PLANTAS MEDICINAIS COMO TERAPIA ADJUVANTE NO CONTROLE DO DIABETES
1GILCIELEN DE OLIVEIRA CARREIRO, 2JAQUELINE HOSCHEID
1Discente do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia aplicada à Agricultura; Universidade Paranaense
2Docente da UNIPAR
Introdução: O Diabetes mellitus (DM), é caracterizado por alterações metabólicas que cursam com hiperglicemia na ausência de tratamento. Pacientes diabéticos apresentam diminuição da secreção de insulina, na ação da insulina, ou os dois fatores associados. Esta patologia pode gerar diversos prejuízos ao organismo dos indivíduos como retinopatia, nefropatia e neuropatia, além de promover um aumento no risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares (OMS, 2020). Estima-se, a nível mundial, que aproximadamente 537 milhões de adultos entre 20 e 79 anos convivam com DM (IDF, 2023). O tratamento do DM pode envolver medidas farmacológicas como uso de medicamentos da classe das biguanidas e sulfonilureias, além disso, as medidas não farmacológicas como dieta e atividade física são essenciais para controle glicêmico (OMS, 2020). Plantas medicinais, as quais são utilizadas para tratamento de diversas doenças podem ter aplicação na redução da glicemia com mecanismos similares aos fármacos convencionais e adicionalmente podem apresentar atividade antioxidante (Praparatana et al., 2022; Tan; Cheong; Cheang, 2022).  
Objetivo: Realizar uma revisão da literatura acerca da utilização de plantas medicinais como terapias adjuvantes no tratamento de Diabetes mellitus.
Desenvolvimento: Produtos naturais apresentam diversos metabólitos, como os compostos fenólicos e flavonoides os quais podem interferir em atividades de enzimas chave no metabolismo de carboidratos como a α-glicosidase  (Praparatana et al., 2022). O acúmulo de radicais livres também possui um papel importante nas disfunções vasculares, as quais estão relacionadas a um grupo de alterações como hipertensão e aterosclerose, as quais podem diminuir a sobrevida do paciente. Neste contexto, plantas e alimentos com compostos antioxidantes podem auxiliar na terapia de disfunções vasculares em diabéticos diminuindo as lesões nos vasos sanguíneos causadas por estas espécies reativas de oxigênio (Tan; Cheong; Cheang, 2022). Entre as plantas com atividade antidiabética relatadas na literatura está o feijão (Phaseolus vulgaris),  Mojica et al. (2024) observaram que uma preparação de hidrolisado proteico desta espécie apresentou um efeito redutor agudo da glicose após um teste oral de tolerância à glicose em indivíduos com pré-diabetes, podendo auxiliar na regulação do metabolismo da glicose e na manutenção da homeostase da glicose sanguínea para tratar ou prevenir o pré-diabetes diminuindo picos glicêmicos após as refeições. As espécies Bauhinia forficata (Pata de vaca) e Bauhinia strychnifolia (Bauhinia trepadeira) também apresentam uso na medicina tradicional com finalidade hipoglicemiante, deste modo, são plantas candidatas a adjuvante no tratamento de adultos com DM tipo 2 para auxiliar no controle da glicemia, sendo necessários ensaios mais aprofundados em humanos (Dimer et al., 2024; Praparatana et al., 2022). Outras plantas com atividade de redução da glicemia são a Salvia spp, Moringa oleifera e Momordica charantia, também sendo utilizadas popularmente como antidiabéticas ou na prevenção de condições agravantes relacionados ao DM (Oliveira; Lins; Freitas, 2024). Sua atividade hipoglicemiante está relacionada com a inibição da atividade da enzima α-amilase retardando a liberação de glicose dos carboidratos complexos, modulando os níveis de hiperglicemia pós-prandial (Hasan; Soheila; Mahmoodreza, 2022).
Conclusão: Estudos demonstraram potencial para uso de diversas plantas como coadjuvantes no tratamento de DM, porém ainda são necessários aprofundamento nos ensaios em humanos e desenvolvimento de padronização entre os extratos.
Referências:
DIMER, Liliana Maria; COLONETTI, Tamy; UGGIONI, Maria Laura Rodrigues; FERRAZ, Sarah Dagostin; GRANDE, Antonio José; ROSA, Maria Inês; CERETTA,Luciane Bisognin. Evaluation of the effects of Bauhinia forficata as an adjuvant in the treatment of type 2 diabetes mellitus. Eur J Integr Med, v. 65, p. 102331, 2024.
HASAN, Javid; SOHEILA, Moein; MAHMOODREZA, Moein. An investigation of the inhibitory effects of dichloromethane and methanol extracts of Salvia macilenta, Salvia officinalis, Salvia santolinifolia and Salvia mirzayanii on diabetes marker enzymes, an approach for the treatment of diabetes. Clin. phytosci., v. 8, n. 1, 2022.
INTERNATIONAL DIABETES FEDERATION (IDF). About Diabetes. Disponível em: https://encurtador.com.br/7ran9. Acesso em: 24 jun. 2025.
MOJICA, Luis; RAMOS-LOPEZ, Andrea Susana; SANCHEZ-VELAZQUEZ, Oscar Abel; GOMEZ-OJEDA, Armando; LUEVANO-CONTRERAS, Claudia. Black bean (Phaseolus vulgaris L.) protein hydrolysates reduce acute postprandial glucose levels in adults with prediabetes and normal glucose tolerance. J Funct Foods, v. 112, p. 105927, 2024.
OLIVEIRA, Emilly Victória Pereira; LINS, Renata Larissa Oliveira; DA GLÓRIA FREITAS, Maria. O uso de fitoterápicos no tratamento de pessoas convivendo com a diabetes. Revista JRG de Estudos Acadêmicos, v. 7, n. 14, p. e141057, 2024.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Diagnosis and management of type 2 diabetes. Disponível em: https://encurtador.com.br/yFe6Y. Acesso em: 24 jun. 2025.
PRAPARATANA, Rachanida; PATTARAVAN, Maliyam; BARROWS, Louis; PUTTARAK, Panupong. Flavonoids and phenols, the potential anti-diabetic compounds from Bauhinia strychnifolia Craib. stem. Molecules, v. 27, n. 8, p. 2393, 2022.
TAN, Yi; CHEONG, Meng Sam; CHEANG, Wai San. Roles of reactive oxygen species in vascular complications of diabetes: therapeutic properties of medicinal plants and food. Oxygen, v. 2, n. 3, p. 246-268, 2022.