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| MANIFESTAÇÃO DE MUCOSITE ORAL NO USO DE AGENTES ANTINEOPLÁSICOS | |
| 1ANNA LUIZA ROGERIO ALMEIDA, 2AMANDA TOLOTTO VALOTO, 3GABRIELA KAROLINA CEROZINO, 4ANA BEATRIZ BELASCO, 5FABÍOLA ADRIANA GARCIA MELLO DYNA , 6DANIELA DE CASSIA FAGLIONI B CERANTO | |
| 1Acadêmico bolsista do PIBIC/UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR 4Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR 5Docente da UNIPAR 6Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A mucosite é uma complicação comum decorrente do tratamento oncológico. Pode ser explicada como uma inflamação da mucosa oral advinda da quimioterapia (Hong et al., 2019), ou da radioterapia na região de cabeça e pescoço. Entre suas principais consequências estão dor, dificuldade de alimentação, desnutrição, hospitalização prolongada e potencial infecção sistêmica, induzindo um declínio significativo na adesão dos pacientes ao tratamento (Triarico et al., 2022). A cavidade oral e orofaríngea abriga mais de 700 espécies de microrganismos, responsáveis por manter um ambiente favorável à sobrevivência microbiana, defender o organismo contra patógenos externos, facilitar a absorção de nutrientes e regular o crescimento populacional microbiano por meio de interações interespecíficas (Silva et al., 2022). A mucosite oral é, portanto, caracterizada como um processo doloroso que impacta significativamente na qualidade de vida dos pacientes, e evidências recentes sugerem que alterações na microbiota oral podem influenciar a gravidade e a duração do quadro clínico (Triarico et al., 2022). Objetivo: O objetivo desse estudo foi fornecer uma visão geral, através de uma revisão de literatura, sobre a relação entre a disbiose da microbiota oral e a gravidade da mucosite oral em pacientes submetidos à quimioterapia ou radioterapia. Foram selecionados artigos publicados a partir de 2009 nas bases Google Acadêmico, PubMed, SciELO, utilizando os descritores: mucosite oral, microbiota oral, disbiose and mucosite. Desenvolvimento: Em condições fisiológicas a microbiota se relaciona a um estado de equilíbrio com o hospedeiro, semelhante ao que ocorre em outras áreas corporais. Contudo, o comprometimento imunológico, rompe essa homeostase (Silva et al; 2022). Segundo Hong et al; (2019), a mucosite oral induzida por quimioterapia está fortemente associada à disbiose bacteriana, demonstrando o potencial das alterações no microbioma para agravar as lesões epiteliais causadas por agentes antineoplásicos. O controle da disbiose oral pode ser uma estratégia promissora para prevenir e aliviar os sintomas da mucosite oral, cuja incidência varia de 20% a 40% em pacientes oncológicos em quimioterapia convencional, podendo chegar a até 80% em casos de transplante de medula óssea (Al-Rudayni et al., 2021). Durante a terapia antineoplásica, alterações locais e sistêmicas favorecem o desenvolvimento de disbiose oral, caracterizada pelo desequilíbrio entre microrganismos comensais e patógenos. Um estudo observou que a quimioterapia promoveu depleção de bactérias benéficas, como os gêneros Streptococcus, Actinomyces, Gemella, Granulicatella e Veillonella, e aumentou bactérias Gram-negativas potencialmente patogênicas, como Fusobacterium nucleatum e Prevotella oris. Tais mudanças foram associadas à gravidade da mucosite oral, independentemente do uso de antibióticos ou inibidores de ácido (Hong et al., 2019). Em pacientes submetidos à radioterapia, a incidência de mucosite oral ultrapassa 90%, podendo comprometer significativamente o estado nutricional, a higiene bucal e a qualidade de vida (Al-Rudayni et al., 2021). A aquisição evolutiva de uma microbiota complexa garante que a colonização comensal