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| PLANTÃO PSICOLÓGICO: UM ENCONTRO COM O OUTRO, UM MERGULHO NO DESCONHECIDO | |
| 1DANIELA DE MAMAN | |
| 1Prof ª. Associado A, Unioeste-Campus de Francisco Beltrão/PR. Membro Pesquisador GECIBIO-GEPSICO. Unioeste-Cascavel/Francisco Beltrão/PR |
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| Introdução: O plantão psicológico (PP) representa um espaço singular de acolhimento e escuta diante das urgências emocionais que atravessam a existência humana. Sapienza (2007) afirma que quem procura por atendimento psicológico é alguém que sofre com escolhas, perdas, amores, desamores e a finitude da vida um ser humano em sua inteireza, um “ser-aí” heideggeriano, em constante movimento e reconstrução (Heidegger, 2001). Nesse cenário, o PP emerge como um espaço possível para o encontro consigo e com o outro, especialmente diante daquilo que se apresenta como insuportável ou confuso. Objetivo: Apresentar o plantão psicológico como um espaço terapêutico necessário na contemporaneidade. Pretende-se discutir sua potência no acolhimento das emergências subjetivas, enfatizando o papel da escuta empática, da presença afetiva e da possibilidade de construção de sentido nos encontros acontecimentais. Desenvolvimento - A experiência do plantão psicológico é marcada pela imprevisibilidade: cada encontro é único, irrepetível e exige escuta sensível. Tristeza, angústia, desespero e dor são expressões legítimas do viver, e o plantão oferece espaço para que essas experiências possam ser ouvidas e simbolizadas. Calligaris (2008) destaca que viver anestesiado, sem contato com o que nos afeta, é desperdiçar a própria vida. Por isso, a escuta no PP deve ser interessada e comprometida com o cuidado, como propõe Boff (1999), ao afirmar que cuidar é um ato de humanidade e responsabilidade ética. O plantonista acolhe não apenas o sujeito que chega, mas também suas histórias, suas marcas, sua ancestralidade e os ecos de sua comunidade, como lembra Safra (2004). O encontro terapêutico, nesse sentido, não se dá apenas entre duas individualidades, mas entre múltiplas subjetividades que se entrelaçam. Exige-se, portanto, uma postura de abertura, presença e empatia. Yalom (2007) reforça que o cuidado psicológico se efetiva pela presença empática do terapeuta associada a suas interpretações técnicas, sendo, ambas essenciais no contexto do PP, em que o tempo é breve e a urgência da dor exige acolhimento imediato. O relato de TC. quando acolhido em um plantão psicológico, por exemplo, evidencia a complexidade do sofrimento humano: perdas trágicas, rejeição materna, hospitalizações forçadas. Sua dor, ainda viva, foi acolhida sem julgamento, o que permitiu a emergência de pequenos gestos de esperança. Essa é a força do PP: autorizar o sujeito a “ser ele mesmo”, como afirma Henriques (2005), em um espaço que legitima subjetividades encobertas e experiências de sofrimento não normatizadas. Cautella Júnior (2009) destaca que, mesmo em contextos hospitalares, o plantão se configura como espaço de emergência subjetiva, onde a escuta precisa ser rápida, mas não apressada, e o acolhimento deve ser autêntico, mesmo diante da brevidade do encontro. Nesse sentido, o plantonista não oferece respostas prontas, mas uma escuta genuína e uma presença disponível. Chaves e Henriques (2008) compreendem o PP como um campo de acontecimentos, onde o saber técnico é desafiado pelo inesperado e pela complexidade do humano. Isso exige uma ética da presença e da hospitalidade, na qual o terapeuta se compromete com o outro em sua totalidade, reconhecendo sua vulnerabilidade e singularidade. Conclusão: O plantão psicológico é, portanto, mais do que um dispositivo emergencial: trata-se de um espaço ético-estético de encontro, onde o sofrimento pode ser nomeado, acolhido e ressignificado. Ao receber o “estrangeiro” que chega, isto é, aquele que sofre e desconhece a si mesmo, o terapeuta compartilha com ele o mesmo espaço e oferece hospitalidade (Henriques, 2005). Nesse movimento, constrói-se a possibilidade de atravessar o sofrimento com mais clareza e dignidade. Trata-se de uma prática indispensável na clínica contemporânea, especialmente em tempos marcados por sofrimento psíquico generalizado, colapsos de sentido e solidão emocional. O plantão não exige diagnósticos prévios ou encaminhamentos automáticos, mas sim presença, escuta e confiança na potência transformadora do encontro humano. Como propõem Chaves e Henriques (2008), o tempo da urgência também pode ser tempo de cuidado e de recomeço e é responsabilidade do plantonista zelar por esse instante com ética, sensibilidade e escuta profunda. |
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| Referências: BOFF, Leonardo. Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela terra. Petrópolis: Vozes, 1999. CALLIGARIS, Contardo. Cartas a um jovem terapeuta. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. CAUTELLA JÚNIOR, Waldir. Plantão psicológico em hospital psicológico. In: MORATO, H. T. P. (Org.). Aconselhamento psicológico centrado na pessoa: novos desafios. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2009. p. 195-210. CHAVES, Patricia Bezerra; HENRIQUES, Wagner M. Plantão Psicológico: de frente com o inesperado. Psicologia Argumento, Curitiba, v. 26, n. 53, p. 151-157, 2008. HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo. Tradução de Márcia de Sá Cavalcante. Petrópolis: Vozes, 2001. v. 1. HENRIQUES, Wagner M. O sentido se constrói no encontro. Psicologia Argumento, Curitiba, v. 23, n. 42, p. 91-96, 2005. SAFRA, Gilberto. A ética do cuidado. São Paulo: Escuta, 2004. SAPIENZA, Benedito T. Do desabrigo à confiança: daseinsanalyse e terapia. São Paulo: Escuta, 2007. YALOM, Irvin D. O carrasco do amor e outras histórias de psicoterapia. São Paulo: Agir, 2007. |
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