 2021). O tratamento para endometrite fúngica geralmente envolve a resolução dos fatores predisponentes e a administração de agentes antifúngicos, com destaque para os polienos, imidazóis e tiazóis. No entanto, o sucesso terapêutico é limitado, com taxas de eficácia que não ultrapassam 20%, resultando em um prognóstico reservado (Köhne et al., 2024). Devido à resistência crescente dos fungos e ao número limitado de antifúngicos disponíveis para tratar infecções genitais fungicas, há necessidade da realização de pesquisas que busquem encontrar alternativas viáveis para o tratamento (Rhimi et al., 2022).
Conclusão: Após o levantamento bibliográfico realizado, evidencia-se que a endometrite fúngica é uma enfermidade de grande influência na reprodução equina, principalmente devido ao seu difícil tratamento. Dessa forma, devem ser adotadas medidas profiláticas, além da realização de pesquisas para encontrar alternativas viáveis de tratamento.
Referências:
AMARAL, M. G. et al. Endometrite equina. Fungos e bactérias. Arch Zootec, v. 216, p. 875-884, 2007.
CAMARGO, C. E. A arte de inseminar éguas com sêmen congelado. Revista Brasileira de Reprodução Animal, v. 47, n. 2, p. 226-230, 2023.
CANISSO, I. F.; SEGABINAZZI, L. G. T. M.; FEDORKA, C. E. Persistent breeding-induced endometritis in mares—A multifaceted challenge: From clinical aspects to immunopathogenesis and pathobiology. International journal of molecular sciences, v. 21, n. 4, p. 1432, 2020.
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MORRIS, L. H. A.; MCCUE, P. M.; AURICH, C. Equine endometritis: A review of challenges and new approaches. Reproduction, v. 160, n. 5, p. R95-R110, 2020.
NIELSEN, J. M.; FOG, P.; BOJESEN, A. M. Impact of yeast endometritis on fertility in the mare. Journal of Equine Veterinary Science, v. 99, p. 103409, 2021.
PETRITES-MURPHY, M. B. et al. Equine cryptococcal endometritis and placentitis with neonatal cryptococcal pneumonia. J Vet Diagn Invest., v.8, p.383-386, 1996. 
POGGI, J. C. G.; AMBROJO, K. S. History of Horses and the Biotechnologies Applied to Its Reproduction. Equine Science-Applications and Implications of New Technologies, 2023.
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RHIMI, W. et al. Antifungal, antioxidant and antibiofilm activities of essential oils of Cymbopogon spp. Antibiotics, v. 11, n. 6, p. 829, 2022.
RIBAS, J. A.; CARVALHO, E. Q.; STUSSI, J. P. Fungal endometritis in mares: diagnosis and clinicopathological aspects. Revista Brasileira de Ciência Veterinária, v. 21, n. 3, p. 204-212, 2014.
SCOTT, C. J. A review of fungal endometritis in the mare. Equine Veterinary Education, v. 32, n. 8, p. 444-448, 2020.
SCOTT, C. J. et al. Bayesian accuracy estimates and fit for purpose thresholds of cytology and culture of endometrial swab samples for detecting endometritis in mares. Preventive Veterinary Medicine, v. 209, p. 105783, 2022.
SHARIFZADEH, A.; SHOKRI, H. In vitro synergy of eugenol on the antifungal effects of voriconazole against Candida tropicalis and Candida krusei strains isolated from the genital tract of mares. Equine veterinary journal, v. 53, n. 1, p. 94-101, 2021.