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| POTENCIAL BIOLÓGICO DE Psidium guajava: REVISÃO | |
| 1SYMARA RODRIGUES BERNARDELLI OLIVEIRA, 2MARIANE DE ALMEIDA MACHADO, 3KENNY TSUYOSHI SAKANE, 4ZILDA CRISTIANI GAZIM | |
| 1Discente Mestrado do Programa de Pós Graduação em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos, Unipar 2Acadêmica do Curso de Doutorado Em Ciência Animal Com Ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR 3Acadêmico do Curso de Mestrado Em Ciência Animal Com Ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR 4Docente da UNIPAR |
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| Introdução: Importante fruta tropical, Psidium guajava, conhecida no Brasil como goiaba, prospera em vários países, sendo uma importante cultura alimentar e planta medicinal em países tropicais e subtropicais, amplamente utilizada como alimento e na medicina popular (Guti´rez; Mitchell; Solis, 2008). A terapêutica mais conhecida é para uso em episódios de diarréia e gastroenterites, como descritos por Liu; Jullian; Chassagne (2024) que através da decocções e infusões feitas de folhas e casca de goiaba têm sido tradicionalmente usadas para tratar diarréia e dor de estômago. Para destacar a necessidade de estudo de P. guajava, Kareem; Kadhim (2024) afirmam que em suas diversas partes, incluindo frutos, folhas e cascas, a goiaba possui um rico reservatório de compostos bioativos que têm sido tradicionalmente utilizados como fitoterápicos folclóricos, oferecendo inúmeras aplicações terapêuticas. Na goiaba, encontra-se uma extensa gama de compostos com propriedades antioxidantes e constituintes fitoquímicos, incluindo óleos essenciais, polissacarídeos, minerais, vitaminas, enzimas, triterpenoides, alcaloides, esteroides, glicosídeos, taninos, flavonoides e saponinas. Objetivos: Apresentar uma revisão bibliográfica sobre os compostos encontrados no extrato bruto da folha de P. guajava, bem como discutir seu potencial e indicações para benefícios terapêuticos. Desenvolvimento: Os compostos presentes na espécie P. guajava podem ser divididos em diferentes classes químicas, incluindo flavonoides, terpenoides, polifenóis, alcalóides e glicosídeos (Liu; Jullian; Chassagne, 2024). Para Kareem; Kadhim (2024) conhecida como um notável repositório de nutrientes e antioxidantes fitoquímicos, a goiaba engloba compostos como ácido ascórbico, carotenóides, fibra alimentar rica em antioxidantes e polifenólicos. As folhas da goiaba são ricas em flavonoides, principalmente quercetina e taninos hidrolisados, onde acredita-se que a quercetina tem efeito semelhante ao da morfina, inibindo a libertação gastrointestinal de substâncias químicas na doença diarréica aguda. Demonstrou efeitos antibacterianos e antidiarreicos e é capaz de relaxar o liso intestinal muscular e inibir as contrações intestinais (Kamath et al., 2008). Nas folhas da goiaba, há uma abundância notável de óleos essenciais, apresentando compostos como alfa pineno, beta-mirceno, o-cimeno, d-limoneno, beta-ocimeno, humuleno, terpineno, linalol, alfa-terpineol, aloaromadendreno, heptasiloxano, neointermedeol, alfa-calcarina, eicosanóide, 2-Careno, copaeno, gama-muuroleno, aromandendreno, beta-bisaboleno, cis-calamina, naftaleno e epicubenol (Kareem; Kadhim, 2024). De acordo com Okuda et al. (1987) três taninos hidrolisados foram isolados das folhas de P. guajava, sendo denominados de Guavin A, Guavin C e Guavin D que também podem contribuir para o efeito adstringente. Seu uso medicinal foi relatado no sistema indígena de medicamentos na América, mais do que em outros lugares. Estudos etnofarmacológicos mais recentes mostram que P. guajava é usado em