ocorra como um estado de mutualismo, cuja quebra pode resultar em distúrbios inflamatórios crônicos, incluindo autoimunidade, alergias e síndromes metabólicas (Belkaid; Harrison, 2017). Embora a maioria dos estudos sobre a relação entre microbiota e imunidade mucosa foque no trato gastrointestinal, como mostrado por Ivanov et al., (2009), é plausível que mecanismos semelhantes ocorram na cavidade oral. No intestino, bactérias comensais como as filamentosas segmentadas (SFB) induzem células Th17, que produzem citocinas pró-inflamatórias (IL-17, IL-22) e participam da defesa e de doenças inflamatórias. De forma análoga, a disbiose oral induzida por quimioterapia, radioterapia ou má higiene pode ativar respostas imunes semelhantes, contribuindo para a gravidade da mucosite. O epitélio mucoso reconhece sinais microbianos e regula a resposta imune, mas, em situação de disbiose, sua integridade é comprometida, favorecendo inflamação exacerbada (Belkaid; Harrison, 2017). Assim, considerando que toda a comunidade microbiana influencia tanto a resposta imune quanto a manutenção da integridade epitelial, é plausível que doenças da mucosa oral, como a mucosite, resultem da perda dessa relação homeostática entre o hospedeiro e os microrganismos (Silva et al., 2022). Conclusão: A mucosite oral é uma complicação comum e debilitante em pacientes oncológicos, especialmente após quimioterapia ou radioterapia intensiva. A disbiose da microbiota oral contribui para a quebra da homeostase da mucosa, e a consequente inflamação e agravamento das lesões epiteliais, por meio da perda de microrganismos comensais e do aumento de oportunistas. Compreender a interação entre microbiota e imunidade local é fundamental para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais eficazes e seguras. |
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| Referências: AL-RUDAYNI, A. H. M.; et al. Efficacy of Oral Cryotherapy in the Prevention of Oral Mucositis Associated with Cancer Chemotherapy: Systematic Review with Meta-Analysis and Trial Sequential Analysis. Current Oncology, v. 28, n. 4, p. 2852–2867, 29 jul. 2021. Disponível em: https://doi.org/10.3390/curroncol28040250. Acesso em 25 jul. 2025 BELKAID, Y.; HARRISON, O. J. Homeostatic Immunity and the Microbiota. Immunity, v. 46, n. 4, p. 562–576, abr. 2017. Disponível em: https://www.cell.com/immunity/fulltext/S1074-7613(17)30141-3?_returnURL=https%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS1074761317301413%3Fshowall%3Dtrue. Acesso em 25 jul. 2025 HONG, B.-Y.; et al. Chemotherapy-induced oral mucositis is associated with detrimental bacterial dysbiosis. Microbiome, v. 7, n. 1, 25 abr. 2019. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6482518/. Acesso em 03 ago. 2025 IVANOV, I. I.; et al. Induction of Intestinal Th17 Cells by Segmented Filamentous Bacteria. Cell, v. 139, n. 3, p. 485–498, out. 2009. Disponível em: https://www.cell.com/cell/fulltext/S0092-8674(09)01248-3?_returnURL=https%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS0092867409012483%3Fshowall%3Dtrue. Acesso em 30 jun. 2025 SILVA, I. A. DA.; et al. Impacto do Tratamento Antineoplásico na Microbiota da Cavidade Oral e Orofaríngea de Pacientes Acometidos pelo Câncer de Cabeça e Pescoço: Revisão Sistemática. Revista Brasileira de Cancerologia, v. 68, n. 1, 23 fev. 2022. Disponível em: https://doi.org/10.32635/2176-9745.RBC.2022v68n1.1581. Acesso em 05 ago. 2025 TRIARICO, S.; et al. Oral Microbiota during Childhood and Its Role in Chemotherapy-Induced Oral Mucositis in Children with Cancer. Pathogens, v. 11, n. 4, p. 448, 7 abr. 2022. Disponível em: https://doi.org/10.3390/pathogens11040448. Acesso em 02 ago. 2025. |
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