RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA EM ISOLADOS DE MASTITE: UMA REVISÃO DE LITERATURA  
1HALISON MURILO DA SILVA OLIVEIRA, 2KARINY APARECIDA JARDIM RUBIO, 3SELMA ALVES RODRIGUES, 4FRANCIELI GESLEINE CAPOTE BONATO, 5MARIA DAMARIS RIBEIRO CAVALCANTE, 6DANIELA DIB GONÇALVES
11Mestrando do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal – UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Doutorado Em Ciência Animal Com Ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Doutorado Em Ciência Animal Com Ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR
4Doutorado Em Ciência Animal Com Ênfase Em Produtos Bioativos - Turma Viii
5Acadêmica do Curso de Mestrado Em Ciência Animal Com Ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR
6Docente Programa de Pós-graduação em Ciência Animal – UNIPAR
Introdução: A mastite bovina é uma das infecções mais comuns e preocupantes nos rebanhos leiteiros, responsável por prejuízos expressivos na produção. Ela compromete a qualidade e a quantidade do leite, gera o descarte de animais e aumenta os custos com tratamentos (Oliveira et al., 2021). Para controlar a infecção, é comum o uso de antimicrobianos como os betalactâmicos e os aminoglicosídeos, como penicilina, gentamicina e ceftiofur (Silva et al., 2024). Um fator importante a ser considerado é o crescente convívio entre humanos e animais no mesmo ambiente e justamente por essa convivência tão próxima, é essencial investigar bactérias resistentes à diferentes antimicrobianos, inclusive a vancomicina em animais (Santos et al., 2022).
Objetivo: Esta revisão tem como objetivo analisar os principais achados da literatura sobre a resistência antimicrobiana em mastite bovina.
Desenvolvimento: Estudos recentes apontam a presença de cepas de Staphylococcus aureus resistentes à meticilina (MARS) e até mesmo à vancomicina (VARS) em rebanhos leiteiros no Brasil, o que representa uma ameaça tanto para a saúde animal quanto para a saúde humana (Souza et al., 2023). Em um estudo realizado em Pernambuco por Medeiros et al. (2022) onde foi investigado a sensibilidade antimicrobiana de isolados de Staphylococcus spp. provenientes de vacas com mastite subclínica e dos 291 isolados analisados, S. aureus correspondeu a 28,9%. Os resultados revelaram elevada resistência à ampicilina, essa realidade reforça a importância do uso criterioso de antimicrobianos em bovinos, especialmente, daqueles de maior importância para o uso animal. Relacionado a vancomicina, de acordo com Silva et al. (2024), este fármaco é considerado pela pela OMS, (Organização Mundial de Saúde) e OIE, (Organização Internacional de Epizootias) uma das últimas opções de uso como tratamento em humanos, o uso em animais de produção deve ser evitado, entretanto deve ser realizado o monitoramento pela possibilidade de compartilhamento de microbiota humano e animais. Além disso, outro estudo de Souza et al. (2023) identificaram a presença do gene da β-lactamase em cepas de Staphylococcus aureus, indicando uma resistência múltipla aos antibióticos convencionais e embora a vancomicina não tenha sido testada diretamente nesses casos, os autores destacam que o uso indiscriminado de antibióticos de alta potência pode agravar ainda mais o problema da resistência antimicrobiana.
Conclusão: A revisão da literatura mostra que o uso de diferentes antimicrobianos no tratamento da mastite bovina de forma indiscriminada deve ser evitado, principalmente por sua relação com a saúde única. Felizmente, a ciência tem apontado alternativas viáveis e promissoras, como compostos naturais e peptídeos antimicrobianos, que podem ajudar a controlar a doença de forma eficaz e segura. Para garantir a saúde dos animais, a segurança alimentar e a preservação dos recursos terapêuticos humanos, é essencial adotar protocolos baseados em testes de sensibilidade e promover o uso racional de antimicrobianos na produção animal.
Referências:
OLIVEIRA, H. Terapia de mastite bovina com peptídeos antimicrobianos: entenda tudo! Elevagro, 2021. Disponível em: https://elevagro.com/blog/terapia-de-mastite-bovina-com-peptideos-antimicrobianos-entenda-tudo. Acesso em: 18 ago. 2025.
SILVA, A. et al. Classes e moléculas dos antimicrobianos usados no tratamento da mastite bovina no Brasil e seu grau de importância de acordo com a OIE. Embrapa, 2024. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/handle/doc/1169246. Acesso em: 18 ago. 2025.
SOUZA, G. et al. Sensibilidade de bactérias causadoras de mastite bovina a extratos de plantas nativas do Cerrado. Revista Vozes dos Vales, 2023. Disponível em: https://rvz.emnuvens.com.br/rvz/article/view/1062. Acesso em: 18 ago. 2025.
SOUZA, M. et al. Etiologia da mastite bovina subclínica, sensibilidade dos agentes às drogas antimicrobianas e detecção do gene da β-lactamase em Staphylococcus aureus. Revista Vozes dos Vales, 2023. Disponível em: https://rvz.emnuvens.com.br/rvz/article/view/1169. Acesso em: 18 ago. 2025.
MEDEIROS, E. S. et al. Resistência antimicrobiana e formação de biofilme de Enterococcus spp. isolados de queijo coalho. Medicina Veterinária (Recife), v. 18, n. 1, p. 91-97, 2022. DOI: 10.26605/medvet-v18n1-5879. Disponível em: https://www.journals.ufrpe.br/index.php/medicinaveterinaria/article/view/5879. Acesso em: 18 ago. 2025.
SANTOS, J. M. S. et al. Uso indiscriminado de antibióticos na medicina veterinária e os impactos na Uma Saúde. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 7, n. 3, p. 1656-1672, 2022. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/390010202. Acesso em: 18 ago. 2025.