muitas partes do mundo para o tratamento por ex. como antiinflamatório, para diabetes, hipertensão, cárie, feridas, alívio da dor e redução da febre (Guti´rez; Mitchell; Solis, 2008). Muitos estudos demonstram a capacidade farmacológica da P. guajava. Assim Kamath et al. (2008) diz que a goiaba mostrou atividade antibacteriana significativa contra bactérias causadoras de diarreia comum, como Estafilococos, Shigella, Salmonela, Bacilo, E. coli, Clostrídio e Pseudomonas. Foi demonstrado que os produtos químicos de lectina na goiaba se ligam a E. coli (um organismo comum causador de diarréia), impedindo a sua adesão à parede intestinal e prevenindo assim a infecção e a diarréia. Segundo Guti`rez, Mitchell e Solis (2008) uma decocção das folhas é usada para curar a tosse, outras para tratar o sofrimento digestivo associado a diarréias graves. O extrato de folhas de goiabeira apresentou atividade antitussígena ao reduzir a frequência de tosse induzida pelo aerossol de capsaicina. Em estudos realizados para investigar os efeitos hipoglicêmicos e hipotensores do P. guajava (1983 e em 2005) o extrato aquoso de folhas em ratos, apresentou atividade hipoglicêmica (Kamath et al., 2008). Conclusão: As folhas de goiaba abrangem um espectro diversificado de compostos identificados com finalidades indefinidas, bem como seus efeitos e indicações. Apesar do grande número de publicações sobre o tema, ainda existem algumas questões a serem respondidas sobre o mecanismo de ação dos compostos antidiarreicos de P. guajava; a segurança na utilização das folhas de goiaba principalmente para as crianças, e a dosagem. Para responder a estas questões, estudos fitoquímicos mais completos e ensaios clínicos sistemáticos são necessários (Liu; Jullian; Chassagne, 2024). Apesar do seu potencial terapêutico, o uso ainda enfrenta desafios e faz notório a necessidade de mais estudos e diretrizes específicas para garantir a eficácia, segurança e aplicabilidade na prática. |
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| Referências: GUTIÉRREZ, Rosa Martha Pérez; MITCHELL, Sylvia; SOLIS, Rosario Vargas. Psidium guajava: A review of its traditional uses, phytochemistry and pharmacology. Journal of ethnopharmacology, v. 117, n. 1, p. 1-27, 2008. Disponível em: www.sciencedirect.com. Acesso em: 27 Ago. 2024. KAMATH, J. V. et al. Psidium guajava L: A review. International Journal of Green Pharmacy (IJGP), v. 2, n. 1, 2008. Disponível em http://greenpharmacy.info/index.php/ijgp/article/view/386. Acesso em 05/08/2025. KAREEM, Ashwaq T.; KADHIM, Enas J. Psidium guajava: A Review on Its Pharmacological and Phytochemical Constituents. Biomedical & Pharmacology Journal, v. 17, n. 2, p. 1079-1090, 2024. Disponivel em https://www.researchgate.net/profile/Ashwaq-T-Kareem/publication/382498118_Psidium_guajava_A_Review_on_Its_Pharmacological_and_Phytochemical_Constituents/links/66a0f9c08be3067b4b154a51/Psidium-guajava-A-Review-on-Its-Pharmacological-and-Phytochemical-Constituents.pdf. Acesso em 04/08/2025. LIU, Chengmei; JULLIAN, Valérie; CHASSAGNE, François. Ethnobotany, phytochemistry, and biological activities of Psidium guajava in the treatment of diarrhea: a review. Frontiers in Pharmacology, v. 15, p. 1459066, 2024. Disponível em https://www.frontiersin.org/journals/pharmacology/articles/10.3389/fphar.2024.1459066/full. Acesso em 04/08/2025. OKUDA, Takuo et al. Guavins A, C and D, complex tannins from Psidium guajava. Chemical and pharmaceutical bulletin, v. 35, n. 1, p. 443-446, 1987. Disponível em https://www.jstage.jst.go.jp/article/cpb1958/35/1/35_1_443/_article/-char/ja/. Acesso em 04/08/2025. |
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